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Declaração budista sobre as alterações climáticas

por 15/01/2014 14 comentários

Redigido por David Loy (mestre zen) e pelo venerável Bhikkhu Bodhi (mestre da tradição Theravada), com a contribuição científica do Dr. John Stanley. Esta declaração tem como seu primeiro subscritor Sua Santidade o Dalai Lama. Clique aqui e assine! 

Chegou o momento de agir

Vivemos hoje numa época de grave crise, confrontados com os desafios mais sérios que a humanidade alguma vez experimentou: consequências ecológicas do nosso karma colectivo. A constatação unânime dos cientistas é esmagadora: as atividades humanas estão em vias de provocar um desastre ecológico à escala planetária. O aquecimento global, em particular, está a acelerar-se a um ritmo mais rápido do que se previa, sendo hoje patente no Pólo Norte. Durante centenas de milhares de anos, o Oceano Ártico esteve coberto por uma camada de gelo tão vasta como a Austrália que se encontra atualmente em rápido desaparecimento. Em 2007, o Grupo Intergovernamental de Especialistas em Evolução Climática (GIEC) previu que, por volta de 2100, o derretimento estival dos gelos seria total, mas é hoje evidente que corremos o risco de isso vir a suceder dentro de uma ou duas décadas. A vasta extensão de gelo da Gronelândia está também a derreter mais rapidamente do que se previra. O nível do mar vai aumentar pelo menos um metro ao longo deste século, o que provocará a inundação de inúmeras zonas costeiras, assim como de importantes áreas cultivadas de rizicultura de vital importância como o Delta do Mekong, no Vietnã. Por todo o mundo, os glaciares diminuem velozmente. Se as políticas econômicas atuais não mudarem, os glaciares do planalto tibetano, que alimentam os grandes rios que fornecem água a milhões de pessoas na Ásia, desaparecerão nos próximos trinta anos.

A Austrália e o Norte da China sofrem neste momento graves períodos de seca e uma diminuição das colheitas. Importantes relatórios, como o do GIEC, das Nações Unidas, da União Europeia e da União Internacional para a Conservação da Natureza, concordam em afirmar que, sem uma mudança de orientação colectiva, a diminuição das reservas de água e dos recursos alimentares, poderá provocar, entre outras consequências, situações de fome, conflitos motivados pela disputa dos recursos, assim como migrações maciças até meados do século – porventura, mesmo, até 2030, segundo o primeiro conselheiro científico do governo britânico.O aquecimento global desempenha um papel essencial em outras crises ecológicas, como o desaparecimento de numerosas espécies vegetais e animais que partilham a Terra connosco. Os oceanógrafos assinalam que metade das emissões de carbono devidas à utilização de combustíveis fósseis já terá sido absorvida pelos oceanos, o que aumentou a sua taxa de atividade em cerca de 30%. Esta acidificação perturba a calcificação das conchas e dos recifes de coral, ameaçando o desenvolvimento do plâncton, base da cadeia alimentar da maioria das espécies que povoam os oceanos.Os relatórios das Nações Unidas concordam com as tomadas de posição de eminentes biólogos que afirmam que a continuação da atual política de cegueira voluntária levará à extinção de cerca de metade das espécies terrestres atualmente existentes. Estamos a transgredir, colectivamente, o primeiro dos preceitos: “Não prejudicar os seres vivos”, e estamos a fazê-lo na maior escala possível. Somos incapazes de antecipar o impacto biológico sobre a vida humana que será provocado pelo desaparecimento desta infinidade de espécies que, imperceptivelmente, também contribuem para o nosso próprio bem-estar.

Muitos cientistas chegaram já à conclusão de que está hoje em causa a sobrevivência da própria civilização humana. Atingimos um momento crucial da nossa evolução biológica e social. Nunca na história a necessidade do contributo do budismo para o bem de todos os seres se impôs com tamanha urgência. Por intermédio das quatro nobres verdades dispomos de um quadro que permite traçar um diagnóstico sobre a nossa situação atual e, assim, definir as grandes linhas de uma solução: as ameaças e catástrofes que nos assombram provêm em última instância do espírito humano, pelo que exigem uma fundamental mutação do nosso espírito. Se o sofrimento individual nasce da sede e da ignorância (dos três venenos: a avidez, o ódio e a ilusão), o mesmo sucede quanto ao sofrimento que experimentamos à escala colectiva. A urgência ecológica atual confronta-nos com o eterno sofrimento humano, de uma forma desmedida. Nós sofremos como indivíduos mas também como espécie, de um “eu” que se vê como separado não só dos outros mas também da própria Terra. Como diz Thich Nhat Hanh: “Nós estamos aqui para despertar da ilusão da nossa separação”. Devemos acordar e compreender que a Terra é tanto nossa mãe como nossa casa. Desde logo, o cordão umbilical que a ela nos liga não pode ser cortado. Se a terra adoece, nós também adoecemos porque somos parte integrante dela. As nossas atuais relações econômicas e tecnológicas com a biosfera não são viáveis. A fim de sobreviver às duras transformações que se avizinham, os nossos modos de vida e as nossas expectativas devem mudar. Isto supõe não só novos comportamentos, mas também novos valores. O ensinamento budista segundo o qual a saúde global das pessoas e da sociedade depende do bem-estar interior, e não apenas de indicadores econômicos, permite-nos definir as transformações pessoais e sociais que devemos empreender.

