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Cultivando Emoções Construtivas

por 1/09/2012 4 comentários

Na tarde do dia 15 de setembro de 2011, Sua Santidade o Dalai Lama falou em São Paulo sobre emoções construtivas. Toda a palestra do Dalai Lama transcrita por Isabel Poncio.

Cultivando Emoções Construtivas

Esta manhã, numa palestra, tive a oportunidade de falar sobre o afeto, sobre a importância das qualidades que vêm do coração, da importância do calor que vem do coração e de como isso é um fator crucial para trazer felicidade para nossa vida, para criar a amizade. Todos os mamíferos – cachorros, gatos, elefantes e até mesmo os pássaros que vivem em comunidade – todos esses seres têm uma experiência de felicidade e esse sentimento não somente é agradável como é necessário para a sobrevivência da espécie. Esse é um fator que aparece naturalmente – faz parte da natureza – e também faz parte da natureza dos seres humanos enquanto animais sociais. Todos nós, desde o nosso nascimento, crescimento e especialmente na nossa primeira idade, estamos sujeitos ao afeto e ao cuidado das nossas mães, fomos nutridos pelo leite das nossas mães. Se esse corpo que nós carregamos hoje se desenvolveu numa atmosfera de afeto e as pessoas que, em tenra idade, receberam uma quantidade máxima de afeto de suas mães ou de seus familiares, são pessoas que trazem consigo, num nível bastante profundo, uma sensação de segurança e serenidade. Ao contrário, as pessoas que, nesta primeira fase, não tiveram o mérito de receber afeto de sua mãe ou de seus parentes ou se, ainda pior, foram vítimas de maus tratos, essas pessoas – não importa a aparência externa que elas possam manifestar – vão deixar transparecer a sua insegurança, o seu medo e a sua desconfiança. Elas terão muito mais dificuldade de tocar o outro, de se comunicar com o outro, de estabelecer verdadeiras relações de amizade; isso é muito mais fácil para uma pessoa que tenha recebido afeto na sua infância. E, se dentro de uma família existe uma pessoa infeliz, isso vai afetar o clima de toda a família; ao contrário, se existe uma pessoa muito alegre e calorosa, esse sentimento se espalha, há uma influência positiva para tornar essa família compassiva e afetuosa.

Todas as grandes tradições religiosas do mundo, como é o caso do Budismo e das religiões teístas – aquelas que propõem a idéia de um Deus – todas têm uma mensagem comum: mensagem de amor, compaixão, tolerância e perdão; todas essas tradições falam sobre esses valores humanos, todas as religiões enfatizam esses fatores cruciais, essenciais à raça humana.

Eu usei a expressão “valores humanos” e por que eu usei esse termo? Porque esses valores são úteis à nossa felicidade; são até mesmo necessários à nossa existência e eu uso a expressão “valores humanos” porque eles não vêm necessariamente associados a uma crença religiosa, tampouco eles são algo imposto, por exemplo, por um governo. Esses valores são relevantes à nossa vida, tanto para uma pessoa que tenha uma religião, uma fé, uma crença quanto para uma pessoa que não tenha uma crença. Mesmo uma pessoa agnóstica, que se oponha à religião, ela também precisa de afeto, igualmente ela cresceu nutrida pelo afeto.

Eu acredito que nos primórdios da humanidade – há muitos milênios atrás – os seres humanos viviam em comunidade e o que conseguiam obter, compartilhavam entre si; provavelmente havia um espírito de cooperação entre essas comunidades e também um sentimento de amizade. Com o decorrer dos séculos e com o aumento da população, a vida do homem foi se tornando mais sofisticada – apareceram novas habilidades, profissões foram desenvolvidas – e assim, foram criadas as classes entre os seres humanos e, no decorrer desse processo, a minha impressão é que se esqueceu que todos aqueles seres humanos formavam uma comunidade única, passou-se a ter um sentimento de “meu grupo” em oposição ao grupo do outro lado. Nos últimos três séculos, nós assistimos ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia; os seres humanos não só desenvolveram como começaram a se maravilhar com os progressos oferecidos pela tecnologia e pela ciência. A partir desse interesse, também se desenvolveu o sentimento de que as secções religiosas eram uma coisa antiquada, mas se nós olharmos para a tecnologia, para o dinheiro, veremos que essas coisas não têm sentimento, não trazem intrinsecamente uma noção de bem e de mal; a nossa noção de bem e mal está muito ligada à nossa experiência de prazer e de dor. As coisas que nos trazem prazer e felicidade, nós as chamamos de boas, positivas; ao contrário, as que nos trazem sofrimento, nós as chamamos de negativas: é assim que nós diferenciamos – estabelecemos critérios – para definir o que é positivo e o que é negativo; nós nos baseamos nos sentimentos que as coisas produzem. Mas se olharmos para a matéria, ela não traz intrinsecamente essa noção do certo ou do errado, do bom ou do mau; a matéria não tem a capacidade do pensamento e à medida que valorizamos muito as coisas materiais, nós vamos esquecendo e negligenciando os valores humanos.

