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Budismo e a condição humana: perguntas e respostas

por 27/02/2010 5 comentários

Jamgon_Kongtrul_III275x300Continuo a apresentar preciosos ensinamentos de um grande mestre que foram publicados em edições mais antiga da revista Bodisatva.

Depois da palestra que já foi apresentada aqui,  Sua Eminência Jamgon Kongtrul Rinpoche respondeu perguntas da plateia. Fonte: Bodisatva n° 3, inverno de 1991, pág. 15.

Jamgon Kongtrul esteve no Brasil para ensinamentos por ocasião da fundação do primeiro centro do budismo tibetano no Brasil, em dezembro de 1988, a KTC, Karma Theksum Chokorling. Ele faleceu em um acidente automobilístico, nas montanhas do Nepal em 1992, mas já está reencarnado. Jamgon Kongtrul IV nasceu em  1995 (veja a foto no fim do texto).

Como o budismo vê o sentimento de culpa?

JKR– Isso depende do que significa culpa para você. Se culpa significa que você está consciente de insanidades de você mesmo, consciente que isto tem que ser corrigido e que você pode fazê-lo, em algum momento você o fará. Neste caso, é esta experiência de culpa que lhe permitiu trabalhar as dificuldades. Neste caso, é bom ter culpa. De outro lado, se você acredita ter feito mal e sente-se culpado, sem compreender que isto é produto da ignorância, esta atitude acumula um hábito de culpa.

O que é felicidade? Vocês são totalmente felizes?

JKR- A experiência da verdadeira felicidade está além de felicidade e não-felicidade. Se estamos apegados à felicidade, não estamos felizes – é interdependência. Pela crença na felicidade, infelicidade é concebida. Se felicidade é chegar a algo, então é voltar a perder-se. O sentido verdadeiro do termo “felicidade” está além desta dualidade pois a natureza da mente está além dos condicionamentos mas nossa experiência atual nunca está além da conceitualização. A prática condicionada vem do hábito. Eu espero que eu mesmo seja feliz, mas como a experiência de felicidade está além dos conceitos, não posso utilizá-los para afirmá-la. Não pode ser verbalizado o que não é conceitual, e quando a tentativa é feita, o verdadeiro carece de sentido.

Casamento, sim ou não?

JKR- Onde está a mente, esta é a questão. A relação nem é positiva, nem é negativa. Você seria excelente monja também, se quisesse.

A verdade absoluta é permanente?

JKR- Está além de permanência e impermanência, e aí é permanente.

Seria então estática, sem dinamismo?

JKR- Quando se fala em verdade absoluta e estática, pensamos concretamente nela. Quando falamos de imutabilidade, isto está além da concepção relativa de mutabilidade e imutabilidade. Quando falamos de verdade absoluta, o grau de absolutividade da verdade absoluta depende da crença no eternalismo e niilismo. Como explicar o que é verdade absoluta? A experiência de verdade absoluta vem do entendimento e compreensão do que é verdade absoluta. Com uma compreensão intelectual estamos ainda longe da experiência, aí falamos em vazio, que não é o vácuo dual, a falta de algo.

Quando focamos um objeto, há duas realidades nele. A realidade de como ele surge ao observador, a da aparência, e depois a coisa como é em si. Normalmente separamos as duas. Uma exclui a outra, não são as duas ao mesmo tempo.

A realidade aparente é resultado da atitude eternalista, a que atribui realidade à aparência. Quando mostro minha mão, todos a reconhecem, é uma mão. Então existe a realidade aparente, a mão. Mas do ponto de vista do que ela é, nenhuma mão existe, não é um rótulo da mente. Enquanto realidade aparente, a mão existe como imagem, como rótulo mental. Olhando mais de perto, o que vemos é a pele- mão, dedo-mão, osso-mão. O que é sua mão? Só quando todos estão juntos podemos dizer: é uma mão. Tomando-os à parte, nenhuma mão é encontrada.

JKIV2_300x230Na realidade absoluta uma mão não existe, mas, ao mesmo tempo, não é um erro chamá-la de mão, contanto que não nos apeguemos a isto como uma mão. Isto não é, em realidade, o que pensamos que seja. Estes dois fatos, existência e não-existência, não estão em conflito.

Na aparência existe como mão, e mais proximamente não é uma mão. A natureza verdadeira da mão é vazia, e por ser assim não há impedimento ao surgimento da mão. A realidade da aparência é uma realidade relativa. A realidade absoluta não é uma negação da verdade aparente. A verdade absoluta se dá na existência e na inexistência da realidade absoluta. Tudo é simplesmente uma projeção da mente. E quem pode determinar a não-existência e existência da mente? A mão não diz, “eu sou uma mão”, mas a mente sim. A confusão é quando alguém chega a dizer que sua mão não é uma mão.

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5 comentários »

  • Katia Regina disse:

    Bom dia!

    Vendo a situação em que endontro, um amigo me ensinou o daimoku e me disse que eu poderia recitá-lo, desde que seja com fé, em qualquer lugar. Gostaria de confirmar essa informação pois, li na internet que só se pode fazer o daimoku sentada e virada para uma parede ou então de posse do gorrozon (perdoe-me se não pronunciei certo).
    Estou iniciando uma nova etapa da minha vida e quero ir com calma. Quero sentir verdadeiramente se esse é o meu caminho, aí então, irei adquirir o que for necessário para a minha introdução na filosofia budista. Sem contar que o financeiro não me permiti a mínima despesa. Por isso quero saber se posso praticar o daimoku em qualqur lugar, tipo, andando pela rua?
    Embora sabendo que este espaço é reservado a comentários, agradeço pela atenção.

    Kátia

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    Sono concorde con il tuo articolo Paolo.Sarebbe ora di smetterla, perché questi oneri poi ricadono sul costo del supporto originale e questo non fa altro che incentivare la pirateria.Da che mondo e mondo nulla e sicuro o inviolabile al 100%.Per me, come ho scritto nel mio articolo sul mio blog, sarebbe meglio abbassare i prezzi dell’originale per disincentivare già enormemente la pirateria.

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