No plano individual, devemos adotar comportamentos que manifestem a nossa consciência ecológica no quotidiano, reduzindo assim a nossa pegada de carbono. Para aqueles que vivem em economias desenvolvidas, isto implica modernizar e isolar as casas e os lugares de trabalho para obter um melhor rendimento energético; reduzir o aquecimento no Inverno e o ar condicionado no Verão; utilizar lâmpadas e electrodomésticos de baixo consumo; desligar os aparelhos eléctricos que não estão em uso; conduzir viaturas que consumam o menos possível; diminuir o consumo de carne, favorecendo uma alimentação vegetariana, mais saudável e mais respeitadora do ambiente.

Estas iniciativas individuais, todavia, por si sós, não são suficientes para evitar futuras catástrofes. Devemos igualmente empreender transformações institucionais, no plano tecnológico e no plano econômico. Logo que possível, devemos “descarbonizar” as nossas produções energéticas, substituindo as energias fosseis por fontes de energia renováveis que são ilimitadas, inofensivas e que estão em harmonia com a natureza. Devemos particularmente parar com a construção de novas centrais a carvão, uma vez que esta é, de longe, a fonte mais poluente e mais perigosa de emissões de carbono na atmosfera. Inteligentemente exploradas, as energias eólica, solar, das marés e geotérmica poderiam fornecer toda a eletricidade de que necessitamos sem prejudicar a biosfera. Cerca de um quarto das emissões de carbono mundiais são devidas à desflorestação, pelo que deveremos inverter o processo de destruição das florestas, em particular a faixa das florestas tropicais onde vive a maior parte das espécies animais e vegetais.

Torna-se hoje evidente que é igualmente necessário proceder a alterações significativas na organização do nosso sistema econômico. O aquecimento global encontra-se estreitamente ligado às monstruosas quantidades de energia que as nossas indústrias devoram a fim de dar resposta aos níveis de consumo que correspondem às expectativas de tantos de entre nós. De um ponto de vista budista, uma economia sã e duradoura deve reger-se pelo princípio da suficiência: a chave da felicidade encontra-se na satisfação e não numa multiplicação crescente de bens e produtos. O comportamento compulsivo que leva a um consumo crescente é expressão de sede, aquela disposição que o Buda identificou como sendo a principal causa do sofrimento.

No lugar de uma economia submetida à lei do lucro que requer um crescimento ilimitado para não falhar, devíamos fazer evoluir o mundo em direção a uma economia que promovesse um nível de vida satisfatório para todos, permitindo-nos assim desenvolver as nossas plenas potencialidades (incluindo as espirituais) em harmonia com a biosfera, que sustenta e nutre todos os seres, onde se incluem também as gerações futuras. Se os dirigentes políticos não são capazes de reconhecer a urgência desta crise mundial ou se ele não estão dispostos a considerar o bem estar a longo prazo da humanidade acima dos benefícios de curto prazo das companhias que exploram os combustíveis fosseis, talvez seja necessário que os contestemos mediante o desencadear de campanhas persistentes de ação cívica.

Diversos climatologistas, como o Dr. James Hansen, da NASA, definiram recentemente objetivos precisos a fim de evitar que o aquecimento global atinja um limiar crítico catastrófico. Para que a civilização humana seja viável, a taxa aceitável de dióxido de carbono na atmosfera deve ser inferior a 350 ppm (partes por milhão). O cumprimento deste objectivo é recomendado e apoiado pelo Dalai Lama, assim como por outras personalidades agraciadas com o Prêmio Nobel e por prestigiados cientistas. Na situação atual encontramo-nos nos 387 ppm, nível que aumenta ao valor de 2 ppm por ano.  É assim necessário não só reduzir as emissões de carbono mas também eliminar a excessiva quantidade de dióxido de carbono já presente na atmosfera.

Enquanto signatários desta declaração de princípios budista, nós reconhecemos o desafio urgente que o aquecimento global coloca. Juntamo-nos ao Dalai Lama para apoiar o objectivo dos 350 ppm. De acordo com os ensinamentos budistas, e conscientes da nossa responsabilidade individual e colectiva, comprometemo-nos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para atingir esse objetivo, nomeadamente (mas não só) através das ações individuais e sociais aqui sucintamente indicadas.

