| | | |

A Morte está Viva

por 10/07/2010 3 comentários

Estudo conduzido pelo Lama Samten no CEBB Caminho do Meio.

Ao final de um estudo semanal no CEBB Caminho do Meio em maio, um praticante perguntou ao Lama Padma Samten se deveríamos fazer alguma prática especial durante o Sagadawa, período que corresponde à iluminação do Buda, na tradição tibetana. O Lama lembrou que todas as ações nesse período repercutem em 100 mil vezes. Lembrou também que temos vários horários de práticas regulares no CEBB e recomendou que todos fossem aos pujas da manhã e da noite. Achei essa resposta o máximo… Não precisamos criar nada especial, basta aproveitarmos o que já temos.

Não sei em que medida nós conseguimos seguir a recomendação do Lama, fazer auto-avaliação é difícil.
 
No método do nosso professor, aprendemos a praticar o budismo sem a necessidade de nos distanciarmos do mundo; pelo contrário, usamos as alegrias e dores das nossas vidas comuns como elementos de prática, transformando-as em Darma. É o caminho tantrayana.

Neste período de Sagadawa o senhor da roda da vida nos apresentou a rica oportunidade de praticarmos, em sanga, com a impermanência. Acompanhamos de perto a morte de dois praticantes queridos, o marujo Júlio, que recentemente vivia no CEBB Caminho do Meio e a Bárbara, de Salvador.

Escrevo para contar da minha experiência de prática nesses dias. Participei deste momento como se participasse de um evento, como tantos outros que passamos durante a vida. Batizado, casamento, colação de grau, completar 18 anos, são todos eventos com suas características e ritos particulares, assim como o nascimento e a morte. Com essa visão o termo “passagem” faz mais sentido.

“Eu vi a cara da morte e ela estava viva”. A frase é do maior poeta da minha geração, o Cazuza, segundo Caetano Veloso, o maior compositor brasileiro de algumas gerações… Talvez Cazuza tenha dito essa frase em outro contexto. Na prática especial para o Júlio logo após o seu falecimento, ao fazer acumulação da recitação do mantra de Guru Rinpoche junto com outros praticantes na sala de meditação, tive um sentimento de quase alegria, que seguiu comigo ao longo dos dias. A morte não precisa ter uma aparência de caveira, mesmo que haja dor, existe uma “vida” por trás dela, um “continum”. A caveira é cultural.

No livro “Conselhos sobre a Morte”, Sua Santidade o Dalai Lama nos mostra que todos os fenômenos da existência cíclica, até mesmo a morte, não possuem uma existência inerente. Podemos dizer: Ah, tá… lindo! E o que eu faço enquanto não tenho uma compreensão a esse nível?

Dalai Lama é ao mesmo tempo simples, didático, profundo e confere leveza as suas palavras ao falar de temas aparentemente tão densos e difíceis como a morte. Um mestre (rs). Seus ensinamentos encorajam e nos ajudam a entender que assim como um grande iogue poderá transformar seu corpo em um corpo de arco-íris através da prática espiritual, da mesma forma cada pessoa pode obter resultados positivos em harmonia com o seu próprio nível de prática, no ponto em que estiver.

Blog Widget by LinkWithin

Andiara Paz é editora da revista Bodisatva. Se você tem críticas, elogios ou sugestões, é com ela que você deve falar. É aluna do Lama Padma Samten desde 1998. | Leia outros posts de


Receba o próximo texto

3 comentários »

  • Nilza Brando disse:

    Conheci o Lama Padma Samten, através do programa Sagrado.
    Sou estudiosa da filosofia budista e adorei o site. Passei a ler tudo sobre ele e agora me cadastrei para receber mais textos.
    Atenciosamente,
    Nilza

  • Doutor Fulano disse:

    Cara Andiara

    Li e gostei muito do seu texto “A MORTE ESTA VIVA” me fez refletir muito sobre a vida…
    Tenho meus 30 e muitos,e são muitos mesmo, e conclui que um dia todos deixaremos este planeta, alguns com lembranças boas, outros nem tanto…
    Namorei, viajei, trabalhei e de uma hora pra outra ganhei muito dinheiro, de forma que não preciso mais trabalhar, e nem sinto vontade rs, mas sei
    porém que nos cabe tirar proveito dessa existencia vivida por aqui.
    Tenho, durante a vida, feito muitas coisas, que a maioria das pessoas não teria feito em muitas vidas, porém sinto que não estou realizado ainda.
    Me sinto confuso e até perdido, e gostaria de saber se vc ou o budismo tem alguma ajuda em forma de resposta pra mim, já procurei em meu interior e não achei uma ainda. Desja já obrigado e conto com sua ajuda.

    DOUTOR FULANO DE TAL
    doutor_fulano_de_tal@hotmail.com msn e e-mail

  • Andiara disse:

    Olá!
    Acredito que sim, “Doutor Fulano de Tal”, o budismo tem muitas respostas.
    De acordo com a minha experiência,em primeiro lugar considero importante encontrar um professor, que vai nos orientar no caminho do Darma e transmitir os ensinamentos.

    Um abraço e tudo de bom!

Deixe seu comentário!

Esse site usa o sistema Gravatar. Para que sua foto apareça, basta se cadastrar.