Wangdrak Rinpoche comenta os versos de Mipham Rinpoche sobre o Dharma como caminho
Em 3 de setembro de 2022, o mestre Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche fez um comentário a respeito dos quatro versos de Mipham Rinpoche sobre o Dharma como caminho para a felicidade, com base na união de quatro fatores essenciais: harmonia com o ambiente externo; confiança em amigos tranquilos e confiáveis; o acúmulo de méritos; e o cultivo do contentamento.
Entre 19 de outubro e 2 de novembro de 2026, os mestres Wangdrak Rinpoche e Anam Thubten estarão no Brasil para uma programação de retiros, que incluirá uma passagem pelo CEBB Sukhavati e CEBB Caminho do Meio.
Além disso, ocorrerá o lançamento do livro de Wangdrak Rinpoche, cujo prefácio foi escrito por Anam Thubten. O livro será publicado pela editora Ação Paramita, com o título “Amando a Vida Como Ela É: um guia budista para a felicidade suprema”.
Até a chegada do Rinpoche ao Brasil em outubro, a Revista Bodisatva está pouco a pouco traduzindo e publicando alguns de seus ensinamentos disponibilizados inicialmente no site da Abhaya Fellowship, a fim de que a Sangha brasileira possa acessá-los em nosso idioma. Que seja de benefícios!

CONSELHOS DE MIPHAM RINPOCHE SOBRE FELICIDADE
Harmonia com as condições externas
Gostaria de falar um pouco sobre a recitação que realizamos para aqueles que talvez sejam novos nos encontros do Abhaya Fellowship, a fim de que vocês compreendam a razão por trás da recitação e possam desenvolver um sentimento de confiança e fé nesse método que utilizamos.
O Dharma como caminho para a felicidade
O que chamamos de Dharma, em termos gerais, envolve diferentes tipos de atividades, tais como ensinamentos, explicações do Dharma, bem como a prática. A recitação da liturgia se enquadra na categoria “prática”. O que chamamos “Dharma” é um método pelo qual podemos alcançar ou atingir a felicidade. Podemos experimentar a felicidade e nos livrar da experiência do sofrimento. Unir-se à felicidade e livrar-se do sofrimento é o que se entende por Dharma. O Dharma é também um caminho que visa o benefício para si mesmo, bem como o benefício para os outros. Ele tem um benefício duplo: para si mesmo e para os outros.
Todos nós queremos nos ver livres do sofrimento; ninguém quer sofrer. Todos aspiramos vivenciar a felicidade. Isso é igual para todos os seres. É um desejo universal de ser feliz e um desejo universal de estar livre do sofrimento. O problema é que, embora queiramos a felicidade — esse sendo o nosso desejo —, nossas ações contrariam isso. Essas ações opostas acabam nos trazendo sofrimento, em vez de felicidade.
Queremos alcançar uma felicidade verdadeira, genuína e duradoura, que não desapareça facilmente. E esse também é o objetivo do Dharma. O Dharma é um caminho para a felicidade, é um caminho para alcançar a felicidade. É exatamente para isso que o Budadharma foi concebido. Esse caminho para a felicidade depende inteiramente do nosso próprio esforço, do nosso próprio empenho. O caminho está traçado para nós, mas cabe a nós percorrê-lo.
A felicidade depende de muitos fatores, tanto externos, quanto internos. Ela surge em função de causas e condições que são, ao mesmo tempo, externas e internas a nós. Na verdade, tudo surge em dependência de outra coisa; isso é o surgimento dependente. É assim que as coisas vêm à existência. Nossa felicidade depende de causas e condições para se manifestar e o mesmo vale para nosso sofrimento. O sofrimento também depende de causas e condições, muitas causas e condições diferentes acumuladas e reunidas.
O conjunto de causas e condições é o que traz as experiências de felicidade ou sofrimento. Portanto, é isso que estamos fazendo com o Dharma — é realmente isso. O Dharma é a prática de reunir diferentes causas e condições para o surgimento da felicidade. Isso é feito gradualmente e em muitos níveis diferentes, desde os mais óbvios até os mais sutis. Por meio da prática e de atividades como a meditação, podemos compreender diretamente como esse processo funciona.
