Foto: Miguel Bruna

Levante-se contra o sofrimento

Uma chamada à ação por professores budistas


Por
Revisão: Bruna Crespo e Caroline Souza
Edição: Bruna Crespo e Caroline Souza
Tradução: Marcelo Nicolodi e Thais Camomila

Neste artigo, originalmente publicado na seção Budismo e Política da revista eletrônica Lion’s Roar (sob o título “Stand Against Suffering: A Call to Action by Buddhist Teachers”), consideramos os paralelos da situação nos Estados Unidos com o momento atual no Brasil. Ele traz uma perspectiva lúcida de grandes professores e professoras do Darma sobre a importância do engajamento político e social para praticantes budistas, tema que nos últimos tempos tem sido bastante refletido.


Por Bhikkhu Bodhi, Myokei Caine-Barrett, Norman Fischer, Joan Halifax, Mushim Patricia Ikeda, Jack Kornfield, Ethan Nichtern, Roshi Pat Enkyo O’hara, Lama Rod Owens, Greg Snyder, Gina Sharpe, Rev. angel Kyodo williams e Jan Willis.

Treze proeminentes professores(as) explicam por que os budistas precisam estar politicamente engajados neste momento crucial da história do país, nesta declaração publicada na revista eletrônica “Lion’s Roar” e assinada por mais de 140 líderes budistas.

“Enquanto uma sociedade proteger os vulneráveis entre eles, poderá esperar prosperidade e não declinar.”
– Buda, no Mahaparinirvana Sutta.

O Budismo não se alinha com nenhum partido ou ideologia. Mas quando um grande sofrimento está em jogo, os budistas devem se posicionar contra ele, com bondade amorosa, sabedoria, mente tranquila e coragem.

Comprometidos com a compaixão, seguimos o exemplo da Bodisatva Kwan Yin, “aquela que ouve os lamentos do mundo”. Assim como ela, ouvimos os gritos das pessoas que sofrem e fazemos tudo o que está em nosso alcance para ajudá-las e protegê-las.

Neste tempo de crise nós ouvimos os lamentos de milhões que sofrerão com as políticas retrógradas da nova administração dos EUA, as quais atingem nossas comunidades mais vulneráveis. Nós ouvimos os lamentos de uma nação cuja democracia e tecido social estão em risco. Nós nos unimos em solidariedade com muitos outros que também estão ouvindo esses lamentos, sabendo que juntos podemos ser uma força notável para a transformação e a liberação.

Líderes religiosos e praticantes sempre desempenharam um papel vital em movimentos por justiça e progresso social, contribuindo com sua sabedoria, amor, coragem e comprometimento com os outros. Pessoas de todas as “fés” são necessárias nas linhas de frente agora, resistindo a políticas que causarão danos e oferecendo uma visão nova e positiva para o nosso país.

Acreditamos que praticantes budistas deveriam estar entre eles, juntando os braços com todas as pessoas de boa vontade para proteger os vulneráveis, para combater a violência sistêmica e a opressão, e trabalhar por uma sociedade mais justa e cuidadosa. O Budismo é respeitado em todo o mundo como uma religião de compaixão e paz. Somos necessários e desejados neste movimento, temos muito a contribuir.

O Budismo nos EUA reúne pessoas de muitas diferentes origens, interesses e visões. Alguns budistas enfatizam a prática da meditação, enquanto outros se concentram no estudo, na comunidade ou na fé. Alguns são politicamente liberais e outros conservadores. Alguns preferem manter sua prática budista separada das questões políticas e sociais, enquanto outros estão profundamente engajados.

“Encarando a realidade desse sofrimento, nos lembramos de que tranquilidade não significa passividade, e desapego não significa não engajamento.”

