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Relíquias do Buda no Brasil

por 10/03/2010 3 comentários

“Que sensação de paz”!

Este foi o comentário que eu mais ouvia enquanto ajudava a organizar a fila de visitantes da exposição das Relíquias do Buda num espaço de ioga no Rio de Janeiro, em 2008.

Do meu posto de voluntária na entrada da fila, comecei a observar as pessoas e comparar as expressões em seus rostos, antes e depois de passar pela sala das relíquias. Quando chegavam e descobriam que era preciso aguardar em fila, demonstravam um pouco de impaciência. Depois, cada vez mais perto, surgiam os olhares de curiosidade. E na saída quase todos pareciam muito, muito pacificados e satisfeitos. Olhos brilhando. Rosto suavizado. Vozes tranquilas. “Que sensação de paz”!

Daqui a alguns dias as Relíquias de Buda estarão de volta ao Brasil e imagino que mais pessoas serão abençoadas com aquele estado mental. Seja você budista ou não, recomendo que não perca esta exposição. Cinco minutinhos ao lado das relíquias proporcionam um alívio e um otimismo que dificilmente experimentamos em nossos contatos comuns do mundo.

Imagino que você achará difícil entender por que as relíquias, pequeníssimos fragmentos dos corpos dos budas do passado, conseguem produzir uma situação de bem-estar imediato. Mas estamos falando de seres iluminados, que atingiram uma compreensão muito elevada da realidade. Isso equivale a dizer que eles eram livres – de marcas mentais, de neuroses, de conceitos e tudo o mais que produz sofrimento. Toda esta bem-aventurança não é um atributo pessoal; ela segue irradiando. Por isso nós, tantos séculos depois da passagem destes seres pela Terra, ainda nos beneficiamos da sabedoria deles.

A turnê das relíquias tem como objetivo levantar fundos para o Projeto Maitreia, projeto que é uma parte desta incessante “corrente do bem”. Segundo entendi, a construção de uma estátua de Buda Maitreia na Índia está entre as muitas iniciativas do respeitado mestre tibetano Lama Thubten Zopa Rinpoche, que desde o exílio tem atuado intensamente nas áreas de preservação da tradição budista e da promoção da saúde e educação.

Em 2006, visitei, com um grupo de brasileiros, a escola e a clínica mantidas por Lama Zopa e seus alunos na região de Bodhgaya. Percebemos que suas atividades são inspiradas por um amor incansável pelos seres. A compaixão de Lama Zopa é o grande motor que impulsiona a viagem das Relíquias do Buda pelos quatro cantos do planeta. Para mim, elas são um símbolo de que a compaixão sempre será vitoriosa, não importando as circunstâncias do tempo, nem as aparências do mundo condicionado.

* A turnê passará por Viamão-RS (12 a 14/3), Florianópolis (19 a 21/3), Curitiba (26 a 28/3), São Paulo (8 a 11/4), Vitória (16 a 18/4), Salvador (23 a 25/4), Recife (7 a 9/5), João Pessoa (14 a 16/5) e Rio de Janeiro (20 a 23/5). Veja a programação e não perca!

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Carmen Navas Zamora é aluna do lama Padma Samten desde 2003, pesquisa Comunicação, Memória Social e Cibercultura e colabora com as publicações do Cebb em diferentes mídias. É uma das editoras da revista Bodisatva. | Leia outros posts de


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3 comentários »

  • cris franco disse:

    Estive ontem , dia 10/04, na exposição das Relíquias,e posso dizer que já no acesso ao prédio quando me encontrei com mais 03 pessoas que eu havia convidado para o evento, uma comoção de lágrimas em todas nós surgiu sem que nenhuma palavra ainda tivesse sido trocada. E já de cara ouvi que a energia ali era essa e que as pessoas se sentiam estranhamente tocadas sem sequer terem entrado no prédio ainda.Vale lembrar que minha irmã, mais duas amigas não são budistas e uma delas veio de Porto Alegre,mas a sensação provocada em todas, era de uma comoção interna imensa.Já lá dentro da sala de exposição, caminhei para o Buda menino junto com minha irmã , e ambas banhamos o pequeno, desejando tudo de bom e doce para o momento e para todos.Andando pelas relíquias a sensação era de estar pisando no ar, tudo parecia se mover lentamente e só consigo lembrar da sensação , de estar fora do mundo.Quando estavamos na fila para receber a benção, tive de recostar na parede, pois tinha uma sensação de tontura, qual não foi a minha surpresa quando minha irmã disse a mesma coisa.As lágrimas não paravam.Eu só agradecia e procurava eternizar aqueles momentos.Quando paramos já lá fora para comprar alguns artigos que estavam expostos, trocamos a mesma impressão, parecia que haviamos saido de um transe.Chegando em casa,abençoei com a água que trouxe da exposição, o meu caozinho de 18 anos, as duas calopsitas que estão em casa me visitando, os meus Budas do altar,e agradeci pela auspiciosa oportunidade.Acho que levamos todos para casa uma sensação de paz.Que permaneça para todos.
    Agradeço a todos que possibilitaram que a exposição acontecesse aqui em SP.

    abraços

    cris franco

  • Thays disse:

    Que ótima notícia. Fiquei frustrada em 2008 porque não fui!

  • Diogo Archanjo disse:

    Hoje me lembrei do último dia de exposição. Eu havia me perdido dentro do jardim botânico, foi quando inesperadamente vi a fila e busquei saber. Com meus 20 anos, experimentei emoções inexplicáveis nos rituais que ali vivi. Sobre essas e outras experiências, hoje me encontro no curso de psicologia. E estudando pra prova de hoje que revivi em memórias e sentimentos esse importante encontro.

    Acabei pesquisando sobre para saber da estátua e também do livro que seria guardado nela, que lembro ter escrito poucas palavras. Gostaria de saber mais sobre o livro também…. Continuarei a pesquisa.

    Grato pela publicação que me fez fortalecer mais a relação com esses especiais sentimentos.

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