A própria raiz tanto da felicidade, quanto do sofrimento é a mente. Nossa mente está no cerne de tudo; quer dizer, tudo depende da nossa própria mente. Quando a natureza da nossa mente está obscurecida pela não consciência de sua própria natureza, pelo fato de não conhecer a si mesma, é isso que chamamos de obscurecimentos e isso dá origem às experiências de sofrimento.
Embora a nossa mente esteja na própria raiz das experiências de felicidade e sofrimento, ainda existe uma conexão com objetos externos. Nossa experiência de felicidade ou sofrimento também envolve a relação com os objetos externos que percebemos.
དགའ་ཞིང་མཐུན་པའི་ཡུལ་ན་གནས་པ་བདེ། །
A felicidade é viver em um lugar alegre e harmonioso
བག་ཕེབས་ཡིད་རྟོན་གྲོགས་དང་འགྲོགས་པ་བདེ། །
A felicidade é estar na companhia de uma mente despreocupada e confiável
བསོད་ནམས་བསགས་ཤིང་དམ་པ་བསྟེན་པ་བདེ། །
A felicidade é acumular méritos e confiar em seres sublimes
ཆོག་ཤེས་འབྱོར་ལྡན་རང་དབང་གྱུར་བ་བདེ། །
A felicidade é possuir a riqueza do contentamento que traz liberdade
Quando percebemos o ambiente ao nosso redor como algo muito alegre e nos sentimos muito felizes nesse meio, de que maneira isso se relaciona com as condições externas? Qual é a relação entre nós mesmos, nossa felicidade e as condições externas que nos trazem alegria e felicidade? Mipham Rinpoche começará com um comentário sobre a relação entre nós mesmos e nosso ambiente externo, e como isso se dá.
Harmonia entre nós mesmos e nosso ambiente
Existe uma relação entre nós mesmos e nosso ambiente da qual precisamos estar cientes. Podemos estar em um lugar muito agradável, um lugar que nos faz sentir felizes, por exemplo, no campo ou em um ambiente mais próximo, como o local onde moramos. Sentimo-nos felizes ali e, para vivenciar essa felicidade, é preciso haver harmonia entre nós mesmos e as condições externas. Poderíamos estar em um lugar muito bonito, um lugar que realmente nos faz sentir maravilhosamente bem. Mas e se não tivermos os meios para estar lá? Digamos que precisamos de riqueza para permanecer nesse lugar. Precisamos ter os meios para nos sustentar. Quando não temos isso, mesmo estando em um ambiente maravilhoso, como certas condições não estão presentes, nos deparamos com outros tipos de problemas. Podemos gostar de estar em um lugar muito caro. Podemos gostar de ficar lá, mas nossa capacidade de permanecer requer harmonia entre nós mesmos e nosso ambiente. Nesse sentido, podemos nos deparar com um obstáculo dessa forma. Existe uma relação entre nosso eu e nosso ambiente externo e as condições que precisam estar presentes para que possamos realmente desfrutar desse ambiente.
Existe uma relação muito clara entre nós mesmos, nossa experiência de felicidade, nossos desejos de felicidade e o ambiente em que estamos inseridos. O que é necessário é uma sintonia entre nossos desejos internos, nossa experiência interna e o ambiente externo. Esses elementos precisam estar em harmonia. Eles precisam se encaixar de uma forma que nos permita vivenciar a felicidade ou desfrutar do lugar onde nos encontramos. Você pode morar em um lugar que é muito bonito externamente. Você pode estar cercado por casas e carros maravilhosos e coisas do tipo e pode ter o desejo de experienciar essas coisas e de possuí-las. Mas talvez seus recursos, sua riqueza ou sua capacidade de realmente desfrutar dessas coisas sejam limitados. Nesse caso, você não consegue realmente experienciar a felicidade, mesmo estando cercado por ela. Você não consegue experienciar essas coisas, porque suas capacidades são limitadas. Há uma desconexão entre o ambiente externo e suas próprias capacidades, o que não permite que você aproveite essas coisas.