Na segunda metade do século passado, algumas pessoas, embora tivessem muito sucesso, se tornassem muito ricas contando com todo o tipo de recurso à sua volta, ao seu dispor, ainda assim, essas pessoas traziam o sentimento de que alguma coisa parecia estar faltando; apesar de serem abastadas, poderosas e influentes, muitas ainda experimentavam infelicidade. Ficou então patente que os recursos materiais não conseguem nos proporcionar paz interior; esse é um fator a ser levado em conta.

Um segundo fator é que, com as pesquisas científicas, a ciência médica passou a se interessar mais sobre as emoções e sobre a mente humana; constatou-se que a influência das emoções e da mente sobre a recuperação da saúde, por exemplo, é de grande importância. Também se desenvolveu o conhecimento científico sobre o cérebro humano; mais pesquisas são feitas nesse campo e quanto mais profundas elas são, mais os cientistas esbarram num fator misterioso; porém, ainda que não exista uma compreensão absoluta do que seja a mente, ela continua sendo um grande desafio para a ciência. Os cientistas porém já reconhecem que há uma influência da mente ou dos pensamentos sobre o cérebro; reconhecem até mesmo que o cérebro fisicamente se modifica. Os cientistas, no passado, não se interessavam tanto pela mente – simplesmente achavam que a mente era uma reação – mas agora, cada vez mais, colocam perguntas sobre o que é a mente.

Esses dois tópicos: a percepção de que os valores materiais não são suficientes para nos trazer felicidade e o campo da ciência e das pesquisas que, apesar dos mistérios ainda ligados à mente, é um campo que se abriu para a pesquisa científica e o interesse da ciência. Ontem de manhã e à tarde, estivemos reunidos com neurocientistas que estudam o cérebro e, como parte de suas pesquisas, eles têm estudado o efeito que o treinamento da mente produz sobre a saúde humana. Foi descrito um experimento onde os cientistas medem a pressão arterial, medem o nível de stress de uma pessoa; posteriormente, essa pessoa passa por um treinamento da mente sobre a compaixão e, ao final desse treinamento, mede-se novamente a pressão arterial e verifica-se que ela baixou; é testado o nível de stress e os resultados científicos mostram a redução desse nível. Para uma pessoa com nível de stress mais baixo, fica mais fácil estabelecer relações sociais e essa pessoa passa a ser mais feliz; os cientistas então têm mostrado interesse em pesquisar essa questão dos valores internos.

Eu tenho um sentimento de que as pessoas em geral – as pessoas comuns, o público, em geral – experimentam uma frustração que existe no mundo moderno: mesmo aqueles países que são democráticos, onde o governo é eleito pelo povo, aqueles países que têm o Poder Judiciário independente, onde há liberdade de imprensa, ainda assim se vê muita injustiça e isso traz uma sensação de frustração. Com isso, mais e mais, vemos pessoas que tomam consciência de que falta cultivar valores éticos na nossa sociedade, falta a incorporação da moral e da ética; começa então, entre professores, cientistas e educadores, a aparecer esse sentimento da importância da ética e da moral na educação e a percepção de como isso não está presente no nível em que deveria estar.

Todas as grandes tradições religiosas do mundo vão cultivar esses valores internos – a moral e a ética – mas é fundamental, como premissa básica, que exista harmonia entre as diferentes tradições religiosas porque se isso não acontecer, se houver rixas e inveja entre as tradições religiosas, como pode o religioso ter a pretensão de querer ensinar, propagar algum tipo de valor ético? Certamente alguém iria apontar – “mas você próprio se envolve com brigas, com intolerância, você é o primeiro que deveria estar cultivando paciência e compaixão!”

