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O Budismo e os Jovens

por 31/10/2010 7 comentários

Me lembro de ter contato tido contato formal com o Budismo em um período muito difícil da minha vida. Na época, sobre forte medicação para tentar controlar um diagnóstico de crise do pânico, muito embora ja tivesse lido alguns livros sobre o assunto, o contato com um mestre budista foi a prova da certeza que eu carregava que me falava que, por traz da grande confusão que desequilibrava a minha mente naquele momento, existia em algum lugar dentro de mim uma forma de encontrar a paz, e que essa paz era perfeita, mais além da origem daquele desiquilíbrio todo.

Para meu alívio, descobri que dentro da tradição Budista existia toda uma estrutura de ensinamentos que ensinava como descobrir essa paz, compreende-la, estabilizá-la e muito mais! Foi assim que comecei a meditar aqui no CEBB Curitiba. Cerca de um ano depois já havia largado toda a medicação e nunca mais tive nenhuma crise de pânico. Na época tinha 18 anos.

Hoje, com 25, ainda frequento as praticas do CEBB Curitiba e as palestras e retiros do Lama Padma Samten e de demais mestres, e sigo levando uma vida de práticas bem bacana. Porém algo que sempre me chamou a atenção desde o início foi o fato de geralmente não encontrar muitos jovens nestes ambientes. Mais além de preconceitos ou divisões, falo de jovens como aquele pessoal que, chegando aos vinte saindo dos trinta ou mais, não se sente nem criança e nem adulto. Não que para mim isso tenha sido um obstáculo, mas sempre achei intrigante essa ausência. Onde está esse pessoal? Como eles estão, estão bem? Quem são e porque são poucos?

Se entrar em contato com os ensinamentos já é algo considerado precioso, o que dizer dos que se interessam pelo Budismo cedo na vida. No sentido de tentar auxiliar no processo de acolhimento desse pessoal tão especial criamos no CEBB Curitiba o que estamos chamando de “Sanga Jovem” ou “CEBB Jovem”. Através da exibição de filmes, realização de debates e estudos de ensinamentos voltados a circunstância dos jovens estamos buscando, além de criar um espaço de convívio e socialização para esse pessoal, entender quem é o jovem atual e qual linguagem mais apropriada para entrar nesse mundo.

Recentemente o Lama Padma Samten nos sinalizou que estaria disposto a gerar ensinamentos específicos para os jovens e nos inspirou a conversarmos com as demais sangas do CEBB pelo Brasil no sentido de reunir as características, opiniões, dificuldades dos jovens praticantes e interessados para que posteriomente possam surgir materiais – DVDs, Livros, Palestras etc – com conteúdo voltado diretamente para estas circunstâncias.

Há todo um mundo de experiências exclusivas a essa época da vida tais como estudos, vestibular, faculdade, escolha de um trabalho, relacionamentos, sexualidade, família, drogas, maternidade na juventude, independência etc., sem falar de todas as circuntânscias que surgiram recentemente com o avanço das tecnologias da informação que estão moldando uma geração toda particular em comportamento e visão de mundo, bem como inédita em suas dificuldades e obstáculos.

Pensamos em publicar alguma nota aqui no blog, porque enfim, ele já é uma expressão bem bacana dessa abordagem e, aproveitando sua interatividade, pensamos que talvez fosse um espaço legal para ouvir um pouco da experiência dos praticantes das outras sangas do CEBB pelo Brasil.

Alguém por ai!? 

Foto: Crianças do Grupo de estudo “Sanguinha” no CEBB Caminho do Meio em Viamão-RS. Ao fundo o Templo Caminho do Meio.

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"Gustavo Duda é igual a todo mundo: diferente dos demais. Um típico jovem urbano, vive sempre numa boa e é mochileiro nas horas vagas. Pode ser encontrado as terças no CEBB Curitiba ou por skype, facebook, email, msn, celular, orkut etc etc!" | Leia outros posts de


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7 comentários »

  • Ricardo S. disse:

    Li recentemente o livro – Buda na Mochila de Franz Metcalf – é um livro de facil leitura, direccionado para jovens, achei bastante interessante.

    SINOPSE:

    O que você carrega na mochila?

    Provavelmente toda a tranqueira que usa no dia-a-dia: livros escolares, CDs, telefone celular.
    Por que não acrescentar Buda?