Porém, uma coisa nos une: nosso compromisso para diminuir o sofrimento de todos os seres. O Darma não é uma desculpa para nos afastar do sofrimento do mundo, nem é um sedativo para nos levar confortavelmente através de momentos dolorosos. É um ensinamento poderoso que nos liberta e fortalece para trabalhar diligentemente para a liberação dos seres em sofrimento.

O que está acontecendo agora atinge diretamente o coração disso, nosso comprometimento central como budistas. Transcende nossas diferenças e nos chama à ação. Se as políticas da nova administração prevalecerem, milhões de pessoas em comunidades vulneráveis e menos privilegiadas sofrerão. As esperanças serão frustradas. Sem dúvida, vidas serão perdidas. O conflito internacional se intensificará e a destruição ambiental aumentará.

Encarando a realidade desse sofrimento, nos lembramos de que tranquilidade não significa passividade, e desapego não significa não engajamento.

Hoje, nos perguntamos: o que significa ser Kwan Yin no mundo moderno? O que significa ser um cidadão-bodisatva, alguém que esteja disposto a se engajar com a sociedade para ajudar a proteger e despertar os outros? Examinando nossos valores mais profundos como budistas, discernimos através da sabedoria os meios mais hábeis para viver e sustentá-los.

O ensinamento da sabedoria da interdependência é o guia do cidadão-bodisatva para a rede de causas e condições que criam o sofrimento. Enquanto o Budismo tem tradicionalmente enfatizado as causas pessoais do sofrimento, hoje nós também discernimos como os três venenos de cobiça, agressão e indiferença operam através de sistemas políticos, econômicos e sociais para causar sofrimento em grande escala.

Enquanto continuamos a trabalhar com o ego e os três venenos em nossa prática pessoal, o vislumbre da interdependência nos chama para abordar as causas sociais do sofrimento também. Na medida em que resistimos à elevada ameaça de muitas políticas do novo governo, também reconhecemos que comunidades sub-representadas e oprimidas nos EUA há muito tempo vêm sofrendo devido à ganância sistêmica, agressão, aversão e indiferença.

“Enquanto alguns argumentam que o princípio da não-dualidade sugere que budistas não deveriam se engajar ou tomar partido em questões políticas ou sociais, acreditamos que o oposto é verdadeiro.”

A sabedoria da interdependência aprofunda e inspira nossa compaixão. Compreendendo que nenhum de nós está separado, sabemos que o sofrimento dos outros é o nosso sofrimento. Enquanto alguns argumentam que o princípio da não-dualidade sugere que budistas não deveriam se engajar ou tomar partido em questões políticas ou sociais, acreditamos que o oposto é verdadeiro. É pela razão de que nós e os outros não estamos separados que devemos agir.

Seja qual for nossa perspectiva política, agora é o momento de se levantar por aquilo que importa. Levantar-se contra o ódio. Levantar-se pelo respeito. Levantar-se pela proteção dos vulneráveis. Cuidar da Terra.

Podemos ver claramente o trabalho à nossa frente. É o trabalho do amor e da sabedoria em face do racismo, da violência baseada em gênero e orientação sexual, xenofobia, injustiça econômica, guerra e degradação ambiental. Temos que trabalhar juntos para mudar a maré para aquilo que beneficiará nossos filhos, o mundo natural e o futuro.

Como budistas, sabemos que a verdadeira mudança começa em nós mesmos. Devemos explorar e expor nossos próprios privilégios e áreas de ignorância, e encarar racismo, misoginia, preconceito de classe e muito mais em nossas comunidades. Podemos dar um exemplo para a sociedade mais ampla, criando sangas seguras, respeitosas e inclusivas.

Nossas comunidades budistas podem se tornar centros de proteção e visão. Isso pode assumir muitas formas. Pode significar oferecer refúgio para aqueles em perigo ou habilmente confrontar aqueles cujas ações prejudicariam os mais vulneráveis entre nós. Pode ser também se posicionar pelo ambiente ou se tornar um aliado ativo para aqueles que são alvos de ódio e preconceito.