É fundamental que haja um esforço, uma determinação, entre as diferentes tradições religiosas para se encontrar a harmonia e uma convivência pacífica entre elas; se a pessoa se diz religiosa, se ela é adepta dos preceitos de uma religião, é fundamental que ela se conduza de uma forma honesta e verdadeira porque, caso contrário, qual é a condição de uma pessoa que faz orações a Deus e quando se levanta e sai para a sua vida, se envolve, por exemplo, com corrupção? Isso não faz sentido nenhum.

Eu só vejo duas possibilidades: ou você é uma pessoa que não tem nenhum envolvimento religioso então, tudo bem se você se envolve com injustiça, com corrupção, com trapaças, mas se você se diz religioso, se você dá importância à ética, então você não pode se envolver com esse tipo de sujeira; só existe uma conduta ou outra, não existe um terceiro caminho e eu acho que as pessoas que são religiosas deveriam, em suas orações, pedir que os falsos religiosos sejam condenados.

Em países onde não há liberdade de expressão, onde não há um judiciário independente, onde apenas se valoriza o poder e o dinheiro, a ética fica relegada ao abandono, como acontece na China. Mesmo em países onde há total liberdade, governo eleito pelo povo – como na Índia e no Brasil – ainda assim existe a corrupção que passa até a ser uma forma de vida, passa a ser uma coisa aceitável por uma parte da sociedade.

Todas as grandes facções religiosas do mundo – apesar das grandes diferenças filosóficas que existem entre elas – todas veiculam a mesma mensagem: de amor, compaixão, perdão, auto disciplina, justiça e honestidade. Todas falam sobre esses valores e, mais importante, todas oferecem instrumentos para podermos cultivar esses valores com o objetivo de criar uma comunidade humana saudável e feliz. Dentro dessas tradições religiosas, encontramos dois grandes grupos: de um lado as religiões teístas e, de outro lado, as que são não-teístas. Na categoria das que são não-teístas há uma subdivisão: as religiões que acreditam na existência de um eu independente e aquelas que não acreditam na existência de um eu independente. O budismo se insere na categoria das religiões não-teístas e é uma religião que não postula a existência de um eu independente; antes, o budismo fala sobre a lei da causalidade. Essa ausência de crença em um eu independente é um conceito único do budismo. O budismo vai falar naquilo que se chama originação interdependente que em sânscrito é pratityasamutpada.

No budismo, encontramos duas tradições: a tradição páli e a tradição sânscrita. A tradição páli forma a base do budismo – ela por si só consegue se manter, ela é completa; a tradição sânscrita, ao contrário, depende da tradição páli. A tradição páli é o alicerce sobre o qual se assenta a tradição sânscrita. Mas a tradição budista que vem do sânscrito contém as explicações mais sofisticadas e mais profundas que o budismo tem a oferecer.

Ao falar desse conceito budista da interdependência que é a lei da causalidade, esse conceito diz que todos os fenômenos estão se transformando a cada segundo, eles todos ocorrem a partir de suas próprias causas e condições; então todo resultado depende inteiramente de suas causas e condições. Essa a primeira maneira de se entender a interdependência. Dentro da tradição sânscrita, nós encontramos duas escolas de pensamento: a escola Cittamatra e a escola Madhyamika. Os entendimentos da escola Madhyamika, a meu ver, são os mais profundos; na escola Madhyamika se diz que não apenas o resultado depende da causa, mas a causa também é totalmente dependente do resultado; para que uma causa possa ser causa ela vai depender do resultado; e também existe uma outra distinção que se faz em Madhyamika do conceito de interdependência que é a ligação entre a parte e o todo, entre o átomo e o todo. O fato da existência de uma pessoa ser totalmente definida a partir dos agregados físicos dela, não existe uma noção de pessoa que se assente no conjunto dos agregados, este é o postulado da falta de existência intrínseca do eu. Nós encontramos este postulado nas quatro escolas budistas: Vaibhashika, Sautrantika, Cittamatra e Madhyamika.

