Palestra de Kazuaki Tanahashi Sensei no Teatro da Hebraica. Foto: Zé Paiva – Vista Imagens

“Sinto que estou entre amigos”

Depois de uma intensa semana de eventos, Kazuaki Tanahashi despede-se do Sul. Brasília e Recife preparam-se para recebê-lo.

A passagem de Kazuaki Tanahashi pelo sul do Brasil foi marcada por poesia e surpresa. Quando estava prestes a embarcar em seu voo para São Paulo, foi impedido por autoridades costa-riquenhas por falta de visto (Kaz estava neste País fazendo pesquisa sobre seu próximo livro, cujo tema é desarmamento). Graças a uma rápida mobilização do Lama Samten, da sanga e muitos amigos o visto foi rapidamente providenciado e Kaz chegou em Porto Alegre à meia noite do domingo, com pouco mais de um dia de atraso.

Na manhã do dia seguinte, tendo dormido apenas três horas, ele já estava na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, preparando a exposição de suas obras, cuja abertura aconteceria logo mais à noite. Mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, Kaz Sensei, com seus “85 anos de juventude”, como ele falou durante a exposição, estava radiante, elogiando a galeria, agradecendo a todos e contando para a platéia a intercorrência com o visto como uma boa oportunidade de fazer novos amigos:

“O Brasil é um país de gente calorosa. Todos me ajudaram e estou muito feliz por estar aqui. Sinto que estou entre amigos”.

 

Na terça-feira, em sua palestra do Teatro da Hebraica em Porto Alegre, Kaz nos falou da profunda simbologia do enso, a tradicional pintura japonesa do círculo, que ele relaciona com o ensinamento do mestre Dogen chamado de “Círculo do Caminho”.

 

Na quarta-feira, diante de uma sala lotada no CEBB Porto Alegre, ele lançou seu livro Sutra do Coração, publicado pela Lúcida Letra, e nos ofereceu uma perspectiva história sobre esse texto sagrado que é o fundamento dos ensinamentos que o Lama Samten nos oferece e, de certa forma, o coração do próprio CEBB.

 

Quinta-feira foi o dia das oficinas de caligrafia, que aconteceram dentro do Templo do Caminho do Meio. Na sexta-feira, manhã cedinho, Kaz já estava no Vila Zen, comunidade de monges e leigos alunos da Monja Coen Roshi, conversando com a sanga e visitando uma área nova recém-adquirida, onde, assim como no Caminho do Meio, paira uma figueira antiga.

 

No retiro de fim de semana, o Sensei leu e comentou trechos e poemas de sua tradução do “Tesouro do Verdadeiro Olho do Darma”, do mestre Dogen. A suavidade com que o Sensei se move, seus gestos precisos e tão relaxados, e as pausas que faz entre uma leitura e outra, entre um comentário e outro, criavam a atmosfera perfeita para nossa mente poder absorver os paradoxos e as poéticas investigações sobre a realidade que o mestre Dogen oferece.

Em seu último dia de atividades no Sul, no domingo ao fim de tarde, a Bodisatva realizou uma gravação do encontro entre Kaz Sensei, o Lama Samten e pioneiros do Zen em Porto Alegre – José Fonseca, Celso Marques, Monge Dengako e Monja Ishin. Lama Jigme Lhawang e o monge Joaquim Monteiro também estiveram presentes nesta conversa que abordou a militância de Kaz contra as armas nucleares e seu trabalho de tradução. O tema do desenvolvimento de um budismo brasileiro foi abordado e o Sensei confessou sua surpresa com a rápida expansão da sanga, tanto em seu contato com o CEBB Caminho do Meio como com o Via Zen. Em dado momento, Kaz perguntou: “Qual é o seu segredo?”.

Durante o retiro Kaz Sensei já havia feito um outro comentário importante sobre o budismo brasileiro:

Eu moro há 41 anos nos Estados Unidos. Viajo à Europa pelo menos duas vezes por ano. Eu nunca havia visto acontecer, como aconteceu aqui, a recitação do Sutra do Coração em tibetano, depois em japonês e depois na língua local. Fiquei muito comovido com isso. E essa integração das sangas de duas tradições me faz pensar que o budismo no Brasil está mais avançado do que em outros lugares do mundo”.

Foto: Geovana Colzani

Ao deixar o Instituto Zen Maitreya, onde aconteceu a gravação, Kaz estava prestes a começar a deixar o espaço, quando virou-se de volta para nós, visivelmente feliz. Com as mãos em prece ele falou de forma pausada, com uma poesia que parece não pertencer às palavras: “Esta é minha última noite no Sul do Brasil. Foi uma bela noite. Muito obrigado”.


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Para saber mais


Agradecimentos

Nosso agradecimento especial à Fábio Rodrigues, que gentilmente se colocou como ponte entre nós e seu mestre, à toda a mandala de colaboradores do CEBB que atuaram lindamente em toda a organização do evento e à Zé Paiva pelas lindas imagens.


2 Comentários

  1. Maria Célia De Santi disse:

    Maravilhosa esta edição repleta de imagens e palavras tão necessárias nestes tempos de degenerescência. Já reservei meu número na pré venda, mas não obtive Confirmação. Por favor, confirmem.
    Abraços

  2. Gustavo Gitti disse:

    Maravilhosa essa cobertura!!!

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