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A prática da desistência amorosa

por 4/07/2009 36 comentários

veleiro

Converso com muitos praticantes de meditação sobre o que aconteceu em suas vidas depois que tiveram acesso aos ensinamentos budistas. Às vezes, as respostas podem ser resumidas com uma mesma palavra: desistências.

Tem aquele que desistiu de matar animais como meio de vida. Outro que pensou melhor e resolveu não fazer uma segunda faculdade que tomaria todo seu tempo livre. Uma grande amiga recusou um cargo que lhe aumentaria o prestígio profissional, mas também a carga horária (e numa proporção bem maior). Soube de outro que frequentava três ou quatro centros de estudos espirituais e focou só no budismo, mesmo sabendo que esta doutrina não se pretende sectária. E tinha aquela que desistiu de ter TV a cabo e acompanhar meia dúzia de seriados e mais os jogos importantes do campeonato europeu (sim, confesso que essa era eu, mas foi na década de 90 e já prescreveu; compaixão, por favor!).

A pergunta que me faço agora é a seguinte: será que precisávamos mesmo de todos aqueles projetos que tínhamos e dos quais fomos aos poucos abrindo mão?

Provavelmente não, e foi a prática budista que nos ajudou a ver isso. Tenho a sensação de que existe um sentido de urgência no ensinamento, embora seja uma urgência gentil. É como uma voz suave de vez em quando se faz ouvir por trás do ruído usual do mundo: “Vamos lá, pratique, aproveite seu tempo, transforme sua vida humana comum numa vida humana preciosa”. E à medida que nos comprometemos com a prática, nos tornamos cada vez mais sensíveis a este novo sentido de aproveitar o nosso tempo.

Sobre a facilidade com que passamos a desistir de planos que antes nos eram caros, lembro de um comentário do lama Padma Samten numa palestra no templo do Caminho do Meio, em Viamão. Ele explicou que pode surgir a sensação de que nossos objetivos empalideceram e citou o exemplo de alguém que sonha viajar para o norte do Brasil parando em cada capital para conhecer novas pessoas, novas culturas. Não há nada de errado nisso, inclusive pode ser uma prática de darma fabulosa! Mas suponha que a pessoa mudou o olhar. Desconfiou, questionou a própria motivação, repensou tudo a partir do eixo oferecido pelo ensinamento. Ela não sofreu nem se esforçou; ela se colocou numa paisagem diferente e… voilà! – a viagem dos seus sonhos perdeu todo o brilho.

Ainda estou refletindo sobre esta desistência amorosa e seus efeitos em nossas vidas, eu que me interesso por coisas tão distintas quanto o cinema e a marcenaria. Imagino que seja um belo desafio passar a ânsia das atividades pela peneira da motivação, pelo filtro do dharma; distinguir o que é fanfarronice e perda de tempo daquilo que surge a partir da aspiração elevada de trazer benefícios. Destes nossos planos de hoje, o que será transformado? O que será mantido? O que será descartado? São pequenos ajustes que podemos fazer no mundo convencional e que vão nos ajudar a ter mais tempo e dedicação na nossa prática.

Quero muito aprender isso. Mas acabo de me apaixonar por um cara que sonha dar a volta ao mundo num veleiro, então vocês podem apostar que minhas chances são mínimas…

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Carmen Navas Zamora é aluna do lama Padma Samten desde 2003, pesquisa Comunicação, Memória Social e Cibercultura e colabora com as publicações do Cebb em diferentes mídias. É uma das editoras da revista Bodisatva. | Leia outros posts de


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36 comentários »

  • Gustavo Gitti
    Gustavo Gitti disse:

    Carmen, adorei esse texto! Compartilho EXATAMENTE das mesmas questões… Aguardo a continuação pois tenho certeza que em breve você terá um pouquinho mais a contar.