Além da ausência da existência intrínseca das pessoas, o budismo também fala que os fenômenos não têm existência intrínseca. Se nós olharmos os cinco agregados que formam a base para designarmos, por exemplo, uma pessoa – se nós formos examinar os agregados que a compõem – vamos ver que eles também, por sua vez, dependem de suas partes. Isso vale não só para os agregados físicos que existem no mundo grosseiro observado, mas também vale para as essências a partir das quais esses cinco agregados físicos provém. Essas essências também são desprovidas de existência intrínseca. Isso vale tanto para o nível mais grosseiro quanto para o nível mais sutil; se nós olharmos coisas mais etéreas como o espaço, veremos que elas são desprovidas de existência intrínseca, também são dependentes de seus componentes. Isso é válido não só para o mundo externo que é observado, mas se aplica também à própria mente que observa os fenômenos – ela também não tem existência intrínseca – e é assim que se descreve a falta de existência intrínseca dos fenômenos.

Dentro da tradição budista que vem do sânscrito, nós encontramos dois tipos de vacuidade quando falamos dos seres sencientes: existe a vacuidade do eu e existe a vacuidade da base do eu. As diferentes escolas budistas, como Cittamatra e Madhyamika, têm conceitos, têm postulados diferentes sobre a vacuidade: Sunyata.

Qual o sentido de desenvolvermos todas essas complicações filosóficas? Porque a causa última do sofrimento é a ignorância e quando falamos de ignorância, falamos de dois tipos: aquilo que pode ser chamado de mera ignorância, por exemplo, não saber o que é ABC: uma criança, até que chega o dia em que ela vai a escola e onde alguém lhe ensina o alfabeto, ela não conhece o ABC, então essa ignorância é uma falta de conhecimento. O segundo tipo de ignorância é uma percepção ou uma apreensão errônea da realidade: alguém olhar a letra A e achar que é B, olhar B e achar que é o C.

A remoção completa da ignorância só acontece quando se chega ao estado búdico. No budismo se diz que a apreensão errônea da realidade é a causa última do sofrimento e, sendo assim, qual seria o antídoto que poderia se contrapor a essa causa? Não é a oração, também não é a mera meditação, tampouco bodicita – ela não pode ter essa função – nem a compaixão infinita pode debelar essa concepção errônea da realidade. A única coisa que pode desempenhar esse papel é a sabedoria; através da sabedoria você pode ir se familiarizando mais e mais com a realidade até por fim chegar a entendê-la e quando você, de fato, entende plenamente a realidade em sua instância última, isso debela a ignorância e, por conseguinte, o sofrimento.

De modo geral, nós temos uma apreensão incorreta da realidade: se eu olho para vocês e vocês olham para mim, vocês podem estar me vendo como um ser absoluto, independente de vocês; eu sou o Dalai Lama e você é você. Mas essa é uma compreensão incorreta: não existe nada que seja independente de forma absoluta; todas as coisas são interdependentes e, a partir dessa concepção errônea da realidade, surge a base do apego, a base de todas as emoções negativas. Quanto às emoções positivas, elas podem ser cultivadas a partir de um treinamento; então, se você pratica o amor e a bondade, isso reduz as emoções negativas como a inveja ou a raiva.

Em termos últimos, o que vai debelar as emoções negativas é a sabedoria, é você se familiarizar com o que, de fato, é a realidade em sua instância última; então, você poderá entender que as coisas aparecem aos nossos olhos como absolutas e independentes, mas isso é apenas uma miragem. Quando, de fato, você tem essa compreensão, essa é a base a partir da qual as emoções destrutivas podem ser dissipadas.

Na tradição sânscrita do budismo se diz que o Buda girou a roda do darma três vezes: no primeiro giro, ele falou sobre a base do budismo: as quatro nobres verdades. No segundo giro da roda do darma, o Buda deu explicações adicionais sobre a terceira nobre verdade que é a verdade da cessação, a possibilidade da cessação, baseada no conceito das duas verdades: a verdade convencional e a verdade última. No terceiro giro da roda do darma, o Buda ofereceu ensinamentos mais elaborados sobre a quarta nobre verdade: que é a possibilidade da eliminação de todas as emoções destrutivas e isso é possível porque no nível mais sutil da natureza da mente, ela é clara como a luz. A natureza da água é ser limpa e pura, mas muitas vezes quando ela se mistura com o barro ou outra substância, ela fica turva, porém por mais suja que ela possa estar, a sua natureza essencial é límpida. Isso vale para a nossa mente: por mais turva que a nossa mente possa estar pelas nossas emoções destrutivas, a realidade última da nossa mente é que ela é límpida e por isso essa separação se torna possível. As emoções destrutivas nos divorciam da realidade. A sabedoria pode dar a compreensão da realidade última e esse é o antídoto. Por mais potentes que possam ser as emoções destrutivas, por mais sobrecarregada de negatividades que possa estar uma mente, essas negatividades podem ser absolutamente limpas, pois elas não são a natureza última.

