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Retiro Fechado – A Vida como um Templo

por 5/09/2011 Comente!

Local do retiroA sanga do Rio de Janeiro realizou seu primeiro retiro fechado de fim de semana, à semelhança dos que acontecem no Caminho do Meio, em Viamão, com os praticantes meditando, fazendo refeições e dormindo sempre no mesmo espaço. Por algum tempo pré-estabelecido, tentamos estar conscientes de que a vida cotidiana é como um templo e tudo que se faz é prática: conviver, falar, comer, sentar.

Como frequentei o grupo do Rio, foi especialmente comovente acompanhar esse movimento.

Com a motivação de compartilhar, busquei relatos de praticantes que estiveram lá. Ler e ouvir histórias de praticantes é como encontrar pérolas sem ter que mergulhar no fundo do mar. Basta a boa e velha coemergência. Surge o ouvinte e as palavras brotam, maravilhosas como as da Denise Costa, que assim descreveu a experiência:

“Esse retiro foi muito especial para mim, depois de um longo tempo com dificuldade de praticar, surgiu essa oportunidade de meditar com a sanga dessa forma tão auspiciosa.

Eu tive muito medo de não conseguir sustentar tantas horas de meditação em silêncio e ainda mais dentro de um mesmo espaço o tempo todo. Qual não foi a minha surpresa! Na verdade essas condições ajudam e muito que você não se disperse, que esteja mais inteira e imersa na prática.

Claro que me deparei com os meus obstáculos internos, mas mesmo quando a mente ficava mais agitada, era bom não precisar explicar, trocar, ligar ou mesmo sorrir para ninguém e dava para sentir a força da sanga pela energia de sustentação de todos que estavam ali nas mesmas condições que eu. Não digo que não haja dificuldades mas elas estão com a gente o tempo todo, nesta situação você se depara com o que já existe, não há nada para fazer a não ser sentar e meditar. Ufa! Isso sim é liberdade”!

Florenza Monjardim contou como a energia do retiro começou a tomar forma e foi ganhando espaço em sua vida, mesmo com a agitação do dia-a-dia, o movimento sem fim das nossas identidades.

“Engraçado como nomes mexem com a nossa energia.  Neste caso, a escolha em participar do meu primeiro “retiro fechado” provocou, na minha imaginação, uma alegre possibilidade de ficar junto a sanga, em meditação, por um final de semana inteirinho. Unidos pelo Darma, pode haver algo mais precioso? Encantada, meti-me no carro dos amigos rumo à ACM com a certeza de que naquela sexta, era esse exatamente o lugar que eu gostaria de estar.  Que bom, estou no presente! (coisa rara)… Encontrei tudo preparadinho, colchões pelo chão do nosso “templo”, com travesseiros, cobertores, meus amigos queridos da sanga.  Dormi tranquila, sentindo-me acolhida por inteiro”.

Outra querida amiga, Isabel Poncio, mandou um relato com muitos pontos de exclamação, como vocês verão abaixo. Entusiasmo de praticante, coisa bonita de se ler.

“Na sexta-feira à noite, a motivação estava alta, sustentada também pela palestra do Lama Samten que tinha acontecido na véspera. As condições formais do retiro (dormir todo mundo na mesma sala, manter o silêncio durante todo o retiro) não se constituiram em obstáculo; pelo contrário, penso que a motivação positiva e a energia da sanga me proporcionaram uma boa noite de sono e ficar em silêncio trouxe-me a certeza de que falamos MUITAS coisas desnecessárias…

No sábado à tarde, um pouco de ansiedade, estômago pesado pelo almoço e muito sono e dores no corpo: uma luta! Desânimo, pensamentos de impossibilidade de seguir no caminho, pequenas irritações – totalmente desnecessárias – vontade de voltar para casa… No final da tarde, a prática do exercício físico oferecido – muito bom – trouxe um pouco da energia de volta. Jantar leve, puja, muito cansaço; abri mão da meditação da noite e fui dormir.

Domingo, 4h30m da madrugada – olho aberto, energia alta, motivação plena! Meditação, puja, café da manhã – shamata pura na varanda! Prática formal até 12h, sentada na cadeira. Nenhuma dor – que bom!!!

Final da prática – vontade sincera de que o retiro pudesse durar mais uns dias”!!!

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Carmen Navas Zamora é aluna do lama Padma Samten desde 2003, pesquisa Comunicação, Memória Social e Cibercultura e colabora com as publicações do Cebb em diferentes mídias. É uma das editoras da revista Bodisatva. | Leia outros posts de


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