É preciso haver harmonia entre o próprio eu e o ambiente externo. Esses dois aspectos precisam se encontrar de forma que permita que você experiencie felicidade. Caso contrário, as causas e condições necessárias para que você sinta felicidade não estarão presentes.
Isso pode até se resumir à nossa capacidade de passar o tempo com amigos e com as pessoas de quem gostamos. Se precisamos trabalhar constantemente, se precisamos nos esforçar muito para permanecer nesse lugar, se temos que nos empenhar bastante para aproveitar o ambiente em que nos encontramos, então nem mesmo conseguimos passar tempo com os amigos. Não conseguimos nos divertir. Não temos tempo nem capacidade para desfrutar da companhia dos outros, porque estamos muito ocupados tentando criar os meios que nos permitam aproveitar esse ambiente.
Pode ser difícil aceitar isso. Às vezes, as pessoas querem estar em um lugar muito bonito, mas não conseguem permanecer lá. Isso causa sofrimento. Elas não conseguem atender às necessidades de estar naquele lugar. Não é uma relação harmoniosa. Elas passam por sofrimento, mas talvez não consigam aceitar isso. Tentam viver naquele lugar, mas não conseguem porque as causas e condições não estão presentes.
Parte da harmonia com o nosso entorno ou com o lugar onde nos encontramos é a capacidade de apreciar onde estamos. A capacidade de ser feliz com o lugar, feliz com a vida que temos, feliz com nossa família, feliz com nosso trabalho — se conseguirmos aceitar essas experiências e condições da nossa vida, então a felicidade surge por meio da aceitação. Aceitamos essas coisas e ficamos felizes com elas. Mas algumas pessoas se sentem em conflito com as condições de suas vidas. Elas nunca estão totalmente satisfeitas com as condições de suas vidas, querem algo diferente ou querem trabalhar mais. Elas se concentram no trabalho, ficam muito absorvidas nele. Querem ter algo além do que lhes é dado ou do que está ao seu redor, do que está em suas vidas. Ter uma relação harmoniosa com as condições da vida é o caminho do Dharma.
Esse tipo de harmonia está diretamente relacionado ao Dharma. Esse é o caminho para a felicidade. E foi isso que dissemos que o Dharma representa, certo? É o caminho para a felicidade. Se vamos seguir esse caminho ou não, isso depende de nós. Parte do caminho para a felicidade consiste em ter uma relação harmoniosa com as condições de nossas vidas e, graças a essa relação harmoniosa, ser capaz de desfrutar dessas coisas, sentir-se satisfeito com elas e, assim, experienciar a felicidade. Mas se houver uma desconexão ou falta de harmonia entre nossas mentes e nossos ambientes externos, nunca seremos realmente felizes. Não conseguimos aceitar as condições de nossas vidas. Começamos a fazer coisas como nos dedicar intensamente ao trabalho, tentando obter mais. Esse é o efeito de ter mais desejos, mais necessidades, mais vontades, mais anseios, em vez de vivenciar uma relação harmoniosa com nossa vida em suas condições.
Amigos tranquilos e confiáveis
Mipham Rinpoche aborda outros fatores importantes para a felicidade e para o cultivo da felicidade tanto em nós mesmos, quanto nos amigos que nos acompanham, os amigos que nos ajudam. Um fator é ser descontraído e tranquilo, ter uma mente relaxada e um estado de espírito tranquilo. E outro é ser muito confiável, ser uma pessoa sincera, alguém que não se envolve em enganos ou artimanhas de qualquer tipo, mas que é muito honesto e sincero. Ser ao mesmo tempo descontraído e tranquilo, bem como sincero, são qualidades importantes a se ter para vivenciar e cultivar a felicidade.
