Dzogchen, o estado primordial

por 22/11/2011 1 comentário

Por Ótavio Lilla

A palavra tibetana Dzogchen, abreviação para Dzogpa Chenpo ou “Grande Perfeição”, não é o nome de uma escola ou seita, indica o conhecimento de nosso verdadeiro estado. É o conhecimento direto de que nossa verdadeira natureza é “Dzogchen”, completa, pura, perfeita desde o princípio, além de qualquer limitação ou condicionamento. Este estado primordial não precisa ser construído ou alcançado através de práticas espirituais ou no final de um caminho, mas descoberto em nossa experiência mais imediata. Para descobrir e integrar este conhecimento é que existem os inúmeros tantras, lungs e upadeshas das três séries dos ensinamentos Dzogchen, ensinados em nossa era desde a época de Garab Dorje, em Oddiyana e depois no Tibete.

A essência dos ensinamentos Dzogchen foi resumida por Garab Dorje em três afirmações ou conselhos: descubra diretamente sua verdadeira natureza; descubra este estado além de qualquer dúvida; continue para sempre neste estado e nele integre toda sua existência. Existe uma grande variedade de métodos relacionados com estes princípios, mas todos estão conectados à transmissão direta de um mestre que tenha o conhecimento autêntico do Dzogchen.

Qualquer pessoa que tenha um interesse sincero pode receber a transmissão direta de um mestre Dzogchen autêntico e descobrir sua verdadeira natureza, iniciando sua prática. Na transmissão direta, o mestre introduz o discípulo à natureza da mente. O discípulo descobre diretamente este estado -inseparável do estado iluminado do mestre – e busca continuar neste reconhecimento como sua prática principal. De fato, todas as práticas podem ser integradas no conhecimento do Dzogchen, e também todos os momentos do dia e da noite.

A prática do Dzogchen não privilegia a quietude, e sim a integração do reconhecimento de nossa verdadeira natureza em qualquer circunstância. Mas para integrar, é necessário primeiro descobrir precisamente este estado de “presença instantânea” ou rigpa. Integrar significa reconhecer. Esta integração total é o objetivo final do praticante Dzogchen, culminando na realização do famoso corpo de arco-íris.

O Dzogchen é um veículo completo para a realização total. Nele, o ponto de partida, a prática e a realização são todos “Dzogchen”, o estado primordial, completamente iluminado desde o princípio. Esta infinita potencialidade está além de qualquer dualidade entre sujeito e objeto, além de tempo, espaço ou qualquer conceito, tão ilimitada que pode manifestar até a aparência de todas estas limitações, assim como a paz perfeita do nirvana.

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A revista Bodisatva foi criada na primavera de 1990 e parou de ser publicada em 1998. Em 2007, voltou a ser editada devido a uma nova fase do Budismo no Brasil, na qual se torna prioritário responder aos desafios culturais e sociais contemporâneos. O conteúdo continua oferecendo um olhar budista para todas as áreas da vida, da economia à ecologia, das artes à psicologia, dos relacionamentos amorosos aos corporativos. | Leia outros posts de


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Um comentário »

  • Khyentse Yeshe Silvano Namkhai – O cortante mestre Dzogchen do Ocidente | Bodisatva: um olhar budista disse:

    […]  Continue lendo Dzogchen, o estado primordial, por Otávio Lila. Compartilhe por email, Twitter, Facebook ou Google Buzz: Carmen Navas Zamora é aluna do lama Padma Samten desde 2003, pesquisa Comunicação, Memória Social e Cibercultura e colabora com as publicações do Cebb em diferentes mídias. É uma das editoras da revista Bodisatva. | Leia outros posts de revista […]

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