Posts de Carmen Padma Jinpa
Carmen Padma Jinpa é uma péssima praticante de budismo e yoga. Trabalha como jornalista e tem o montanhismo e o frescobol como modalidades preferidas de distração e perda de tempo. Pode ser encontrada às terças no CEBB Rio.
Ação »
Conheço uma estrada na montanha onde todo mundo oferece carona.
Como assim? É isso mesmo. Quando vê alguém andando a pé, o motorista para e oferece carona. Em geral são uns carrinhos velhos, adaptados pra vida na roça, ou então umas caminhonetes onde a carga viaja melhor que os passageiros. Não importa, os motoristas vão te olhar, parar, perguntar onde você vai e caso as direções sejam compatíveis eles te levarão.
Subi …
Ação, Visão »
Estávamos parados no sinal vermelho quando um carro avançou, cortou veloz e – paf! – bateu no nosso retrovisor direito.
Já presenciei no CEBB Rio algumas dezenas de discussões sobre como é difícil manter a cabeça fria quando se tem um volante nas mãos. Volta e meia alguém descreve que por pouco conseguiu não responder com raiva a algum confronto de trânsito. O praticante respirou fundo, convocou a lucidez e “segurou …
Visão »
Ouvi falar de gente que estuda tudo sobre trens ou que acorda bem antes do Sol nascer pra investigar com binóculos a vida dos passarinhos. Pois bem. Nós, corredores amadores, cultivamos a estranha diversão que é seguir as corridas de rua.
Alguém vai dizer que tudo isso é coisa de quem não tem umas roupinhas pra lavar – e eu não discordarei inteiramente. Mas me deixem explicar melhor. Suponha que …
Ação, Visão »
Converso com muitos praticantes de meditação sobre o que aconteceu em suas vidas depois que tiveram acesso aos ensinamentos budistas. Às vezes, as respostas podem ser resumidas com uma mesma palavra: desistências.
Tem aquele que desistiu de matar animais como meio de vida. Outro que pensou melhor e resolveu não fazer uma segunda faculdade que tomaria todo seu tempo livre. Uma grande amiga recusou um cargo que lhe aumentaria o prestígio …
Visão »
Sabe quando alguma situação perturbadora perde seu poder e passamos por ela sem nos abalar? Sabe quando nos sentimos espontaneamente abertos e atentos ao outro, sem que nada externo ou favorável precise acontecer? Para uma mente como a minha, preguiçosa, orgulhosa e fortemente ancorada na separatividade, a “coisa” pode durar uns minutos ou uns dois dias. Mas é inconfundível. Parece que os nós se afrouxam e consigo ver melhor o …
Ação, Visão »
Em meio a pesquisas para uma matéria sobre a vida em comunidades, recebo uma mensagem inspiradora de Ani Zamba Chözom. Aos 60 anos, é uma infatigável peregrina do caminho budista, capaz de viajar para qualquer lugar onde os ensinamentos sejam solicitados. Desde o início deste ano, já esteve no Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Hong Kong e, pelos meus cálculos, anda agora por Taiwan.
O lugar que ela chama de casa …
Visão »
“Assim, generosidade transcendental é darmos o que tivermos. Nossa ação precisa ser completamente aberta, completamente despida. Não nos compete fazer julgamentos; aos que recebem compete fazer o gesto de receber. Se os que recebem não estiverem preparados para a nossa generosidade, não a receberão. Se estiverem preparados para ela, virão buscá-la. Esta é a ação desinteressada do bodisatva. Ele não se auto-refere: “Estarei cometendo algum engano?”; “Estarei sendo cuidadoso?”; “A …