É importante ser uma pessoa gentil e amável, relaxada e tranquila, fácil de conviver. Também é importante ser confiável e digno de confiança, alguém em quem os outros possam confiar. Podemos contar com essa pessoa. Isso é importante tanto no Dharma, quanto na vida cotidiana. É importante ter excelentes amigos que possam nos ajudar. Eles podem nos ajudar, podem nos apoiar e estarão conosco tanto nos momentos de felicidade, quanto nos de sofrimento, não apenas nos bons momentos, mas também nos difíceis.
Hoje em dia, temos milhares de amigos nas redes sociais, alguns têm centenas de milhares de amigos. Mas quando passamos por sofrimento ou dificuldades, onde estão esses amigos? Eles realmente estarão lá para nós quando as coisas ficarem difíceis? É assim que você pode saber quem são seus verdadeiros amigos, aqueles que realmente podem te ajudar em momentos difíceis, que podem te ajudar a superar o sofrimento. Essa pessoa pode ser um amigo ou um membro da família. Pode ser qualquer pessoa que realmente estará lá para nós quando as coisas ficarem difíceis.
O problema do mundo atual é que as pessoas não confiam umas nas outras. Não temos confiança uns nos outros. Mas, se você não pode realmente confiar em alguém, não pode realmente contar com essa pessoa. É uma qualidade importante. É importante ter amigos em quem possamos confiar, pode ser apenas um. Não precisa ser muitos, basta ter um amigo em quem possamos confiar. Se não temos nenhum amigo assim, pode ser um sinal de que nós mesmos não somos confiáveis. Não estamos sendo amigos confiáveis e leais para os outros e, por isso, não temos amigos assim. É importante não apenas ter um amigo assim, mas também ser esse tipo de amigo para os outros. Alguém em quem se possa confiar tanto nos momentos difíceis, como nos de felicidade.
Também é importante estarmos com uma pessoa que tenha uma mente muito serena, muito tranquila, uma mente em paz. Quando estamos perto desse tipo de pessoa, nossa mente também fica muito tranquila e relaxada, muito feliz e muito, muito pacífica. O oposto também é verdadeiro. Percebemos quando estamos com alguém que tem uma mente muito estressada, que não está em paz, que está sempre agitada. Estar perto dessa pessoa nos afeta. Temos a mesma experiência. A nossa mente fica perturbada. Nossa mente não está em paz. Sentimo-nos muito agitados perto delas. Esse é o efeito oposto. É importante que tentemos passar tempo e estar perto de pessoas que têm uma mente tranquila. A mente delas está em paz e nos sentimos da mesma forma perto delas. É importante sermos essa pessoa para os outros também. Essa é outra maneira de experimentarmos a felicidade, a partir de condições externas em nossas vidas. Há uma relação direta com a felicidade e essa experiência de felicidade é baseada em estar perto de pessoas assim e também incorporar essa mesma serenidade para os outros.
É importante reconhecer esses tipos de pessoas em nossas vidas, sejam amigos ou familiares, aqueles cuja natureza é tranquila e serena, que são pessoas muito confiáveis. Podemos apreciar e reconhecer como as pessoas ajudam a criar a experiência da felicidade. Em minha própria vida, posso ver que sou muito sortudo por ter uma família maravilhosa, amigos do Dharma maravilhosos e excelentes guias e professores espirituais. Eles personificam esse tipo de amigo excelente, essas pessoas cujas mentes são tranquilas e muito pacíficas, que são muito confiáveis. Reconheço que isso acontece por mérito próprio. É importante primeiro reconhecer essas pessoas em sua vida, apreciá-las. Às vezes, não apreciamos realmente as pessoas que temos. Portanto, precisamos reconhecer e entender que elas nos ajudam a ser felizes nessa vida. Elas nos ajudam a experienciar a felicidade. Para mim, tive esses amigos maravilhosos, família, amigos do Dharma, lamas, professores, todas essas pessoas em minha vida que me permitiram experimentar a felicidade.