    Aproveite o veleiro… ;-)

  • sandra leite disse:

    Carmen,
    Parece que vc está destinada a refletir meus pensamentos…..kkkkkkkkkkk Brincadeiras a parte me encanta a capacidade humana de partilhar questões comuns(questões de todos). Faço minhas as palavras do Gustavo…. Desistência amorosa para mim é a possibilidade que a meditação nos dá de abrir o coração e poder estar mais atento a si mesmo e aos outros…. A partir daí o essencial parece mais claro ao nossos olhos e ao nosso coração…. Lembrando Karl Marx e a impermanência, “tudo o que é sólido se desmancha no ár ” e a amorosa desistência de vc nos fala talvez represente novos pontos de luz, paz e amor para nós e todos os seres sencientes …..
    A diversidade do gostar nos permite a diversidade do olhar e do acolher…nos permite a diversidade do amar… Aproveite o veleiro e as lições de impermanência do mar… “Navegar é preciso, viver não é preciso…”
    um grande abraço ensolarado em nome daquilo que nos une…

  • Ana Maria disse:

    Carmen, já te via desde o tempo em que eu frequentava o Centro Shiwa-lha e vc aparecia por lá de vez em quando para fazer tradução do Acharya.E tbem lembro que vc esteve conosco em um retiro de carnaval em Friburgo. Agora estou frequentando o CEBB RJ, depois de 3 anos no Shiwa-lha.Tudo o que vc escreveu e resumiu como “desistências”, expressa o que venho sentindo há quase 5 anos, desde que comecei a tentar praticar o budismo. Muitas coisas empalideceram na minha vida, que se tornou muito mais leve.

    Adorei seu texto!

  • Karla disse:

    Carmesita,

    Parabéns pelo texto! Muito bom mesmo!
    Esse filtro da motivação é o que coninuo buscando, e quem sabe me distrair menos e praticar mais?
    Bjs

  • Nielle Borges disse:

    Sabe, eu não sou conheço muito do budismo, embora tenha interesse. Com o pouco ouço falar aqui e ali, eu me identifico. Quando citou o comentário do lama Padma Samten, me vi ali. é algo natural meu encontrar esse empalidecimento constante. Eu estou sempre com minha cabeça olhando tudo, e sempre tentando sentir as coisas, não me fixar em meros planos, pois eles às vezes só persistem por orgulho ou desatenção ao fluxo natural. No entanto, isso não é nada tranquilo ou gratificante.
    Na verdade, eu tenho tentado fazer exatamente o inverso: tentar fixar coisas, e segui-las, mesmo que elas empalideçam, pq, mesmo que eu sinta que tudo é aprendizado, tudo nos leva pra frente, ainda assim, sinto como se eu não pudesse enxergar o que tenho em mãos, e sinto que não estou construindo nada e, quem sabe, desprediçando muito.
    Hoje em dia se fala muito em foco e, ao mesmo tempo, há essa coisa do ‘questionar’. Eu, que questiono tanto [não só com a cabeça, mas tb com o sentir – se é que sei o que é sentir… rs], estou me sentindo perdida.

    Gostei muito do seu texto e gostaria de ver a sequencia. Pense um pouquinho nisso ao prosseguir. Mantenhamos esse diálogo.

  • Cláudia (Cebb Viamão) disse:

    Querida Carmem,

    Muito lindo seu texto e a foto que vc escolheu para ilustrá-lo.
    Sabe, eu sempre me questiono sobre essa questão de relacionamentos X prática e sinceramente não vejo a divisão que muitos colocam.
    Gosto muito quando o Lama fala para nos relacionarmos amorosamente e vivermos a relação como uma prática. Aparecerão todas as dificuldades, apegos, raivas, ciúmes, controles…tudo o que queremos aprender a purificar e/ou transmutar nesse caminho que escolhemos.
    Não consigo ver relação amorosa separada da prática do Darma…aliás nenhum tipo de relação.
    Porque ter medo? Medo de que? Entregue-se à experiência, medite e pratique em alto mar…siga seu coração pois os ensinamentos estão dentro de você; estando sozinha ou acompanhada. Trabalhando ou viajando pelo mundo…
    Torço para que você encontre um caminho do meio para lidar com essa nova situação.
    Que os ventos soprem e te levem a liberação do sofrimento.

