Trailer oficial do documentário TULKU
Na cultura tibetana, um tulku é como se fosse um Buda vivo, emanação de uma sabedoria específica que se manifesta de mestre a mestre, formando uma linhagem. O exemplo mais famoso é a linhagem dos Dalai Lamas.
Com a expansão do budismo, alguns ocidentais foram reconhecidos como tulkus. Eles podem ser encontrados logo na infância, treinados e entronados, ou não aceitarem receber treinamento formal, como é o caso do ator Steven Seagal (reconhecido por Penor Rinpoche).
Gesar Mukpo, filho de Chögyam Trungpa, é um deles. Supostamente ele é a emanação de Shechen Kongtrul Rinpoche (um dos professores do próprio Trungpa!). Shechen morreu em 1960 e Gesar nasceu em 1973.
Apesar do nascimento divino, Gesar leva uma vida ordinária: trabalha como cineasta, tem problemas no casamento e se esforça para pagar as contas. Ninguém melhor para produzir um documentário sobre o que é ser um tulku ocidental.
Pelo que vi no trailer, seu documentário respeita o budismo ao mesmo tempo em que questiona a tradição dos tulkus. Além de incluir entrevistas com grandes mestres budistas, Gesar acompanha os dilemas de quatro novos tulkus. Um deles diz: “I don’t think my role is to be a teacher”.
O mestre budista e cineasta Dzongsar Khyentse Rinpoche (outro tulku!) afirma que o sistema de tulkus pode ser maléfico para o budismo (“Buddhism is more important than the tulku system”), ou seja, pode engessar o propósito dos ensinamentos: que não é reproduzir uma tradição, mas beneficiar as pessoas de diversos modos.
Imagine nascer com a responsabilidade de beneficiar os seres e dedicar sua vida à felicidade dos outros. Em uma das cenas, Dzongsar olha para Gesar e diz sorrindo: “We’re still waiting for him to do what he’s supposed to do!”. Para viver uma vida virtuosa, é necessário vestir mantos e aprender rituais?
Podemos também pensar em nossa própria condição. Mesmo não sendo tulkus, como podemos desenvolver nosso potencial de sabedoria e compaixão? Como podemos beneficiar os outros? O documentário de Gesar parece discutir todas essas questões.
Pelo pouco que vi, gostei muito da edição. O filme estréia agora em maio no festival DOXA. Assista ao trailer e deixe seu comentário aqui no blog!
Gustavo Gitti deixa de meditar pra ver Lost e House, tocar polirritmia, dançar salsa e escrever em blogs sobre relacionamento. Pode ser encontrado às quintas no CEBB SP. | Leia outros posts de Gustavo Gitti






Muito interessante, Gustavo!
Bom que essas questões sejam levantadas. Afinal de contas, esse é o princípio dos ensinamentos: teste, reveja, não aceite simplesmente.
Se, por um lado, vivemos tempos de degenerescência, nos quais a prática se torna difícil, ao mesmo tempo estamos cercados de informações, de possibilidades, de acessibilidade. Há menos profundidade, mas ao menos é mais divertido e o hobby de ser bodisatva se torna mais atraente.
Legal o trabalho do Gesar Mukpo, gostei que aparece Chagdud Rinpoche. O Gesar também aparece no documentário de Meu professor perfeito. No entanto citar o nome de Steven Seagal como Tulku eu acho meio arriscado.
Abraços,
Gus
Gustavo, quem o reconheceu como tulku foi Penor Rinpoche (entre no link do Seagal que leva para a Wikipedia). Mas eu também acho isso controverso, por isso citei como exemplo, que é o ponto levantado pelo documentário, ao que parece. ;-)
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