Ter fama, riqueza ou popularidade, nada disso é tão importante quanto os amigos confiáveis e excelentes que podemos ter. Fama, riqueza e coisas do tipo não duram. Não são confiáveis. Não nos trazem felicidade. Graças às pessoas em minha vida, amigos em quem posso confiar, consigo ter felicidade e sentir estabilidade. É um excelente apoio para a vida espiritual ter esse tipo de amigo em nossas vidas.
Para apreciar esse tipo de pessoas, também devemos olhar para o oposto. O que é o oposto? Considere pessoas que incorporam qualidades opostas, que não estão à vontade, que não são confiáveis – o que isso significa para nós? Como isso nos faz sentir? Quais são os resultados ou frutos de tais relacionamentos? Uma vez que observamos a diferença, podemos apreciar as pessoas positivas em nossas vidas e como elas nos apoiam, como elas contribuem para a nossa felicidade, bem como para a nossa prática espiritual.
Mérito e contentamento
Mipham Rinpoche disse que devemos nos esforçar muito para acumular méritos e ações positivas em nossas vidas. Esse é também um aspecto muito importante para encontrar a felicidade, trilhar o caminho da felicidade: a acumulação de mérito e ações virtuosas. Por favor, façam essas acumulações, confiando em pessoas excelentes em nossas vidas, amigos excelentes e professores excelentes. Confiem neles e busquem sua orientação, pois isso também é uma parte muito importante para alcançar a felicidade.
Outra parte importante da acumulação de virtude é realizar ações positivas e desejar beneficiar os outros, engajar-se na positividade. Isso em si mesmo é muito poderoso. Ter um pensamento como “Vou ouvir os ensinamentos do Dharma para beneficiar todos os seres sencientes”, deixar que esse pensamento surja ou trazê-lo à tona ativamente e, então, mais tarde, no mesmo dia, poder pensar: “Uau, tive esse pensamento maravilhoso”. Simplesmente o fato de reconhecer — e reconhecer que formulamos esse pensamento —, isso por si só pode nos trazer felicidade. Simplesmente reconhecer a positividade desse pensamento pode nos trazer felicidade. Beneficiar os outros de todas as maneiras possíveis, pensar nos outros e desejar sinceramente o seu bem, isso também pode nos trazer felicidade. Desejar beneficiar os outros, praticar a virtude e contar com amigos e influências positivas em nossas vidas: tudo isso junto forma um quadro mais completo do que é o Dharma e do que significa trilhar o caminho do Dharma.
O acúmulo de virtude, o acúmulo de mérito, é um fator importante em nossa experiência de felicidade, a raiz da felicidade. É importante obter uma experiência direta. Através da nossa prática, ganhamos experiência, e a experiência direta é crucial. Quando se trata de virtude e mérito, às vezes pode parecer muito difícil, que estamos nos envolvendo em dificuldades e sofrimentos e isso torna nossa vida mais difícil física ou emocionalmente. Pode parecer um caminho difícil, um sofrimento para nós. No entanto, embora possa ser difícil no início, resultará em felicidade. Vamos usar o exercício físico como metáfora: às vezes, quando estamos treinando fisicamente, no início pode ser um sofrimento, mas, no final, nos sentimos melhor. Nossos corpos se sentem melhor, o esforço e o sofrimento resultam em felicidade. O mesmo acontece com a prática de ações virtuosas. Às vezes, é difícil, mas resulta em felicidade. E a meditação também é assim. Quando estamos meditando, às vezes, é muito difícil meditar, se esforçar para isso. Mas resulta em uma mente muito estável, uma mente feliz.
O oposto é verdadeiro para a não virtude. A não virtude pode ser muito fácil no início. Pode nos trazer algum tipo de satisfação no começo, mas o resultado será a infelicidade. É o oposto da virtude. A virtude pode ser difícil no início, antes de trazer felicidade, enquanto a não virtude é mais fácil no começo, mas, no final, traz sofrimento. Você pode observar os casos opostos e ver que o resultado também é sofrimento. É útil observar os opostos.