    Beijo grande,
    Cláu

  • Flávio disse:

    Estou fazendo a tal segunda faculdade… Porém, tomei esta decisão para poder ter mais tempo no futuro. Será que pensar no futuro desta forma seria sensato? Não sei… Certo ou errado, estou crescendo muito diante de tudo o que estou vivendo. Acho que isto também importa. Não basta só desistir, devemos ter a mente alerta diante de todas as decisões.

  • Carmen Navas Zamora
    Carmensita (autor) disse:

    Querida sangha, depois de ler as maravilhosas palavras de vocês sinto que nunca tive um único problema em toda a minha vida! Vamos só ver quanto tempo dura esta sensação (rsrs).

    Uma analogia que posso me arriscar a fazer é que quando estamos no mar nossa situação é frágil e a interdependência grita em nossos ouvidos o tempo todo: dependemos do bom funcionamento de todas as outras coisas no barco pra seguir sobrevivendo e se uma pecinha apresenta problemas nós nos mobilizamos pra tentar ajustar o quanto antes (essa “pecinha” pode inclusive ser o mau humor do outro, e com freqüência é). Com a sanga é um pouco parecido: as dúvidas de cada um pertencem a todos e quando um praticante avançou sentimos que toda a sanga deu aquele passo.

    Flavio, não passou pela minha cabeça julgar os encargos e projetos de ninguém; qualquer situação pode ser transformada em prática de lucidez e para aqueles praticantes mais valentes do que eu os lamas dizem que os obstáculos são especialmente favoráveis.

  • Fábio Rodrigues
    Fábio Rodrigues disse:

    Lindo texto, Carmen :)

    Isso me lembra o Trungpa falando das “Sete características de uma pessoa dármica” – uma das características é algo como essa desistência ou redução natural das atividades (http://www.samsara.blog.br/2009/02/reduzir-atividades.html)

    Abraço!

  • Vanessa Leite
    vanessa disse:

    voilà então guria!!!

    já pensou você em alto mar, aspirando benefícios aos peixes e tubarões e sereias e piratas (e ao namorado, claro)…u-la-lá boa viagem garota!

  • _Maga disse:

    Tenho pensado um bocada sobre a pratica meditativa, Budismo, Yoga e afins. E meus pensamentos por estes dias tem sido guiados por um livro do Hermmann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro.

    Vale a pena ler.

    Um abraço

  • Carmen Navas Zamora
    Carmensita (autor) disse:

    Engraçado você mencionar este livro, Maga, porque tive ótimas referências dele no passado e já pensei em ler, mas… adivinha? Desisti!

  • O nascimento de um herói por uma multidão anônima | Bodisatva: um olhar budista disse:

    […] ama correr mas desistiu de entrar na rotina de treinos que o esporte exige (aliás, falei sobre a questão das desistências no post passado). Você espera acontecer uma grande corrida de rua, de preferência uma maratona bem clássica. […]

  • Florenza Monjardim disse:

    Carmen, sou eu… Flor… Gostei tanto do seu texto. Tenho refletido mt sobre isso. O que realmente é importante? O que me move e em que direção? O que não quero? (é mais fácil do que pensar: o que quero? rsss…) Só discordo sobre vc ser uma péssima praticante! Que chicote é esse, mulher? Lembra que o Lama sempre diz que tudo está no seu devido lugar…
    um bj no seu coração. Saudades

  • Not to-do list | the worst kind of thief disse:

    […] Inspiração veio daqui. Share and Enjoy: […]

  • Taís disse:

    ADOREI!!
    A motivação de levar benefícios a todos os seres pode se estender para os seres que habitam o oceano!!!
    Uma vez o Lama falou em fazer Metabavana para a Natureza, para a Biosfera… então… por que não aproveitar e desejar que “as águas do oceano se tornem limpas,que os animais não sofram…que a biosfera seja feliz!!!!
    beijão daqui do frio do Sul

  • Carmen Navas Zamora
    Carmensita (autor) disse:

    Querida Tatá, boa dica! Só preciso tentar lembrar disso quando estiver enjoada, velejando na chuva, xingando o vento e com pena de mim mesma… como o lama sempre fala… melhor aprender a nadar antes de cair na água! Grande e saudoso abraço.

  • Lara disse:

    Well well well, diante de texto tão bem articulado, a traduzir alguns de nossos caminhos, venho eu sair do silêncio auto-imposto.

    Há a possibilidade de desistimos não porque abrimos mão, pesamos prós e contras, mas porque fomos fiéis a nós mesmos, não?

    O mundo nos impele a um movimento frenético, talvez próprio da matéria ainda inconsciente de que isto é necessário para que se continue, é um samsara, sem dúvida. Mas aprendemos a dizer alguns nãos porque adquirimos a sabedoria necessária de perceber que o mundo, a vida, existe sob este véu de ilusão. Enxergamos a luz interna, o estado naturalmente iluminado, nos damos verdadeiramente escolhas. Parece como um leque que se abre diante do aqui e do agora, do eterno presente, único tempo real.

    Uma das coisas que observo com a prática (e sempre haverão momentos em que penso que posso ser melhor disciplinada) é quanto este estado redescoberto nos permite reinventar. E que parece ser uma urgência nos tempos atuais, não? Reinventar as relações, e o prefixo re- consoa exatamente com fazer novamente, voltar ao estado perfeito das circunstâncias.

    Confesso sem constrangimentos que passei a desistir de muitas coisas mas já sem a culpa, consciente do que estaria de acordo com minha essência, não me violentar em nome de algo. Mas durante esta jornada de reaprendizado deparei-me muitas vezes com um estado de ataraxia bastante delicado, que articulada e silenciosamente ocultava alguns medos de forma a não me deixar percebê-los.

    Então neste momento percebi a importância da prática meditativa: que ela me proporcionava a presença de espírito na exata medida para ser assertiva, para saber quando negar e quando aceitar, ambos da melhor maneira possível. E que com toda a liberdade reconquistada, poderia extrair das experiências o melhor aprendizado, bem como obter o aprendizado com experiências melhores, mais suaves e gentis, mais dármicas.

    Eu não gostaria de dar conselhos, visto que a experiência tem o molde adequado a cada ser, mas então um leve pitaco: Carmen, se você reconquistou o seu coração sereno, pode ser que nele caiba um amor de calmaria. Se for este o momento (e só você poderá dizê-lo), redescubra-o entre azuis… Claros e profundos.

    Namastê

    Lara Werner

  • wellington guimarães disse:

    É A VELHA HISTÓRIA: QUEM FOCALIZA TUDO, NÃO TEM FOCO EM NADA.
    QUEM ACREDITA EM TUDO, NÃO TEM FÉ. E QUEM ACHA TUDO BOM (SEGUNDO MILLÔR) É QUEM NÃO PRESTA.

  • Carmen Navas Zamora
    Carmensita (autor) disse:

    Querida Lara, sim, existem motivos sutis por trás das desistências! É muito tentador justificar nossos medos dizendo: “desisti disso por causa do darma” – isso seria covardia das piores. Mas eu falava de uma desistência nada heroica. Exemplinho bobo: lembro que há alguns anos eu ia regularmente ao cinema depois do trabalho, via muitos filmes e podia sustentar aqueles longos papos de cinéfila em rodinha de boteco. Hoje com frequência saio do escritório e vou ao Cebb Rio meditar, simples assim, e não sinto falta de conversar horas sobre cinema e o filme mais recente que vi na sala escura foi “Queime Depois de Ler”. Nada contra quem vai a cinema. Só não sinto mais aquele impulso, dentro de mim a “coisa” perdeu totalmente o brilho, então não foi sacrifício nenhum desistir do cineminha semanal. Adorei a ideia do Alex Luna de no Ano Novo fazer uma lista de coisas das quais desistiremos. Porque não temos tempo de fazer tudo e não sabemos quanto mais poderemos aproveitar dessa vida humana preciosa (vejam em http://tarrask.com/blog/2009/07/06/todo-list/).

