Monges trouxeram mais uma vez a Turnê de Artes Místicas Tibetanas para o Brasil, ecoando compaixão e paz global
Em uma parceria entre o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) e a Tibet House Brasil, pelo segundo ano consecutivo, a Turnê de Artes Místicas Tibetanas, com Geshe Lobsang Dhondup, fez passeio por seis estados brasileiros este ano, transitando em CEBBs rurais e urbanos no Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As atividades integraram cultura, espiritualidade e arte milenar, trazendo as famosas Mandalas de Areia e os Cânticos Multifônicos Sagrados do Tibete.
Vale ressaltar que a Turnê de Artes Místicas faz parte das celebrações internacionais pelos 90 anos de Sua Santidade, o 14º Dalai Lama.
Ecoando compaixão e respeito entre as culturas, as atividades se encerraram no CEBB Caminho do Meio, em Viamão-RS, sob o olhar atento da analista de Mídias da revista Bodisatva, Thamise Santos, que fez registros fotográficos, a partir de seu ângulo como participante, e esta bela crônica sobre o momento vivenciado e absorvido por ela no local.
Thamise esteve na presença dos monges nos dias 16, 19 e 20 de julho e assina o ensaio logo abaixo.
Durante cerca de dois meses, os monges do monastério Drepung Loseling estiveram no Brasil e levaram a arte sagrada tibetana para diversas cidades e estados, inspirando praticantes e simpatizantes do budismo a acreditarem no caminho espiritual como forma de pacificar relações externas e internas.
O caminho monástico exige dedicação e confiança, enquanto movimento de vida. E espaços como o Drepung Loseling ajudam a manter a chama do Dharma viva. Neles, os monges se dedicam integralmente às Três Joias, mantendo uma rotina disciplinada, com uma estrutura muito bem estabelecida.
Mas o que, num primeiro olhar pode parecer rígido e engessado, na verdade, é uma construção aberta e lúcida que se reflete na forma leve e acolhedora com que os monges se portam — sempre disponíveis e com sorrisos contagiantes.
A experiência de conhecê-los de perto e conviver com eles, mesmo que minimamente, nos mostra o quanto a dedicação à prática do Dharma pode nos levar a um lugar de confiança interna que vai aos poucos permeando tudo o que tocamos.

É impactante ver, por exemplo, o ensinamento sobre a impermanência acontecendo vividamente diante de nossos olhos, através da Mandala de Areia, uma representação artística que comove. Cada pequeno grão é colocado em um lugar específico do riscado, previamente desenhado, e o som que ecoa das ferramentas utilizadas nesse processo vão sendo incorporados em nós de forma natural e delicada, gerando a sensação de estarmos em uma grande orquestra, onde cada detalhe se funde com o todo e promove um belíssimo espetáculo.
Para que isso seja possível, os maestros do Dharma dedicam cerca de 20 horas para a finalização do trabalho e, então, olhamos todos aqueles grãos — agora, eles são a representação de uma deidade; os grãos se transformam magicamente em Chenrezig, ou no Buda da Medicina ou em Tara Verde. É comovente!
E segue-se o próximo ato: a dissolução. Para nós, ocidentais, dissolver algo que deu tanto “trabalho” para ser construído parece uma afronta — aquilo precisava ser emoldurado, guardado, encaixotado.

Vem, assim, o ritual da prática, convidando-nos a nos alegrarmos ao vermos o belo cessando; ao vermos a imagem de uma figura especial sendo simplesmente desmanchada, a ponto de restarem novamente apenas grãos — os mesmos (ou talvez não) pequenos grãos de areia do início do processo.
As palavras não são suficientes para demonstrar a grandeza desse incrível enredo artístico, mas conseguem minimamente transmitir um espaço para essa experiência.
A passagem dos monges nesse contexto de arte trouxe também o fabuloso Cântico Sagrado do Tibete, que vai além de uma manifestação musical, que é um chamado à contemplação do som. Acompanhar esses cantos, ouvindo as pequenas vibrações é uma prática e tanto. O encantamento é inevitável.
Todos aqueles instrumentos diferentes e toda a magia que envolve nos depararmos com algo novo e de certa forma inusitado, formam um cenário propício ao despertar, que aqui pode ser entendido como um movimento de encantamento ativo, um entendimento de que existe algo a ser buscado.

Com grande alegria no coração, agradeço a todos os seres que tornaram esses momentos possíveis. Tive a felicidade de acompanhar parte desse passagem dos monges, em Porto Alegre, a palestra do Geshe Lobsang Drepung, intitulada “A Arte de Transformar Adversidades em Caminho Espiritual”, e apresentação dos Cânticos Multifônicos, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). E, logo em seguida, o retiro sobre “Os Oito Versos que Transformam a Mente”, no CEBB Caminho do Meio.
E assim, o monastério Drepung Loseling deixa sua marca neste 2025, no Brasil, ano da Compaixão. Não à toa, fazemos um chamado a todas e todos para apoiarem, conforme suas possibilidades, os monges e o monastério que se mantêm exclusivamente a partir da prática de generosidade. A manutenção de um espaço como esse demanda bastante.
Então, se você se conectou com o que leu até aqui, abaixo deixaremos um link para acesso às doações diretas aos nossos queridos amigos de Sangha.
>>> PARA DOAR DIRETAMENTE AOS MONGES, clique aqui
Conheça o monastério pelo www.drepung.org
Matéria publicada em 08/08/2025

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