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Dzongsar Khyentse – Mensagem de Ano Novo

por 16/01/2013 Comente!

Esta mensagem foi publicada na página oficial de Dzongsar Jamyang Khyentse no Facebook, no dia 28 de dezembro de 2012.

Agora, já sabemos que ainda estamos vivos depois do fim do mundo em 21 dezembro de 2012, o ano novo está logo adiante( a mensagem foi publicada dia 28 /12). Então, gostaria de oferecer uma sugestão para suas “decisões de ano novo”. Por quê não parar de desperdiçar pensamentos, tempo e energia? Pelo menos tentar não desperdiçar no nível material, como poupar energia apagando as luzes. Ou, não desperdiçar alimento. Os americanos, sobretudo gastam tanta comida, que é ao mesmo tempo louco e imoral. Se formos comparar, o caso da Monica Lewinsky nem chega perto de tamanha imoralidade. Os americanos desperdiçam comida, roupa, gasolina, não é só 100% imoral, acarreta consequências globais imediatas para o conjunto da população do mundo e do meio ambiente.

“Não desperdiçar” é a chave para a fortuna e para o sucesso. Os chineses começaram a aprender com os americanos a arte do consumo flagrante, pensando ser marca de muita riqueza e abundância. Mas, quando alguém faz cocô nas calças, não é bem o que devemos invejar.  Aqui, preciso me lembrar, e você também, que recorro à America como um exemplo mas, o hábito do desperdício desmesurado hoje em dia é um fenômeno global, não mais limitado à América e aos americanos.

Ouvi dizer que a rainha da Inglaterra aproveita o verso dos envelopes usados para fazer suas listas e tomar notas, um hábito que adquiriu durante a II Guerra Mundial e que ela continua a praticar até hoje. Assim deveríamos todos fazer. Olhe a sua volta, quanta coisa você tem no seu quarto? O que você precisa disso tudo e o que é desperdício? Claro, não estou sugerindo rigorosas práticas ascéticas, estou apenas mostrando uma forma inteligente de possibilitar uma vida mais fluente para cada um de nós. Não será com desperdício que vamos melhor usufruir dos bens que nos cabem.

Creio que persegue-me a imagem de minha mãe quando era pequeno e não queria acabar a comida que estava no prato. Ela dizia que se não comesse até ao última garfada, Dzambhala, o deus da riqueza ficaria irritado e me castigaria pelo desperdício de comida fazendo-me um dia morrer à míngua. Estes conselhos de antigamente, hoje em dia ultrapassados, estão carregados de sabedoria.

Todos os dias você deixa as luzes acesas sem necessidade. Você precisa mesmo deixar correndo a água do chuveiro enquanto lava o cabelo?

No momento o mundo se vê diante da agonia de lidar com o alto preço da gasolina, e as consequências disso, por exemplo, elevam o preço das passagens de avião e ônibus e encarecem os produtos essenciais, sobretudo a comida cujo preço subiu muito. Mas a água é mais preciosa ainda que a gasolina e se o que acontece agora com a gasolina acontece com a água nosso sofrimento se elevaria para além da agonia. Portanto, a raiz do problema está nas coisas simples e que podemos mudar, mas não mudamos.

Também desperdiçamos quando somos vitimados por produtos desenvolvidos para serem desperdiçados e substituídos seguidamente. O único objetivo que move o marketing de tais produtos é ganhar uma obscenidade de dinheiro, assim, as empresas que vendem estes badulaques nos conduzem a hábitos de desperdício para continuar vendendo mais e mais badulaques.

De qualquer forma, isto tudo é apenas meu blábláblá de Ano Novo.

 

Leia a versão original em inglês.

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