  • Luciana disse:

    Prezada Carmen, nem posso dizer como cheguei a este texto, à esta hora da noite, deste dia, mas acabou de me ajudar a tomar uma importante decisão. Boa Sorte em qualquer coisa!

  • Carmen Navas Zamora
    Carmen (autor) disse:

    Obrigada, Luciana, e pra você também! Por enquanto esse tipo de desistência sem amargura me ajuda às vezes. Nem acredito quando percebo quanta energia me sobrou porque eu desisti daquela festa à qual eu não queria mesmo ir, mas tinha a vaga esperança de “encontrar alguém”! E quando não consigo desistir e choro muito, de alguma forma isso também me ajuda e no meio da confusão outras pessoas acabam sendo ajudadas.

  • monique cabral disse:

    muito gostoso ler seu texto…
    escreve mais, escreve mais….;0)

  • Angela Bon disse:

    Adorei o seu texto, e vei muito ao encontro à forma como estou neste momento. Hoje por exemplo faltei a yoga e desmarquei uma consulta médica, não estava com vontade de sair de casa. E, “irresponsavelmente” tomei o cafe da manhã e vim para o computador responder alguns email que me aguardavam ha muito.
    Respondendo a um convite da Tereza Bessa, CEBB Niterói, para fazer parte da sanga, estou aqui feliz da vida, em contato com essa maravilha da nossa natureza iluminada. Então concordo com o seu texto e com todos que: Desistir, abrir mão de, transformar, reinventar, ser “irresponsável”,etc. é bom demais…
    Também te peço: continue escrevendo, suas reflexões são luzes…
    Beijos.

  • Augustus disse:

    Carmen,
    Lendo seu texto e analisado minha caminhada observei que ainda não tinha olhado minha vida por este enfoque – o das desistências. Embora, muitas tenham ocorrido ora intuitivamente, ora conscientemente, foi exatamente isto o que aconteceu e, que fazendo uma breve reflexão para meu futuro, outras acontecerão.
    Quanto a prática das desistências tenho a declarar que às vezes rola um frio na barriga, mas uma leveza no espírito. Olhando pelo enfoque do nosso querido Lama Padma Santen de liberdade e de amplo de possibilidades, tudo fica mais fácil se observarmos nossos condicionamentos e trabalharmos nosso desapego.
    Quanto a viagem poucos tem no portifólio de possibilidades uma opção como esta! No entanto vale observar se, quando o barco zarpar, você vai estar se afastando ou se aproximando do seu objetivo. E que sempre é tempo de corrigir a rota!

  • Filadelfo disse:

    Iniciei leituras sobre budismo e iniciei práticas de meditação. Isso há duas semanas (?!). Como me acho, já estou dando palestra. Risos. Hoje, interrompi curso de especialização em psicopedagogia. Aí, abro a net e leio seu texto. Voltarei aqui…

  • Carmen Navas Zamora
    Carmen (autor) disse:

    Queridos amigos, agradeço os comentários, que sempre me inspiram muito, principalmente quando alguém compartilha uma experiência de desistir com a motivação de trazer benefícios. Cada vez mais sinto que a desistência amorosa é um jeito meio malandro de desapegar voluntariamente das coisas, antes que sejamos forçados a isso. É também uma forma de reduzir a eletricidade do samsara, esse movimento incessante que nos mobiliza até a exaustão. O mais divertido é pensar que na nossa sociedade competitiva quem desiste de algo é considerado um fracassado, um ser desprezível e sem fibra. Por isso às vezes penso em fazer uma camiseta pra mim com uma estampa meio provocativa, tipo: 100% LOSER. Alguém aí vai querer usar?

