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Dalai Lama: “Precisamos ser budistas do século 21″

por 17/10/2012 7 comentários

Dharamshala: O líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, 77 anos, encorajou seus seguidores a serem budistas do século 21, e disse que prefere construir centros de aprendizagem do que monastérios e templos. O laureado com o Prêmio Nobel da Paz ressaltou que a prática budista consiste em usar nossa inteligência ao máximo e transformar nossas emoções. Disse também que o Budismo está crescendo na medida em que mais e mais cientistas estão focando no manejo das emoções pela mente.

“O espírito tibetano vem do Budismo, uma tradição de mais de 2500 anos, pela qual o interesse está crescendo. O comunismo chinês baseia-se em idéias que surgiram há apenas 200 anos e cuja influência está em declínio”, disse o Dalai Lama, interagindo com um grupo de cerca de 102 vietnamitas em sua sede no exílio em McLeodganj, na quarta-feira.

O Dalai Lama disse que o budismo não se refere a uma alma, mas reconhece a existência de um eu que é designado com base na continuidade da mente.

Mais e mais cientistas estão mostrando interesse pela mente, no manejo das emoções. Por meio dessa conexão, o interesse pelo que o budismo tem a dizer está crescendo. O Budismo descreve os diferentes níveis da mente, a consciência sensorial que depende do cérebro, mas também um nível mais sutil de consciência mental “, explicou.

O líder espiritual acrescentou que a investigação científica deste fenômeno já começou.

“Precisamos ser budistas do século 21. A prática budista consiste em usar nossa inteligência ao máximo para transformar as nossas emoções. Para isso, o conhecimento é muito importante. Os estudiosos ocidentais muitas vezes sugerem que o budismo não é propriamente uma religião, mas sim uma ciência da mente. A noção de vacuidade de existência intrínseca também é importante. Ao investigar a realidade, não conseguimos encontrar algo independente e intrinsecamente existente. A ignorância, nossa compreensão equívocada sobre a realidade, é a base de nossas emoções destrutivas. O contra-ponto é a razão, tomando uma abordagem científica para corrigir a nossa visão “, disse o Dalai Lama.

Quando questionado sobre as tensões atuais entre Vietnã e China com relação às ilhas Paracel e Spratly, o Dalai Lama respondeu que a raiva não iria ajudar, a raiva não afetaria a mente chinesa. Seria muito melhor tentar influenciá-los de forma amigável “o que não quer dizer que isso não possa ser feito com uma postura de resistência”. Ele reconheceu que, em 1979, quando a China procurou dar uma lição ao Vietnã, foi confrontada por um resistente e aguerrido exército vietnamita.

“Eu não sou especialmente a favor da construção de monastérios ou templos; ao invés disso, prefiro ver um centro acadêmico de aprendizagem, e algum local que pudesse ser um centro para o estudo da filosofia budista, taoísmo e ética secular. Recentemente disse às pessoas em Ladakh que deveriam procurar fazer de seus monastérios centros de aprendizagem “, disse ele.

Matéria do jornal Times of India do dia 28 de setembro de 2012.

Tradução: Jeanne Pilli.

Leia a matéria no jornal Times of India.

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7 comentários »

  • Precisamos ser budistas do século 21 – Dalai Lama | Sobre Budismo disse:

    […] do post Dalai Lama: “Precisamos ser budistas do século 21″ no blog […]

  • Fábio disse:

    Não sou Budista, não tenho “religião”, apesar de que considero o budismo como uma prática de vida, mas fico impressionado com a lucidez deste homem!!O mais sábio da atualidade!!

  • Brenda disse:

    Creio que o surgimento de novas formas de abordagens em relação à prática budista não deva implicar, necessariamente, em uma opção entre a tradição e outras abordagens. A tradição faz com que os ensinamentos transcendam o tempo, relevando a mente em seu aspecto de absoluta espacialidade e abertura. Nunca vou esquecer a sensação que experimentei durante uma prática no kadro ling, indescritível em termos de lung. E só observei, não sabia fazer nada daquilo. E já escutei de muitos outros praticantes relatos de uma experiência semelhante. Os grupos de estudo funcionam de outro modo, ao meu ver, bem mais limitado. Tempos de degenerescência…

  • Marttini Souza disse:

    Sou ateu. Confesso ter me apaixonado pelas práticas budistas e muito mais por estar colocando tudo em prática e ver que dá certo. A pessoas já começaram a sentir diferença em minhas atitudes. É um sentimento muito bom. Em uma conversar com um amigo também ateu fiz uma comparação meio ‘intrigante’, eu disse que “O budismo na prática é como se fosse o ateísmo sem essa revolta tão grande”. Sou simpatizante do budismo e de suas práticas, isso me faz muito bem e me ajuda a melhorar. Todos precisamos de um pouco desse sentimento.

  • Paulo Ferreira disse:

    Grupo no facebook com muitos links interessantes, comentários e unindo as pessoas em torno das práticas da espiritualidade moderna para o despertar da consciência:

    https://www.facebook.com/groups/omensageiro/

  • Josias Martins disse:

    Mãos em prece _/|_
    Como seria o Mestre Buddha hoje?
    Onde ele iria ensinar e conduzir seus seguidores?
    Qual o tipo de vestimenta ele usaria ou indicaria para um monge hoje?
    O Budismo é viver aqui o eterno presente e devemos sempre nos atualizar, sem perder o foco, e concordar com SS o Dalai Lama BUDISTA DO SÉCULO 21.
    No Dharma Josias Sensei domo arigato.

  • Robinson Santana disse:

    Sempre me considerei ateu, aliás, ainda me considero, ao entrar em contato com o budismo, vou descobrindo uma norma de conduta, uma filosofia de vida, enfim uma série de pensamentos que tem me ajudado a me sentir melhor neste mundo,mesmo quando me degladio com meus “demônios” que são eu mesmo, ou uma parte de mim (raiva, ignorância e ganancia)tenho me sentido bem em me identificar com este caminho.

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