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Retiro com Alan Wallace no CEBB Caminho do Meio

por 23/01/2012 9 comentários

O templo do CEBB Caminho do Meio está ainda mais bonito, com pinturas que retratam os 12 momentos mais marcantes da vida do Buda: antes do nascimento, nos céus de Tushita, quando ele ouve as canções dos deuses que narravam a condição humana e assim se movimenta para renascer na condição humana, o momento da concepção, quando a mãe de Sidarta sonha com um elefante branco tocando seu ventre, o nascimento de Sidarta. E as gravuras lindas seguem: a vida do príncipe no palácio, as práticas na floresta, a iluminação, os ensinamentos e o parinirvana (morte). Fico olhando para as pinturas, que estão no alto, e vou me conectando com tudo aquilo.

Antes de morrer, Buda declarou: “eu manifestei um corpo de sonho, manifestei ensinamentos de sonho para seres de sonho, imersos em sofrimentos de sonhos. Eu não vim, eu não vou.”

Os mestres vêm e vão, os retiros tem início, meio e fim.

Cheguei na quinta, junto com o professor Alan Wallace, e tive a alegria de ficar como sua assistente ao longo de sua estadia por aqui. A pedido do Lama Padma Samten, ele nos ofereceu ensinamentos preciosos de um mestre extraordinário, reconhecido como manifestação da mente do próprio Guru Rinpoche. Templo Caminho do Meio cheio, muitos momentos de prática, tudo devidamente registrado e transmitido online no CEBB TV. Maravilhas tecnológicas!

A tradutora, nossa querida Jeanne Pilli, da sanga do CEBB São Paulo, é um presente. Como disse o Professor, ela dota de energia e alegria cada momento da tradução, expressando o amor que sente pelos ensinamentos. O beijo que o professor deu em sua testa ao final foi de puro carinho e gratidão, lindo de ver!

Sempre tranquilo, com olhos pequenos e espertos, o professor Alan Wallace segue o texto com precisão. Sempre começando cada período com meditação silenciosa, abrindo espaço para perguntas à noite. Paciente, focado, gentil e firme.

Eu o acompanhava todo o tempo, indo e voltando da casa na qual estava hospedado. Na maior parte do tempo, caminhamos em silêncio. Vez em quando ele comentava sobre a cor do céu ou me perguntava alguma coisa, às vezes parávamos para olhar alguma formiga carregando uma folha. Caminhar do seu lado foi deixando minha mente em um sossego simples. Pela própria função, fiquei mais isolada, não tive tempo para interagir com os outros participantes, somente com Denise, também do CEBB São Paulo, que preparava as refeições do professor em uma cozinha que foi montada na varanda da casa. Comidinhas deliciosas, preparadas com uma generosidade e um carinho que se derramavam no sabor e na beleza de cada prato.

Um professor californiano transmitindo um tesouro tibetano. Diante de um caminho de lucidez, somos todos da mesma família humana, sem diferença alguma.

O encerramento no domingo foi comovente. O Lama Padma Samten fez uma prece de longa vida ao professor Alan Wallace que foi de arrepiar. E quando ele me passou o microfone para cantarmos todos juntos a prece a Guru Rinpoche (“du sum…”) eu estava chorando tanto, que o Lama Padma Samten até riu!! muitos estavam chorando, em gratidão aos mestres que mantém vivas as práticas e a sabedoria dos Budas.

Cantamos a prece e a voz da sanga (comunidade de praticantes) surgiu forte. O Lama até brincou que nessa hora o Guru Rinpoche pintado na parede do templo havia piscado um olho, pois vou contar uma coisa, quando estava cantando o mantra final (a invocação longa à Guru Rinpoche), e o pessoal ia entregando o katag (lenço branco oferecido aos mestres para bênção), bem dei uma olhada para o Guru Rinpoche na parede e ele estava sorrindo. Um sorriso largo, desses que deixa as bochehas levantadas, juro que vi!

Mais uma vez, o Lama Padma Samten sugeriu um momento no qual os lamas, monges e monjas convidados pudessem se reunir e reverberar os ensinamentos. Roupas diferentes, todos sentados juntos, compartilhando sua atividade no Darma, gerando esse apoio, construindo o que o Lama Padma Samten chama de “uma só sanga”. A alegria de todos os convidados era palpável. E na caminhada de volta para casa, o professor Alan Wallace comentou sobre a raridade desses momentos. Disse que viaja para muitos centros do Darma pelo mundo, e somente aqui ele vê esse movimento: mestres e monges de outras tradições convidados a participar, com espaço para falar e ouvir. Ele destaca a importância dessa abertura que o Lama Padma Samten vive e oferece.

E por falar em oferecer, como professor Alan Wallace viajaria somente na noite seguinte, ele ainda deixou um néctar, comentando um texto que tem sido base do eixo que o Lama tem oferecido. Foi um fechamento perfeito.

Os mestres vêm e vão. Os ensinamentos surgem e cessam. Os retiros tem início, meio e fim.

