Sua Eminência Garchen Rinpoche com Lama Padma Samten, oferecendo duas edições da Revista Bodisatva ao mestre: a edição n° 30 “Silêncio em Movimento” e a Edição n° 31 “O tempo da grande virada”.

Fios de sabedoria e compaixão tecidos na Mahasanga

Em viagem pelos EUA, Lama Padma Samten se encontrou com preciosos mestres


Por
Revisão: Cristiane Schardosim Martins
Tradução: Cristiane Bremenkamp Cruz e Elizabeth Meira

Nesta matéria especial, a Revista Bodisatva apresenta a cronologia das relações em interdependência positiva tecidas pelo Lama Padma Samten em sua viagem realizada aos EUA, no início do março de 2026. Acompanhe esse trajeto de auspiciosos encontros!


No dia 9 de março de 2026, o Lama Padma Samten embarcou para os EUA acompanhado de Talitha Monfort e Ricardo Zanardi, a fim de participarem de um retiro iniciado na última sexta-feira, dia 14 de março, e finalizado domingo, 16 de março de 2026, no Garchen Buddhist Institute, localizado em Chino Valley, no Arizona. O retiro contou com a presença de Sua Eminência Garchen Triptrul Rinpoche, Khenpo Samdrup Rinpoche e outros lamas, monjas e monges vinculados ao Garchen Buddhist Institute (GBI). 

Antes do embarque, da esquerda para a direita: Ricardo Zanardi, Vicente Sevilha, Denise Barranco, Talitha Monfort, Raquel Oliveira e Lama Padma Samten (Foto: Raquel Oliveira/ acervo pessoal)

A sangha do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) está muito feliz com os preciosos encontros tecidos com fios de amizade, lucidez e compaixão entre a Mahasanga do Buda.

Como primeira parada da viagem aos EUA, Lama Padma Samten esteve em São Francisco, visitando o mestre Chakung Jigme Wangdrak Rinpoche, descendente direto e detentor da linhagem de Dudjom Lingpa. Na ocasião do encontro, o Lama contou um pouco sobre o funcionamento do CEBB, os ensinamentos de Dudjom Lingpa traduzidos e estudados em nossa sangha e fez alguns pedidos para o mestre Wangdrak Rinpoche para dar iniciações e ensinamentos na visita que fará ao Brasil em outubro deste ano. 

Entre 19 de outubro e 2 de novembro de 2026, os mestres Anam Thubten Rinpoche e Jigme Wangdrak Rinpoche estarão no Brasil para uma programação de retiros e também para o lançamento do livro de Jigme Wangdrak Rinpoche, cujo prefácio foi escrito por Anam Thubten Rinpoche. O livro está sendo traduzido para o português por Jeanne Pilli e será publicado pela editora Ação Paramita, com o título “Amando a Vida Como Ela É: um guia budista para a felicidade suprema”.

Lama Padma Samten oferecendo o livro “A Roda da Vida” a Wangdrak Rinpoche e a Anam Thubten Rinpoche e mostrando o site do CEBB com imagens das aldeias (Foto: Ricardo Zanardi/ acervo pessoal)

Além disso, na imersão de três meses que ocorrerá no CEBB Sukhavati entre 5 de abril e 2 de julho de 2026, o Lama Padma Samten irá estudar com a sangha o texto “Voice of the Primordial Buddha(em livre tradução, “A Voz do Buda Primordial”), escrito por Anam Thubten Rinpoche. O referido texto está sendo traduzido para o português por Rafaela Sales de Paula, para fins de estudos na sangha. Nutrimos a aspiração de que também seja publicado pela Ação Paramita. 

Posteriormente, de São Francisco, no norte da Califórnia, o Lama partiu para Chino Valley, no Arizona, acompanhado por Talitha Monfort e Ricardo Zanardi, a fim de participar do retiro no Garchen Buddhist Institute. A prática principal realizada foi a sadana de Acumulação do mantra de Guru Rinpoche, e o retiro teve como pré-requisito a iniciação de Guru Rinpoche oferecida por Sua Eminência Garchen Rinpoche, disponível online neste link do Youtube.