  • sagú disse:

    Li o texto da autora ocasionalmente. Estou praticando meditação há duas semanas e não sei quase nada sobre Budismo além do que li nestas duas semanas, (rsrs). Comecei a sentir dificuldades com a respiração e ao procurar ajuda descobri que o problema era simples: observar, simplesmente a respiração, e não controlá-la ao meditar ou no dia-a-dia.
    Mas o que eu queria comentar é que, como outos tantos, me identifiquei demais com o que li. A ideia de que DESISTIR não sigifica FRACASSO ou MEDO é sutil e preciosa; estou satisfeito comigo mesmo, vivendo o presente livre de angústias como as de saber mais que os outros e SER mais que os outros e, principalmente, sem a figura pesada e controladora de DEUS. Será que enlouqueci?

  • Maria de Fátima disse:

    Carmen, agora q li seu texto fiquei na dúvida: será q o privilégio de ter o precioso acesso ao Budismo se deu pq fui me desapegando ou comecei a desapegar por ter iniciado a prática?? Não sei dizer! Parabéns e q os ventos a levem e a traga!!

  • Gustavo Gitti
    Gustavo Gitti disse:

    Carmen, muito bom saber que esse seu texto saiu na Bodisatva 19!

    Pelo que vi, a matéria de capa é sua também. Sensacional, quero muito ler.

    Abraço.

  • Carmen Navas Zamora
    Carmen (autor) disse:

    Obrigada, Gus! O engraçado é que eu já desisti da carreira de velejadora hehehe… até hoje não consegui distinguir popa de proa! Dá uma olhada na matéria sobre comunidades porque tá uma boa criação coletiva: várias pessoas participaram apurando e escrevendo e tem um depoimento lindo do lama.

  • sheila disse:

    Oi Carmen

    Estou há pouco mais de 1 mês tentando meditar (tarefa difícil, hein…), mas venho sentindo, faz tempo, que algumas coisas tão importantes anteriormente, empalideceram…
    Não sei de quando é o seu texto, mas acho que é atemporal…. Adorei, faz sentido. E acho que passarei a vida questionando – positivamente – meus objetivos.
    Um abraço.

  • Lucas disse:

    A todos, obrigado por compartilhar suas experiências. Me identifiquei bastante com diversos pontos.

  • caroline pereira almeida disse:

    quero saber se o budismo faz trabalhos amorosos

  • Ana disse:

    Poxa, Carmen, 4 anos depois do seu post e 3 anos depois do seu ultimo comentário, eis me aqui! rs
    Estou sentindo a mesma coisa que vc, com alguns anos de diferença! =)

    Foi bom identificar que isso pode ser visto, talvez, como “efeito colateral”da pratica meditativa. Aquele seu comentário ‘ Nem acredito quando percebo quanta energia me sobrou porque eu desisti daquela festa à qual eu não queria mesmo ir, mas tinha a vaga esperança de “encontrar alguém”! ‘ tb caiu como uma luva pra mim….aliás, caramba, que alívio que dá! hehe =)

  • Jana disse:

    Carmem, Seu texto è maravilhoso !!!!
    Tenho refletido muito sobre o fato de desistir ou nao das coisas que antes para mim pareciam tao importantes…
    Este texto me ajudou a analisar a base das minhas motivacoes para entao decidir (amorosamente)…

    OBRIGADA !!!

    Alguem disse em um dos comentarios que este texto è atemporal e eu assino embaixo, ele è mesmo ! ainda mais considerando que voce o escreveu em 2009 e eu o estou lendo em 2015 !

    Bom… queria dizer nao tem geito, agora sou tua fa ! rsrsrsr…..
    kkkkkk….

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