Embora tibetano, tenho uma conexão direta com a tradição da Universidade de Nalanda. Isso porque, no Tibete, o ensino foi introduzido por um grande mestre chamado Shantarakshita, um grande erudito que dava ensinamentos na Universidade de Nalanda. Ele chegou ao Tibete no século VIII a convite do Imperador; como ele era monge, ele introduziu a tradição monástica no Tibete, mas ele era também um grande filósofo, um grande erudito, então ele introduziu também ensinamentos de Madhyamika, de lógica, de epistemologia; deu ensinamentos tão profundos e completos que até os dias de hoje esses textos são estudados. Também veio ao Tibete um grande mestre tântrico, Padmasambava. Podemos então dizer que o budismo tibetano é completo: ele inclui a tradição dos sutras que vem do páli, toda a versão que vem do sânscrito e toda a versão tântrica. É importante enfatizar essa raiz do budismo, proveniente da Universidade de Nalanda; na tradição tibetana, encontramos basicamente 300 volumes de textos, sendo que 100 textos contém as palavras do próprio Buda e os demais são comentários sobre as palavras do Buda. É muito importante que esses textos sejam estudados – eles não devem ser tomados apenas como objetos de veneração para se colocar sobre o altar e para se dirigir as orações – para que eles possam ser de fato eficazes, precisam ser usados, estudados.

Ao longo da implantação do budismo no Tibete, em diferentes regiões, diferentes ensinamentos foram criados e diferentes nomes foram dados às escolas que cultivavam esses ensinamentos. Foi assim que apareceu a seita dos chapéus vermelhos e dos chapéus amarelos – fico com vontade de criar uma nova seita, a dos chapéus verdes! – mas isso não é importante; o importante é que todos têm uma raiz comum, essa nobre tradição da Universidade de Nalanda. Às vezes, por causa dessas diferentes seitas, também se desenvolveu o sectarismo no Tibete – as pessoas se apegavam à sua própria seita. Mas também no Tibete se desenvolveu um movimento muito importante de não-sectarismo e um grande mestre dessa tradição é Jamyang Khyentse Wangpo. Eu cultivo, estudo e prezo as tradições não-sectárias do budismo tibetano; originalmente os Dalai Lamas pertenciam à seita dos chapéus vermelhos mas, ao longo da história, muitos Dalai Lamas – inclusive o atual Dalai Lama – receberam ensinamentos das diferentes escolas do budismo tibetano: dos Sakyas, dos Nyngmas, dos Kagyus. Isso ajuda muito; não faz muito sentido ficar apegado apenas à sua tradição, isso vai limitar o seu conhecimento, ao passo que se você se coloca aberto para receber os ensinamentos das diferentes tradições, isso vai fortalecê-lo.

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4 comentários »

  • Transcrição da palestra do SS Dalai Lama na sua última visita ao Brasil (15/09/2011) Cultivando as Emoções Construtivas | Tertöns disse:

    […] Texto tirado do site: http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/ […]

  • Lucas disse:

    Quando ele fala “…eu acho que as pessoas que são religiosas deveriam, em suas orações, pedir que os falsos religiosos sejam condenados…” eu acho que é uma condenação pedagógica. Sem danos físicos nem psicológicos. Ou seja, uma amorosa condenação/experiência que só poderá trazer liberdade e a verdade aos ‘falsos religiosos’. E que ninguém pense que ele falou isso por estar com raiva. Talvez bravo, mas não raivoso.
    Vindo do próprio Dalai Lama, vejo a condenação apenas nesse sentido bondadoso.
    Acho que mesmo se o próprio disser que estou errado, darei risada com a certeza de que ele está brincando.. :)

  • José disse:

    O que foi dito é o que foi dito!

  • Ana Campello disse:

    O amor nos apresenta a Deus, consiste na vivência de nossa essência, na percepção da interconexão entre tudo e todos; trata-se da ausência de distanciamento, do colocar-se para o outro, do dispor-se a ver além de si e enxergar-se também como o outro.

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