Dispomos apenas de um curto espaço de tempo para agir, para preservar a humanidade de uma catástrofe iminente e para assegurar a sobrevivência das diversas e belas formas de vida terrestres. As futuras gerações e as outras espécies que partilham a nossa biosfera, não têm voz para nos pedir que demonstremos a nossa compaixão, sabedoria e poder de cisão. Devemos escutar o seu silêncio. E devemos também ser a sua voz e agir em seu nome.

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14 comentários »

  • patricia disse:

    achei muito interessante…..

  • Koho Mello disse:

    Pronunciamento oportuno e necessário. Grato por partilhar, Miguel. Na condição de monge e educador para a sustentabilidade, recebo como um chamamento e autorização a uma ação mais efetiva, como praticante budista. Vamos juntos. Gassho, mãos em reverência.

  • Miguel Berredo disse:

    Caro Monge Koho, somos todos responsáveis, a cada segundo, a cada piscar de olhos. Se mais pessoas meditarem, mais consciência do todo teremos, menos danos ao meio ambiente a à humanidade e mais amor e compaixão permeará as relações interpessoais e com a natureza. Se não tomarmos consciência que a agressão ao meio ambiente é uma agressão a nós mesmos, teremos pouca chance e o legado que deixaremos para as gerações futuras será mais sofrimento. A visão de curto prazo está colocando em risco várias espécies e a própria humanidade. O consumismo desenfreado e as políticas de crescimento econômico estão nos aniquilando. Pensar num novo modelo é dever de todos, e já é tarde.

  • Gustavo Rocha Dias disse:

    Para salvarmos a humanidade é necessário compreender o seguinte:

    Toda inteligência com objetivos estreitos irá destruir o planeta. Um hipotético computador inteligente programado para acumular clipes de papel eventualmente transformará todo o universo em clipes de papel.

    Pode parecer absurdo, mas hoje o nosso principal objetivo é acumular dinheiro, que é criado do nada pelos bancos e pelo governo, e cuja única garantia de valor é que futuramente o governo usará a violência para recompensar aqueles que lhe emprestaram dinheiro. (Se tiverem alguma dúvida estudem como operam as reservas fracionadas e o mecanismo de financiamento dos Tesouros Nacionais).

    O crescimento constante do PIB precisa ser forçado num governo como esse, já que só assim ele será capaz de financiar sua dívida.

    Para resolver os problemas de um jogo é necessário observar as regras nas quais esse jogo opera. A prisão em que estamos é tão complexa que não vemos as grades.

  • Mônica disse:

    O salvacionismo planetário é o maior engodo científico de todos os tempos:

    “A esquerda sente a necessidade de sempre explicar tudo em termos de culpados e vítimas, mas, como cada explicação desse tipo logo se revela insustentável, é preciso buscar sempre novas vítimas para que as ondas de indignação se sucedam sem parar, alimentando a liderança revolucionária que sem isso não sobreviveria uma semana. A primeira vítima oficial foram os proletários, depois os índios, os negros, as mulheres, os jovens, os gays e agora, finalmente, a maior vítima de todas: o planeta. Em nome da salvação do planeta, supostamente ameaçado de extinção pelo capitalismo, é lícito matar, roubar, seqüestrar, incendiar, ludibriar, mentir sem parar e, sobretudo, gastar dinheiro extorquido dos malvados capitalistas por meio do Estado redentor.

    Em todos esses casos, é historicamente comprovado que a situação das alegadas vítimas, sob o capitalismo, jamais parou de melhorar, na mesma medida em que piorava substancialmente nos países socialistas, mas a mentalidade esquerdista tem a tendência compulsiva de sentir-se tanto mais indignada com os outros quanto mais suas próprias culpas aumentam. É o velho preceito leninista: Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.

    A par da sua obra propriamente filosófica, de valor inestimável para os estudiosos, Scruton tem dito essas coisas, de uma verdade patente, há muitas décadas e com uma linguagem ao mesmo tempo elegante e ferina que desencoraja o mais inflamado dos contendores.

    Espero que a entrevista da Veja desperte a atenção dos leitores para os livros desse autor imprescindível.