É verdade que nossos números são pequenos, mas podemos nos juntar a outros que compartilham nossas convicções e valores. Para aqueles que são novos nisso, por favor, lembrem-se de que há muitas pessoas que dedicaram suas vidas ao trabalho da mudança social. Elas possuem as habilidades práticas de organizar e construir movimentos sustentáveis de forma compassiva. Encontrem-nas, envolvam-se e aprendam com elas.

“Mais do que nunca, temos que ser bodisatvas compassivos, valentes e engajados.”

Enquanto compartilhamos o compromisso comum de aliviar o sofrimento de todos os seres, isso não significa que todos os budistas devam ou possam responder da mesma maneira. Alguns marcharão e se engajarão em ação direta. Outros apoiarão o bem-estar da comunidade por meio de clínicas, jardins, reforma da justiça criminal ou empoderamento da juventude. Alguns trabalharão nas próximas eleições, alguns meditarão mais e outros tentarão ser mais bondosos e mais educados em suas interações no dia a dia. Algumas manifestações de Kwan Yin têm mil braços, porque há muitas formas de servir aos outros.

Por enquanto, nos preparamos para enfrentar tempos desafiadores e estressantes. Para prevalecer precisamos estar firmes em nossos ideais atemporais de sabedoria, amor, compaixão e justiça. Devemos manter nossa fé de que, embora a ignorância e o ódio possam às vezes ser dominantes, através de uma ação combinada e pacientemente buscada, podemos criar uma sociedade baseada em justiça, amor e unidade humana.

Mais do que nunca, temos que ser bodisatvas compassivos, valentes e engajados. Como Kwan Yin, ouvimos os lamentos de um mundo em sofrimento e, com sabedoria e amor, respondemos.

Ven. Bhikkhu Bodhi, Buddhist Global Relief
Myokei Caine-Barrett, Shonin, Nichiren Order of North America
Zoketsu Norman Fischer, Everyday Zen Foundation
Roshi Joan Halifax, Upaya Zen Center
Mushim Patricia Ikeda, East Bay Meditation Center
Jack Kornfield, Spirit Rock Meditation Center
Ethan Nichtern, Senior Teacher in Residence, New York Shambhala community, 2010-2018
Roshi Pat Enkyo O’Hara, Village Zendo
Lama Rod Owens, Natural Dharma Fellowship
Gina Sharpe, New York Insight Meditation Center
Rev. Kosen Gregory Snyder, Brooklyn Zen Center
& Union Theological Seminary
Rev. angel Kyodo williams, newDharma Collective
Jan Willis, Agnes Scott College