No domingo, 15/03/2026, prontos para a oferenda de Mandala e cerimônia de longa vida à Sua Eminência (SE) Garchen Rinpoche. O Lama Padma Samten foi apontado para carregar o guarda-sol durante o trajeto de SE até o templo. (Foto: Talitha Monfort/ acervo pessoal)
Sua Eminência Garchen Rinpoche ao lado do Lama Padma Samten, que ofereceu duas edições da Revista Bodisatva ao mestre: a n° 30 (“Silêncio em Movimento”) e a n° 31 (“O tempo da grande virada”). (Foto: Ricardo Zanardi/ acervo pessoal)

A inscrição para o retiro de Acumulação de Mantras de Guru Rinpoche realizado no Garchen Buddhist Institute foi disponibilizada no site.

Quem não conseguiu participar no fim de semana e ainda aspira acompanhar as gravações do encontro disponíveis online pode realizar uma inscrição pelo seguinte formulário.

A prática da Dana Paramita – perfeição da generosidade – torna possível a continuidade dos ensinamentos desde os tempos do Buda. As seis paramitas – generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentração e sabedoria – são a base geradora e sustentadora dos centros de estudos budistas ao redor do mundo. Caso você sinta a aspiração de apoiar as atividades do Garchen Buddhist Institute, está convidado(a) a realizar doações pelo seguinte canal.

Lama Padma Samten saúda Khenpo Samdrup Rinpoche no Garchen Buddhist Institute (Foto: Ricardo Zanardi / acervo pessoal)
Lama Padma Samten e Khenpo Samdrup Rinpoche em uma caminhada pela área do Garchen Buddhist Institute (Foto: Talitha Monfort/ acervo pessoal)
Lama Padma Samten, Ricardo Zanardi, Vanessa Postel e Talitha Monfort (Foto: Talitha Monfort/ acervo pessoal)
Lama Padma Samten e o Khenpo D. Tsering Tashi (Foto: Talitha Monfort/ acervo pessoal)
Lama Padma Samten durante a Acumulação de Mantras de Guru Rinpoche, no Garchen Buddhist Institute (Foto: Ricardo Zanardi/ acervo pessoal)

Durante o retiro, houve sessões para perguntas e respostas com Khenpo Samdup, lamas visitantes e os lamas do GBI. Uma das sessões está disponível clicando aqui.

A Revista Bodisatva transcreveu e traduziu alguns trechos da participação do Lama Padma Samten, a fim de compartilhar com a sangha a presença de nossa mestre no retiro ocorrido no Garchen Buddhist Institute:

  • Fala do Lama Padma Samten (de 1h10min45 até 1h19min07):