    A respeito do item 6, convém acrescentar aqui uma informação de que talvez o próprio Scruton não disponha, mas que vem mostrar o quanto ele tem razão. Nos anos 50, grupos globalistas bilionários – os metacapitalistas, como os chamo, aqueles sujeitos que ganharam tanto dinheiro com o capitalismo que agora já não querem mais se submeter às oscilações do mercado e por isso se tornam aliados naturais do estatismo esquerdista – tomaram a iniciativa de contratar algumas dezenas de intelectuais de primeira ordem para que escolhessem a vítima das vítimas, alguém em cuja defesa, em caso de ameaça, a sociedade inteira correria com uma solicitude de mãe, lançando automaticamente sobre todas as objeções possíveis a suspeita de traição à espécie humana. Depois de conjeturar várias hipóteses, os estudiosos chegaram à conclusão de que ninguém se recusaria a lutar em favor da Terra, da Mãe-Natureza. Foi a partir de então que os subsídios começaram a jorrar para os bolsos de ecologistas que se dispusessem a colaborar na construção do mito do planeta ameaçado pela liberdade de mercado. As conclusões daquele estudo foram publicadas sob o título de Report from Iron Mountain – a prova viva de que o salvacionismo planetário é o maior engodo científico de todos os tempos. O escrito foi publicado anonimamente, mas o economista John Kenneth Galbraith, do qual não há razões para duvidar nesse ponto, confirmou a autenticidade do documento ao confessar que ele próprio fizera parte daquele grupo de estudos e ajudara a redigir as conclusões.”
    http://www.seminariodefilosofia.org/forum/15

  • Josefina Neves Mello disse:

    Obrigada por postar! Um privilégio ter acesso às sábias palavras dos mestres! Gassho!

  • Vasco Balthazar disse:

    Os mestres são sábios, para o que estão prevendo, estamos caminhando a passos largos.
    Como tão bem foi descrito, temos que mudar radicalmente nossos hábitos, mas confesso que será muito difícil, só isso não basta, depende de uma política mundial.
    Sabemos que algo tem que ser feito, então mãos a obra, vamos divulgar o texto, mudar o nosso corportamento, escolher melhor os nossos dirigente e cobrar uma postura correta.
    Tudo o que foi feito até o momento de pouco adiantou, a prova maior é que a destruição não só não parou, como cresceu de forma descontrolada.

  • Luiz disse:

    Entre esta declaração Budista e o comentário da Monica, escolho o caminho do meio.

    Prezado autor David Loy, sua análise sobre a situação planetária parte da suposição de um Karma coletivo e de que todas as melhorias tem sido destinadas para abastecer a dita sanha insana do consumo.
    Pois bem, a tecnologia é esta mesma que divulga conhecimentos e discussões como os aqui colocado.
    Não se pode defender tudo o que se faz, contudo não se pode concordar com tudo o que se tem dito, seja nos jornais, seja na ciência tão impura de seus próprios fundamentos. Os resultados positivos também estão aí e precisam ser considerados na balança do equilíbrio.

    Prezada Monica, sim os “esquerdistas” tem usado teorias mil para ressuscitar sua ideologia fracassada que só trouxe mais dor onde perdurou, porém isto não pode ser usado de desculpa para tantas ações completamente egoístas e irresponsáveis com resultados obviamente terríveis, aliás os próprios comunistas foram responsáveis pelo maior deles: Tchernobyl. Muitos outros erros e crimes foram, são e ainda serão cometidos de todos os lados contra o equilíbrio e a saúde da natureza (nós incluídos).

    Sim é hora de agir.

  • Targino Silva disse:

    Esse processo é irreversível, acredito que o mundo já passou por isso antes, de outra forma e passara com nosso auxilio. É como um pendulo, sobe e desce, assim é a órbita dos planetas, assim será a sua vida. A única coisa a fazer é sofrer menos possível.

  • Milton Sato disse:

    Já passamos dos 400 ppm, veja detalhes abaixo:

    A notícia correu o mundo nesta semana: a concentração de dióxido de carbono na atmosfera ultrapassou em março a marca simbólica de 400 partes por milhão, segundo anunciou a Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA). É a primeira vez que isso acontece desde que a agência começou a medir esse gás em 40 pontos diferentes do planeta, na década de 1980.

    Da última vez que houve tanto CO2 na atmosfera, provavelmente 3,5 milhões de anos atrás, não existiam seres humanos, nem gelo no polo Norte. A temperatura média global era de cerca de 3oC mais alta do que no período pré-industrial. O nível do mar era 4 a 5 metros mais alto do que hoje.

    O anúncio foi tratado pela imprensa internacional como um “alerta vermelho” no ano da conferência do clima de Paris, que deveria (mas tem gente que acha que não vai) apontar o início da solução do problema do aquecimento global. Embora o recorde seja em si importante, o problema real é a tendência que ele indica.

    – See more at: http://blog.observatoriodoclima.eco.br/?p=2376#sthash.EmIQ8wmj.dpuf

    ps.: Lembrando ensinamento do Lama Samten: Entre esquerda e direita, dentro ou fora, nem existe e nem não existe fico sempre com uma de suas máximas “SAMSARA NÃO TEM JEITO E É IMPLACÁVEL”.

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