Signatários adicionais

Bhikkhu Analayo, Barre Center for Buddhist Studies
Tenshin Zenki, Reb Anderson, San Francisco Zen Center
Geoffrey Shugen Arnold, Zen Center of NYC & Zen Mountain Monastery
Eiko Joshin Carolyn Atkinson, Everyday Dharma Zen Center
John Bailes, One Heart Zen
Kristin Barker, One Earth Sangha
Rev. Josh Jiun Bartok, Greater Boston Zen Center, Boundless Way Zen
Stephen Batchelor, Bodhi College
Eido Frances Carney, Olympia Zen Center
Jan Chozen Bays, Zen Community of Oregon
Hogen Bays, Zen Community of Oregon
Jenn Biehn, East Bay Meditation Center
Melissa Myozen Blacker, Roshi, Boundless Way Zen
Harrison Blum, Director of Religious and Spiritual Life, Emerson College
Layla Smith Bockhorst, San Francisco Zen Center
Sylvia Boorstein
Tara Brach
Edward Espe Brown, Peaceful Sea Sangha
Karl Brunnholzl
Joshin Brian Byrnes, Sensei, Upaya Zen Center
Sensei Robert Chodo Campbell, New York Zen Center for Contemplative Care
Konin Cardenas, Ekan Zen Study Center
Gyokuko Carlson, Abbot of Dharma Rain Zen Center,  Portland, OR
Shokuchi Deirdre Carrigan, San Francisco Zen Center, Marin Interfaith Council
Kenshin Catherine Cascade, Bird Haven Zendo
Viveka Chen, Triratna Buddhist Order
Rupesh Chhagan, Appamada
Bhikshuni Thubten Chodron, Sravasti Abbey
Jundo Cohen, Treeleaf Sangha
Eijun Linda Cutts, San Francisco Zen Center
Lama Surya Das, Dzogchen Center
Osho Fugan Dineen, Hyannis Zendo
Frank Seisho Diaz (Hoshi), Resident Teacher at Open Mind Zen Bloomington
Rev. Maia Duerr, Upaya Zen Center
Sensei Koshin Paley Ellison, New York Zen Center for Contemplative Care
Linda Galijan, San Francisco Zen Center
Roshi Bernie Glassman, Founder of Zen Peacemakers
Zenshin Greg Fain, Tassajara Zen Mountain Center
Acharya Gaylon Ferguson, Shambhala
Anushka Fernandopulle
Rev. Chris Fortin, Everyday Zen, Dharma Heart Zen
Rev. Bruce Fortin, Occidental Laguna Sangha
Leora Fridman, Buddhist Peace Fellowship
Rev. James Ishmael Ford, Blue Cliff Zen Sangha & Boundless Way Zen
Gil Fronsdal, Insight Meditation Center
Setsuan Gaelyn Godwin, Abbot, Houston Zen Center
Natalie Goldberg, Upaya Zen Center
Joseph Goldstein, Insight Meditation Society
Myocho Tova Green, San Francisco Zen Center
Guo Gu, Tallahassee Chan Center
Robert Kaku Gunn, Village Zendo
Rev. Myo-O Marilyn Habermas-Scher, Hokyoji Zen Practice Community
Brother Phap Hai, Plum Village International
Paul Haller, San Francisco Zen Center
Dawn Haney, Buddhist Peace Fellowship
Peter Harris, Treetop Zen Community Oakland Maine
Sensei Jules Shuzen Harris, Soji Zen Center
Rev. Jerry Hirano, Buddhist Churches of America
Rev. Joan Hogetsu Hoeberichts, Abbot, Heart Circle Sangha
Funie Hsu, Buddhist Peace Fellowship
Myoko Sara Hunsaker, Soto Priest and Teacher, Monterey Bay Zen Center
Kate Johnson
Art Jolly, East Bay Meditation Center
Pema Khandro Rinpoche, Buddhist Yogis Sangha
Rev. Sumi Loundon Kim, Buddhist Chaplain, Duke University & Buddhist Families of Durham
Ruth King, Mindful Members Insight Community of Charlotte
Bodhin Kjolhede
Rev. Ronald Kobata, Buddhist Church of San Francisco
Josh Korda, DharmaPunx NYC
Busshō M. Lahn, Minnesota Zen Meditation Center
Rev. Mark Lancaster, Generous Heart Mountain Sangha
Jack Lawlor, Lakeside Buddha Sangha
Rev. Taigen Dan Leighton, Ancient Dragon Zen Gate
Yo-on Jeremy Levie, San Francisco Zen Center
Noah Levine, Against the Stream Buddhist Meditation Society
Peter Levitt, Salt Spring Zen Circle, British Columbia