“Eu gostaria de começar dizendo que o brilho de Sua Eminência Garchen Rinpoche chegou ao Brasil e eu vim para cá como uma abelha em busca de mel. Gostaria de expressar minha gratidão por ser convidado por Khenpo Samdup para estar aqui e conhecer toda a sangha. É uma alegria para mim. Samdup Rinpoche é muito estimado pela sangha no Brasil e Garchen Rinpoche também tem nossa profunda admiração, então estou aqui. Peço desculpas pelo meu inglês e gostaria de começar dizendo duas coisas extremas. A primeira é que a realidade é profundamente irada. E a outra é que a realidade é também extremamente compassiva e pacífica. Imagine que estamos diante de um tabuleiro de xadrez: quando estamos diante do tabuleiro, podemos nos desenvolver como jogadores ou não. Se formos jogadores no tabuleiro, as peças serão magnéticas. As peças têm um significado por dentro do jogo e esse significado especial da peça não vem do material a partir do qual as peças são produzidas, como madeira ou qualquer outro tipo, mas sim da não dualidade da nossa mente que entra no jogo onde as peças operam. Quando estamos sob a realidade magnética do tabuleiro de xadrez, poderíamos chamar isso de uma espécie de bolha da realidade, porque, como jogadores, entramos nesse tabuleiro e tudo parece completamente real — poderemos nos sentir felizes e poderemos nos sentir tristes no jogo. Se olharmos para nossas vidas, observaremos que, quando éramos crianças, vivíamos em uma espécie de bolha. Tínhamos amigos e pensávamos que essas amizades durariam para sempre. Não conseguíamos imaginar que, em algum momento, viveríamos sem nossa família, nosso pai e nossa mãe, e longe de nossa cidade. Estávamos em uma espécie de bolha. Quando falamos de uma bolha, podemos dizer que esta bolha é um bom exemplo de avydia, marigpa, ignorância. Porque é a realidade, mas não é a realidade, ao mesmo tempo é a realidade. É vazia, mas opera… está funcionando. Estamos aqui reunidos até domingo. Segunda-feira, talvez estejamos em outra bolha em nossas cidades. Como podemos nos comportar de maneira tão natural aqui reunidos, se isso desaparecerá em breve? As causas e condições atuais irão desaparecer. Estamos em um reino puro. Poderíamos dizer que é uma terra pura. Somos seres especiais em uma terra pura e essa terra pura não está separada de nossa mente. É não dual com nossa mente. As bolhas não irão durar, o que corresponde ao aspecto irado da realidade. Todas as bolhas irão desaparecer. E se vivemos na bolha, se vivermos a nossa realidade, então toda essa realidade em algum momento desaparecerá, como vem acontecendo desde o início desta vida e podemos dizer que até antes dela. Em geral, estamos sempre procurando por outra bolha, como a bolha sagrada, a bolha final, mas não a encontraremos. Não a encontraremos no reino do desejo, nem no reino da forma ou da não-forma. Esse é o aspecto irado da realidade dos fenômenos. Podemos estender essa compreensão à pessoa que busca a Iluminação, pois está dentro de uma bolha. Essa identidade de praticante não vai perdurar. Iremos ultrapassar nossas identidades, sem o que não alcançaremos os resultados finais da prática. A boa notícia é que não temos o fardo de ter que ser bem-sucedidos em nossas identidades. Podemos relaxar. Não precisamos adquirir uma identidade; construir uma identidade que seja iluminada. Estamos livres de avydia, de marigpa e não temos que padecer sob o fardo de ser bem-sucedidos. Vamos ver a natural realidade. O fato de que construímos a primeira bolha em nossa vida, a segunda, a terceira. Estamos sempre construindo bolhas. As bolhas não vão durar, mas a luminosidade que constrói as bolhas e tece nossas identidades está lá, desde o princípio. Essa luminosidade não é afetada pela vida e pela morte. Está sempre presente. Se observarmos qualquer experiência do bardo, em qualquer experiência do bardo, estamos em uma espécie de bolha. As bolhas desaparecem, mas a luminosidade da mente permanece. Não precisamos construir nossa experiência — ela já está aqui. Estamos construindo essa realidade agora, porque a luminosidade da mente está ativa. Estamos operando com ela agora mesmo. E não a perderemos. Não é possível perdê-la. Então, temos más e boas notícias. Um aspecto irado da realidade e um aspecto compassivo e bondoso. Acho que é isso. Então podemos relaxar.”

  • Entre 1h19 e 1h25, o Lama Padma Samten respondeu à pergunta da brasileira Ana Clara Cenamo, que indagou: “Como podemos agir de forma lúcida e compassiva em um mundo marcado por toda sorte de violências: afinal, o que podemos fazer como praticantes do Darma?” Confira a resposta do Lama:

“Eu penso que essa é uma boa pergunta. Eu diria que os praticantes podem fazer coisas como essa que estamos fazendo aqui. Eu penso, por exemplo, que alguns políticos podem construir a confusão e, facilmente, podem fazer guerras. Podemos fazer/construir terras puras. Terras puras irão durar por tempos mais longos. As pessoas poderosas do tempo do Buda, nós esquecemos o nome deles. Nós tivemos muitas pessoas confusas que destruíram a sanga, os templos. Nós esquecemos deles, do que eles disseram, o que eles pensavam, mas o Darma vive, perdura. Vive, porque podemos ver além da confusão. Eu diria: ‘Vamos construir boas coisas’. É isso. Eu diria que, no Brasil, estamos fazendo isso. Construindo comunidades, praticando juntos, construindo templos. E nós estamos bem felizes nas nossas bolhas. Mas nós não estamos isolados. Nós convidamos as pessoas para discutir junto. Nós ajudamos os administradores das cidades. Nós estamos juntos. Produzimos boa comida orgânica e assim seguimos. Penso que sim. Gostaria de promover escolas, mas não é tão fácil, mas penso que é uma boa coisa. 

Que os méritos desses encontros na Mahasanga se expandam e toquem a todos!

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PARA SABER MAIS


Matéria publicada em 17/03/2026

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