    BUDA NA MOCHILA traz:

    * A vida de Buda – Você sabia que ele se rebelou contra o sistema?
    * Os ensinamentos de Buda – Das Quatro Nobres Verdades ao Caminho Óctuplo.
    * O Budismo no dia-a-dia – um novo modo de lidar com os amigos, com a família, com o que você come, com a escola, com o sexo.
    * O seu próprio caminho – maneiras de avançar na sua jornada. Não se trata de pertencer a uma religião; trata-se de ser mais feliz. Trata-se de despertar para a sua própia natureza de Buda.
    Título

  • Dirlene disse:

    Oi, Gustavo,

    Tenho um filho de 19 anos (na faculdade) e um casal de gêmeos de 14 anos e acho sua ideia ótima, pois ensinamentos dirigidos ao público jovem ajudariam também os pais, professores, etc. a lidarem melhor com eles!

  • Ngawang Tenphel disse:

    Olá Gustavo!
    Fiquei muito feliz em ler através de suas palavras seu coração.
    Lembro que quando comecei a ouvir ensinamentos e fazer retiros com o Lama Samten tinha 14 para os 15 anos e aos 16 anos fui morar na recém adquirida área do Instituto Caminho do Meio, em Viamão. Foram 7 anos vivendo lá até minha mudança para Índia e posterior ordenação como monge. Durante este período, experienciei um pouco desta ausência de jovens e muitas vezes lembro de sumir alguns fins de semana, onde deveria estar recebendo visitantes no templo, para encontrar com a turma da minha idade..hehehe
    Pensando rapidamente aqui agora, tenho a impressão que grupos de estudos com temáticas relativas ao dia-dia dos jovens são interessantes, ainda assim, sinto que atividades saudáveis “extra–currículares” tais como trabalhos com o corpo como capoeira, música, artes como também acampamentos, viagens em grupo e coisas deste teor, que quase todo o jovem aprecia, poderiam ser atividades que chamariam o coração desta sanguinha jovem. Nestes momentos de diversão e lazer em grupo, naturalmente, devido ao interesse que uniu tal sanguinha jovem, questões e reflexões do Dharma irão surgir e lindos insights e trocas inspiradoras provavelmente brotarão. Hoje, com meus 29 anos, ainda me sinto parte desta sanguinha. Aliás, aqui em Kathmandu, no Nepal, onde resido agora, esta se formando uma sanguinha jovem de brasileiros estudantes do Dharma como também da arte tibetana. Volta e meia, percebo em nossas conversas, questões naturais de nossa própria idade, background juvenil e reflexões de vida … Sinto também, esta necessidade de troca dentro da nossa própria linguagem, usnado os símbolos que estão presentes e são mais fortes em nosso momento juvenil. Meu coração esta em sintonia com seu coração. Sinta-se acolhido e apoiado pela nossa sanguinha jovem aqui do Nepal ;-) Um grande abraço, do monge.

  • Randley Castro disse:

    Parece que esse artigo foi feito para mim.

    Tenho 23 anos, estou frequentando o CEBB Florianópolis e sinto falta de ter pessoas da minha idade, com as mesmas vivências que eu, para conversar sobre o que estou aprendendo com o budismo.

    Gostaria de falar sobre os ensinamentos com meus amigos, mas como não quero converter ninguém e só falo do budismo para aqueles que me perguntam.

    Sobre a questão de onde estariam os jovens de hoje, eu tenho uma opinião… eles estão longe de qualquer conhecimento superior e não estão muito interessados nisso. Querem apenas diversão e zoação. Eu também quero, não os condeno, mas agora estou totalmente ciente da dukkha!

    Uma Sanga Jovem seria um excelente ideia! Poderia contar comigo com certeza!

  • Rafael Rendeiro disse:

    Tenho 18 anos, moro el Belém, ainda não conheci o Lama pessoalmente e pratico todos os dias. Penso que ensinamentos sobre todas esses dilemas seriam muito úteis! Apoio a iniciativa.

  • Maria Cristina disse:

    Tenho dois filhos, de 18 e 13 anos. Tenho falado aqui na Sanga do Rio sobre essa possibilidade. Aprecio muito essa iniciativa e me disponho a pensar em formas de coloca-la em pratica, com o aval do Lama. Feliz 2012.

  • Renato disse:

    Falta atrativos aos jovens. Como atrair a atenção deles se vcs não tem como ? Teriam alguma banda ? Escritores ou pintores sobre o budismo moderno? Qual a representação do jovem budista?

    Compus uma música com os ensinamentos budistas, escutem e divulguem… talvez isso seja só o começo…

    https://soundcloud.com/pr-xibata/impermanencia

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