É importante ter em mente que o exercício físico, a meditação ou a prática de ações positivas podem ser muito difíceis no início. Pode parecer algo árduo. É importante lembrar, em momentos como esses, que se não fizermos essas coisas, isso também vai dificultar as coisas. Portanto, devemos tentar fazer coisas difíceis que resultem em virtude, em vez de abandonar completamente toda a virtude, o que, a longo prazo, também nos trará dificuldades. Ao nos lembrarmos disso, aumentaremos nosso desejo de praticar ações virtuosas, experimentaremos o que é acumular mérito e aumentaremos nosso desejo de acumular mérito e praticar ações positivas.
Reconhecer e apreciar todas essas coisas que temos é uma riqueza muito importante que podemos ter agora. Caso contrário, vemos as coisas como muito comuns: as coisas são assim mesmo, é o de sempre. Essa casa, nós a consideramos como garantida – o país em que vivemos, nossos familiares, nós os consideramos como garantidos, se não os apreciarmos de fato. Nunca poderemos experienciar a felicidade, se não formos capazes de apreciar as coisas que temos agora e que são realmente responsáveis por nos trazer felicidade. Sempre vamos cobiçar o que os outros têm, em vez de apreciar o que está aqui conosco nesse momento. É importante reconhecer as coisas que temos, ter satisfação e contentamento e apreciar, reconhecer e sentir gratidão por essas coisas. A incapacidade de fazer isso nos causa sofrimento direto. É por isso que Mipham Rinpoche disse que ter satisfação, ter contentamento é uma riqueza em si mesma. O contentamento é dotado de riqueza.
Liberdade
Quando temos satisfação ou contentamento, experimentamos a felicidade. Outro efeito de estarmos contentes e satisfeitos é que teremos menos desejos. Nossa mente não estará constantemente tomada pelo anseio e pelo desejo por outras coisas, pois saberemos valorizar o que já temos. A partir da ausência de desejo pelas coisas que não temos, nossa mente é capaz de experimentar liberdade ou independência. A palavra é rang wang (རང་དབང) em tibetano, que significa liberdade, independência ou autonomia. Isso quer dizer que você não está mais obedecendo aos seus desejos. Você não é mais um servo dos seus desejos, apenas fazendo o que eles mandam. Em vez disso, você tem liberdade. Você tem independência em relação a isso. E a independência ou liberdade é algo a que nós, nessa sociedade, damos muita importância, certo? Ser livre, ter independência – isso também vale para a mente. É muito importante permitir que a mente experimente liberdade e independência também. É isso que o contentamento pode trazer. Isso pode trazer liberdade ou independência, autonomia para deixarmos de ser escravos dos desejos.
É por isso que recitamos a oração “As Grandes Nuvens de Bênçãos”, às vezes chamada de Wangdu Sol Deb. Trata-se de uma oração magnetizante, que nos permite suplicar às deidades de sabedoria, as deidades magnetizantes, para que nos concedam bênçãos, para que não sejamos mais escravos de nossos desejos e emoções negativas, mas, em vez disso, que experimentemos liberdade e autonomia. É isso que o contentamento também pode nos trazer.
— Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche, 3 de setembro de 2022
PARA SABER MAIS
Confira outros textos do mestre Wangdrak Rinpoche traduzidos do site da Abhaya Fellowship e publicados previamente pela Bodisatva:
PROGRAME-SE PARA PARTICIPAR DOS ENCONTROS COM O MESTRE WANGDRAK RINPOCHE
Confira as datas de 2026:
| 22 de outubro | Palestra no Rio de Janeiro (local a definir) |
| 23 a 25 de outubro | Retiro no CEBB Sukhavati – Quatro Barras-PR |
| 25 de outubro | Palestra em São Paulo (Templo Honpa Hongwanji do Brasil) |
| 26 de outubro | Palestra em Porto Alegre (local a definir) |
| 27 e 28 de outubro | Retiro no CEBB Caminho do Meio – Viamão-RS |
| 30 e 31 de outubro | Retiro no Chagdud Gonpa Khadro Ling – Três Coroas-RS |
Matéria publicada em 10/08/2026
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