Rebecca Li, Dharma Drum Chan Community
Narayan Liebenson, Cambridge Insight Meditation Center
Judy Lief
Kaira Jewel Lingo, Dharmacharya, Order of Interbeing
Acharya Adam Lobel, Shambhala
Katie Loncke, Buddhist Peace Fellowship
David Loy, Rocky Mountain Ecodharma Retreat Center
Arlene Lueck, San Francisco Zen Center
Barry Magid, Ordinary Mind Zendo
Vimalasara (Valerie) Mason-John, Triratna Vancouver Buddhist Center
Acharya Fleet Maull
Myoshin Kate McCandless, Mountain Rain Zen Community
Heiku Jaime McLeod, Treetop Zen Community Oakland Maine
Karen Maezen Miller, Hazy Moon Zen Center
Lama Willa Miller, Natural Dharma Fellowship
Mary Mocine, Abbess, Vallejo Zen Center
Kimi Mojica, East Bay Meditation Center
Roshi Wendy Egyoku Nakao
Shinmon Michael Newton, resident teacher of Mountain Rain Zen Community, Vancouver BC
Zesho Susan O’Connell, San Francisco Zen Center
Barbara Joshin O’Hara, Sensei, Village Zendo
Sarwang Parikh, East Bay Meditation Center
Lila Parrish, Appamada
Deirdre Eisho Peterson, Village Zendo & Red Rocks Zendo
Mitchell Ratner, Still Water Mindfulness Practice Center
Zuiko Redding, Resident Teacher, Cedar Rapids Zen Center
Lodro Rinzler
Betsy Rose, Spirit Rock Meditation Center
Larry Rosenberg, Cambridge Insight Meditation Center
Donald Rothberg, Member, Teachers Council and Guiding Teachers Council, Spirit Rock Meditation Center, Teacher, East Bay Meditation Center
Tenku Ruff
Sensei Steve Aishi Sarian
Ed Sattizahn, San Francisco Zen Center
Grace Schireson, Central Valley Zen
Sebene Selassie
Hozan Alan Senauke
Rev. Keiryu Liên Shutt, Guiding Teacher of Awake-in-Life Sangha
Koshin Flint Sparks, Appamada
Anka Rick Spencer, Puerto Compasivo
Shodo Spring, Sansuiji and Mountains and Waters Alliance
Reverend Myogen Kathryn Stark, Sonoma Valley Zen Group
Peter van der Sterre, 7th Street Zendo, Boise ID
Michael Stone
Kōan Peg Syverson, Appamada
John Tarrant, Pacific Zen Institute
Sensei Myoko Terestman, Village Zendo
Ryushin Andrea Thach, Whatcom and Red Cedar Zen
Thanissara, Sacred Mountain Sangha
Sensei Shinryu Thomson, Village Zendo & Centro Zen Phajjsi Qollut Jalsu
Robert Thurman
Rev. Allan Jo An Tibbett, Provincetown Zen Center
Lama Tsomo, Namchak Foundation
Karma Lekshe Tsomo
Mark Unno
Laura del Valle, Mar de Jade Center at Chacala, Nayarit
LiZhen Wang, Buddhist Peace Fellowship
Steve Weintraub, Green Gulch Farm Zen Center, San Francisco Zen Center
Arinna Weisman
Andrew JiYu Weiss, Abbot, Open Path Sangha
Sojun Mel Weitsman, Berkeley Zen Center
Kate Lila Wheeler, Kilung Foundation & Spirit Rock Meditation Center
Jim Willems, East Bay Meditation Center
Laurie Winnette, Appamada
Doshin Nathan Woods, Sweetwater Zen Center
Larry Yang, Spirit Rock Meditation Center & East Bay Meditation Center
Pamela Ayo Yetunde
Kanzan David Zimmerman, San Francisco Zen Center


Agradecimentos à revista Lion’s Roar que prontamente atendeu nosso pedido e deu permissão à Bodisatva para tradução e publicação em nosso site deste texto originalmente publicado em 21 de agosto de 2017 no link: lionsroar.com/stand-against-suffering/


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1 Comentário

  1. Fiuza disse:

    Ainda bem que em nosso país ,estamos abrindo nossos olhos contra a cobiça,ambição e indiferença colocada nos última década e nos unindo contra o mal que enganou e engana os mais fracos e oprimidos.

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