E professor Alan Wallace se foi.

Veja as fotos do Retiro com Alan Wallace

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Teresa Bessil dedica tempo, energia e coração ao Darma. Entre sorrisos, cantorias e muitas palavras, entre Niterói, Rio, São Paulo e Viamão, busca seguir os ventos de Guru Rinpoche. | Leia outros posts de


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9 comentários »

  • Sheyla Souza Costa disse:

    Teresa querida. Não é “por acaso” que te chamei de minha flor, lindo lótus sempre sorridente. No seu seio você acolhe e da nascimento a Guru Rinpoche sempre que sorri ao olhar para o reflexo da lua no lago e percebe que está a admirar apenas o reflexo e ainda assim se deixa banhar por esta luz ali refletida. Amiga cuja visão vai se tornando cada vez mais serena e suave e se manifesta na devoção, na voz em cada gesto. Obrigada pelo lindo texto.

  • Solange (Sol, de Niterói) disse:

    Teresa querida!

    não sei se vou conseguir expressar o que senti ao ler seu texto. sabe quando vc descreve suas idas e vindas à casa onde o professor estava hospedado e comenta sobre o silêncio que vocês mantinham, parando apenas para observar alguma formiga que estava existindo ali, naquele momento? pois é. no seu texto todo há uma qualidade que eu não havia observado ainda, uma simplicidade que é ao mesmo tempo inteira, um puro desfrutar do momento presente…Qualidade dos bons mestres refletida nos bons discípulos. Foi, pra mim, seu texto mais comovente. muito lindo! Obrigada! Beijo no seu coração!

  • Teresa Bessil (autor) disse:

    querida sheyla, sempre tão gentil! essa imagem da flor de lótus é sempre uma baita inspiração para todos nós. E hoje o Lama coomentava conosco que um sorriso verdadeiro é sempre uma expressão de uma ampliação, uma abertura. Que seja assim!beijo, querida, e obrigada pelo carinho

  • Teresa Bessil (autor) disse:

    querida solange, agradeço suas palavras e carinho. Hum… simplicidade! que benção! volta e meia me recordo de um poema de Adélia Prado no qual ela diz que queria “ser singela”. Eu também tenho essa aspiração! E, de algum modo, aquelas caminhadas foram mesmo a expressão perfeita dos ensinamentos. Simplicidade e abertura. Presença. ê, boniteza!!! beijo carinhoso, querida!

  • Teresa Bessil (autor) disse:

    essa coisa de compartilhar é tudo de bom! um jeito bom de ser humano! esse pequeno relato gerou muitas mensagens que chegaram pelo meu email pessoal e mais um monte de conversinhas com a turma que ainda está por aqui. Muito bom! agradeço a todos os comentários “externos, internos e secretos”.

  • Teresa Bessil (autor) disse:

    Essa coisa de compartilhar é tudo de bom! Esse pequeno relato rendeu mensagens bem queridas que chegaram pelo meu email pessoal e mais um monte de conversinhas com a turma que ainda está por aqui. Agradeço a todos os “comentários externos, internos e secretos”.

  • Mair Augusto Cunha do Amaral disse:

    Muito bonito. Como é bom ver o amor se movendo como acontece no movimento budista, ou na sanhgha. Além dessas pinturas lindas, quanta sabedoria há nesses ensinamentos. Muito obrigado!

  • Maria de Lourdes Teodoro disse:

    Que bom ler esse sereno texto sobre o retiro com o Allan Wallace. Obrigada Teresa. O texto sobre a Sabedoria Primordial amorosa e didaticamente transmitido a todos nós por Allan Wallace me tocou até as lágrimas. Um outro fato que teve para mim um impacto fundamental, foi a presença de Lamas de várias tradições, convidados por Lama Padma Samten. Quando Lama Samten criou sua oração pela longa vida do Lama Allan Wallace fiquei de novo muito, muito comovida com a compaixao do Lama, sua generosidade, sua sabedoria. E desejei levantar minha voz para estender a ele Próprio os votos que ele fazia ao Allan Wallace.

    Sinto que foi maravilhoso ter participado desses momentos e agradeço muito a todos que contribuíram para sua realização. Obrigada.

  • Teresa Bessil (autor) disse:

    pois é… o texto é muito precioso mesmo! e o proprio Alan Wallace fica muito feliz com a presença dos lamas e monges de outras tradições e linhagens. Ele já comentara isso no ano passado. Diz que visita muitos centros pelo mundo e somente aqui encontra essa abertura. Ele comenta que é muito raro esse convite, a participação ampla, como todos praticndo juntos e ao final comentando o evento e suas ações. Diz que tudo se desdobra dos votos e da mente aberta do Lama Samten. A prece de longa vida foi mesmo de arrepiar, ne? penso que muitos sentiram esse eco: longa vida ao Lama Samten! que os ensinamentos que despertam/revelam nossa natural lucidez sigam vivos!! Obrigada, Mair. Obrigada, Maria de Lourdes.

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