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Moriyama Roshi visita o CEBB Caminho do Meio

Por Miguel Berredo 21 novembro 2009 2 comentários

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Moriyama Roshi, mestre zen, esteve no CEBB Caminho do Meio na manhã do dia 18 de novembro. Falou sobre o budismo no Brasil, sobre o início da sua trajetória no nosso país e sobre a recente visita de Sua Santidade o Dalai Lama ao Japão.

O  mestre japonês comentou sobre a participação do Lama Padma Samten nos primórdios do zen no Rio Grande do Sul e sobre a contribuição do Lama no budismo brasileiro como um todo.

Em seguida alguns trechos da fala de Moriyama Roshi e do Lama Padma Samten.

Moriyama Roshi:

” A origem do Via Zen (centro zen de Porte Alegre) foi o Lama Padma Samten. Na minha primeira vez em Porto Alegre saí do aeroporto para a casa do Lama. Quando o Lama optou pelo budismo tibetano ele propôs que o grupo decidisse se continuava no zen ou se seguia o budismo tibetano. Se fosse eu, não teria dividido o grupo, teria levado todos para onde eu fosse. Acho que essa atitude do Lama foi fruto de uma mente aberta e um coração compassivo. O Lama Padma Samten é uma figura muito importante no budismo no Brasil, não só no budismo tibetano.

Mês passado o Dalai Lama visitou o meu país e o centro de convenções que cabe 50.000 pessoas estava lotado. O governo chinês não queria que Japão recebesse o Dalai Lama. Os chineses pressionaram dizendo que se o Japão recebesse o Dalai Lama eles interromperiam o comércio entre as duas nações. O primeiro ministro japonês decidiu receber o Dalai Lama. Desde o final da segunda guerra o Japão adotou o estilo de vida americano e muito da tradição budista e dos samurais foi perdida e esquecida pela população. Agora se percebe que os valores materiais não são mais importantes do que os valores passados pelas tradições antigas do Japão.

Agora vocês estão estudando o budismo tibetano com o Lama Padma Samten. A combinação desses ensinamentos com a cultura brasileira acabará por criar um budismo brasileiro.”

Lama Padma Samten:

“Quando o CEBB optou pelo budismo tibetano foi muito aflitivo na ocasião. E o senhor ter migrado para Porto Alegre vindo de São Paulo para acolher a sanga que decidiu continuar com o zen foi um movimento do céu e eu sou muito grato por isso.

Tenho visto que no Brasil os praticantes recorrem às diversas tradições para receberem ensinamentos e estudar o budismo. Vejo todas as sangas como uma sanga só. A sanga é o Buda. Independentemente dos diferentes nomes acho melhor privilegiar as práticas de cada um nos diferentes grupos. Se a gente tentar “prender” os praticantes, eles acabam “fugindo”, eles não são fiéis.

No budismo brasileiro todos aprendem um pouco de cada coisa. Em Salvador e Recife, professores de medicina trazem técnicas diversas que não são aprendidas na faculdade. O argumento deles é que quando os pacientes chegam a eles já ouviram outros profissionais da chamada medicina alternativa. Os pacientes não são fiéis e como no budismo, procuram diferentes abordagens.”

Moriyama Roshi estará no CEBB Caminho do Meio no encerramento do Retiro da Iluminação do Buda, dia 8 de dezembro, às 10h, para uma palestra. No mesmo dia, às 20h, Moriyama comentará o documentário sobre a vida de  Dogen, mestre que levou o zen da China para o Japão.

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Miguel é devoto do Buda e dos mestres do Darma. Natural do Rio do Janeiro, criado em Petrópolis, atualmente pode ser encontrado no CEBB Caminho do Meio. | Leia outros posts de Miguel Berredo


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2 comentários »

  • Vera Cristina disse:

    Prezados Senhores:

    Por gentileza, gostaria, se possivel de saber o que significa na integra a frase NAMI ORRERY GAI KYO!
    Grata

  • Claudio Roberto disse:

    Lama Samten,
    Fico muito feliz com sua colocação sobre a infidelidade brasileira às linhagens budistas. Gostaria de salientar que neste formato se encontram grandes riscos e também grandes oportunidades. O sincretismo religioso e cultural, faz parte do processo de construção de nossa sociedade. Abre-se, desta forma, espaço a grandes saltos da compreensão da natureza humana, mas em contrapartida oferece-se riscos como o do intelectualismo exagerado (sem uma prática real como suporte) ou até mesmo a supertição excessiva.
    Abraços,

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