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Mensagem do Dalai Lama para o Saga Dawa

por 13/06/2014 5 comentários

Mensagem de Sua Santidade o Dalai Lama para o Saga Dawa, período em que no budismo tibetano,  celebra-se o nascimento, iluminação e parinirvana de Buda Shakyamuni. Neste ano de 2014 acontece no dia 13 de junho, lua cheia.

“Buda Shakyamuni nasceu como um príncipe do clã Shakya, na Índia. Ele atingiu a iluminação com a idade de trinta e seis anos e entrou em mahaparinirvana (morte) com a idade de oitenta e um. Esses três grandes eventos ocorreram no mesmo período do ano, mais de 2500 anos atrás, na qual celebramos a época de Wesak.

Como você sabe, o estado de Buda é um estado livre de todos os obstáculos ao conhecimento e emoções perturbadoras. É o estado em que a mente está totalmente desenvolvida. A descrição do Buda, baseada em sua experiência pessoal, é que todos os seres passam pela experiência do sofrimento mesmo que eles não desejem. Ao mesmo tempo, todos os seres têm também o potencial inato para alcançar a alegria da libertação. Esta constatação serviu de base para todos os seus ensinamentos. Por causa  dos seus ensinamentos, que são reflexões profundas e sua habilidade com os métodos, o Buda é supremo conhecido como um guia.

Embora o nosso mundo tenha mudado substancialmente desde o tempo de Buda, a essência de seus ensinamentos continua tão relevante hoje como era há 2500 anos. Muitas escolas diferentes do budismo evoluíram em diferentes terras. Todos possuem métodos para alcançar a libertação da ignorância e do sofrimento.

O conselho do Buda, simplesmente, era o de evitarmos prejudicar os outros e, se possível, ajudá-los. Podemos começar a fazer isso, reconhecendo que todos são iguais a nós na medida em que querem a felicidade e têm aversão sofrimento. Buscar alegria e liberdade do sofrimento é o direito natural de todos os seres. Mas a felicidade pessoal depende muito de como nos relacionamos com os outros. Ao desenvolver a desenvolver um senso de respeito pelos outros e preocupação com seu bem-estar, podemos reduzir o nosso próprio auto-centramento, que é a fonte de todos os nossos problemas, e ampliar os nossos sentimentos de bondade, que são fonte natural de alegria.

As realizações de nossa era moderna são grandes. Nós colocamos muito esforço para o desenvolvimento material e tecnológico. Tal progresso é importante, mas por si só não podem trazer satisfação duradoura. Obcecado pela a força econômica e política, perdemos de vista o efeito de nossas ações têm sobre os outros. Nosso foco limitado auto-centrado resultam em sofrimento generalizado e na destruição do meio ambiente. Precisamos reavaliar nossa motivação e nosso comportamento à luz de um maior sentido de responsabilidade universal.

Do ponto de vista budista todas as coisas têm origem na mente. Ações e eventos dependem fortemente da motivação. Um verdadeiro sentido de valorização da humanidade, compaixão e amor, são os pontos-chave. Se desenvolvermos um bom coração, então no campo da ciência, agricultura ou política, uma vez que a motivação é muito importante, o resultado será mais benéfico. Com motivação adequada essas atividades podem ajudar a humanidade; sem isso podem trabalhar contra. É por isso que o pensamento compassivo é tão importante para a humanidade. Embora seja difícil para trazer a mudança interior que dá origem a ele, vale a pena tentar.

Ofereço minhas saudações a todos os nossos irmãos e irmãs, participantes nas celebrações do Wesak budista  e rezo para que cada um de nós, colocando ensinamentos de Buda em prática em nossas vidas diárias, possamos contribuir para a criação de uma vida mais feliz e mais pacífica no mundo.”

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5 comentários »

  • Mandira disse:

    Agradeço pelo artigo, Muito bom!

  • Maria Theresa Da Costa Barros disse:

    Uma passagem importante da vida do Buddha.

  • Vera Maria Barbosa disse:

    “O conselho do Buda, simplesmente, era o de evitarmos prejudicar os outros e, se possível, ajudá-los. ” Pergunto: e quando tentamos ajudar alguém e a pessoa se recusa a ser ajudada? Exemplo concreto: minha mãe vive reclamando do apartamento onde mora, gostaria de morar numa casa, mas não tem condições. Eu posso e quero alugar uma casa para ela, mas ela não aceita. Acabo me irritando e falando para ela não reclamar mais. Sei que eu deveria ter mais paciência, mas me sinto muito mal com a situação. Saudações

  • Marcio Adriano Seno disse:

    Oi Vera,

    Segundo conselhos de um grande mestre, Devemos ajudar os outros ‘se eles quiserem’.
    Esta restrição está implicida no conselho. Pelo que sei, o próprio Buda nunca disse algo como ‘sigam-me’. Parece que o Budismo náo é necessariamente expansionista.

    Marcio Adriano Seno.
    marcioseno@hotmail.com

  • Marilene Duarte disse:

    Marcio concordo com voce ! Eu sempre estava disponivel para filhas e netos e acaba dando “muitos palpites” e atrapalhando a vida deles que trabalham tipo 10hs por dia!
    Eu sabia que tinha que calar mas estava dificil. Bom resolvi viajar para India e Nepal
    Por 06 meses. E a experiencia me curouuuuuuuuuuu. ESTOU CALADA! E FELIZ!

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