Tsewang Phuntso, durante entrevista com a Revista Bodisatva. Foto Luciana Zacarias

“Acreditamos que poderemos voltar a ser livres no Tibete”

Tsewang Phuntso, diretor da Tibet House Brasil, fala sobre compaixão, esperança, desafios e superações nesta entrevista exclusiva

Por
Edição: Janaína Araújo

“A cultura budista tibetana é uma cultura de paz e não-violência. Sua preservação é muito necessária pois é uma tradição de paz, amor e compaixão. Por intermédio da cultura tibetana, podemos contribuir para criação de um mundo mais feliz e pacífico através da paz interior e de uma mente calma.” Sua Santidade o XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso

Bodisatva conversou com o representante de Sua Santidade Dalai Lama na América Latina, Tsewang Phuntso, diretor administrativo da Tibet House Brasil— Centro do Patrimônio Cultural e Espiritual do Povo Tibetano, em São Paulo. Dedicado a preservar e promover a herança única espiritual e cultural do Tibete, Phuntso fala sobre os interesses principais da Tibet House Brasil, baseados no compartilhamento da tradição da cultura de paz formada pela tríade: compaixão, não-violência e altruísmo. “Somos muito novos no Brasil. A Tibet House Brasil nasceu ano passado e temos um longo caminho pela frente. Acreditamos que a cultura tibetana é vital e valiosa não somente para o povo tibetano, mas para toda a comunidade global”.

Nesta entrevista, Phuntso nos toca profundamente com os desafios enfrentados pelo povo tibetano e a onda de refugiados por todo o mundo com sua visão de esperança nesses tempos difíceis. Compartilhar significa fazer algo bom para os outros. Isso é inspirado pela compaixão. Ela está sempre refletida na vida individual. Eu tenho certeza que questões humanitárias e de compaixão aparecem fortemente em regiões pobres do Brasil. O senso de compartilhamento, de cuidado com seu vizinho ou a sensação de pertencimento são mais fortes ali. A grande questão nas grandes cidades é que a gente se perde, não temos tempo de refletir sobre nós mesmos. Você só olha para o seu caminho, reflete.

Sobre a vinda de S.S Dalai Lama ao Brasil, Tsewang Phuntso, diz que é uma pergunta difícil de ser respondida. “Enfrentamos muitos desafios de levar S.S.Dalai Lama para todos os lugares do mundo. S.S. está em idade avançada e, apesar de ter uma saúde ótima, nós temos que cuidar dele e esse é um dos fatores mais importantes a serem considerados. É um verdadeiro desafio”, comenta. Confira toda a entrevista por Celina Cardoso.

Bodisatva: Quais os objetivos da Tibet House no Brasil e o que podemos fazer para apoiar esse trabalho?

Tsewang Phuntso: O principal propósito da Tibet House no Brasil é compartilhar a espiritualidade e a cultura tibetana com todos os brasileiros. Incluímos a história, arte, literatura, filosofia espiritual, ecologia, e música, por exemplo. Uma coisa que temos de ter em mente é o crescente interesse das pessoas na filosofia budista, no Darma ou na religião. Há 33 anos, mais ou menos, existia um pequeno número de pessoas interessadas no budismo. Só um pequeno segmento da sociedade ia aos centros do Darma e praticavam, etc. Isso mudou visivelmente.

Existe um diálogo constante entre S.S.D.L. e diversos cientistas interessados em entender como a mente e as emoções funcionam. Informações que estão disponíveis dentro da filosofia budista, por exemplo, como trabalhar a mente e as emoções. Vemos uma profusão de trabalhos e pesquisas acadêmicas neste sentido. Isso criou um novo interesse entre os acadêmicos, particularmente na América Latina, em países como Brasil, Argentina e até no México, Colômbia. Estudos que envolvem psicologia, medicina e saúde. Isso não significa necessariamente que essas pessoas são budistas. Esses cenários atendem às funções dos centros de Darma, oferecendo a oportunidade de beneficiarem o maior número possível de pessoas.

Centros de Darma, ou qualquer outra instituição, não podem exercer suas funções isoladamente. Elas são parte da sociedade. Provavelmente os problemas com os quais temos de lidar hoje em dia neste mundo tecnologicamente desenvolvido — que por um lado proporciona muito conforto e conveniência, mas por outro, nos traz muito estresse e outros problemas — impulsionam as pessoas a procurarem novos mecanismos para lidar com essas questões. Sinto que na Tibet House, ou em qualquer outro centro de Darma ou instituição, a chave é continuarmos aprendendo.

O budismo é um dos aspectos da cultura tibetana. Quais são as outras características marcantes da cultura do Tibete, além da religião? Quais as principais atividades da Tibet House para promover a cultura tibetana?

A religião tem um papel importante em qualquer cultura. O Ocidente, por exemplo, é majoritariamente cristão. Mas a cultura não é só religião, ela é um dos aspectos pelos quais podemos entender uma sociedade.

No que diz respeito ao Tibete, a espiritualidade também é um dos aspectos. Podemos dizer que a tradição tibetana é o local da compaixão, da cultura da não-violência e de paz. Isso está refletido na história, na arte, na literatura e na música. Todas as culturas fornecem acesso a uma certa identidade e estão refletidas em diversas manifestações culturais.

Tibet House Brasil

Tsewang Phuntso, durante entrevista com a Revista Bodisatva. Foto Luciana Zacarias

A cultura é uma mentalidade, a maneira como uma sociedade pensa, respira. Tudo isso pode ser arte. Me fizeram essa mesma pergunta em 2015 de um modo diferente, quando eu visitei El Salvador e tive uma longa conversa com um amigo jornalista de lá. Eu dizia a ele, ‘ok, da sua perspectiva, você considera apenas a maneira como as pessoas se vestem como cultura salvadorenha ou todos hábitos da sociedade?’. Você pode dar a volta ao mundo e vai ver que os camaradas de El Salvador são mais legais em El Salvador. A cultura confere uma identidade.

Na cultura monástica existe um conjunto de músicas monásticas ou de ritual, mas isso não significa que ali está todo o repertório musical da cultura daquela sociedade onde os monges estão inseridos. Existe a música das áreas rurais, dos nômades e da cidade. Todas elas compartilhadas. Para mim essa é uma boa percepção.

A cultura brasileira, por exemplo. Se você olhar a essência da cultura brasileira, ela foi mudada pelo cristianismo. Mas ela floresceu com outros componentes: pessoas de origem africana, indígenas, europeus. Aqui no Brasil existe comunidade chinesa, a população que veio do Japão. Cada um trouxe um pedacinho da sua própria cultura e se integrou. E isso se reflete na cultura brasileira. É por isso que ela é tão rica e diversa.

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, existem cerca de 65,6 milhões de pessoas forçadas a deixar seus locais de origem por diferentes tipos de conflitos. Essa é uma questão importante, muito em evidência nos noticiários do mundo.

Qual conselho ou ensinamento secular que os refugiados do Tibete, onde existe uma cultura muito forte de não-violência e compaixão, poderiam dar aos refugiados do mundo?

No que diz respeito aos refugiados, a compaixão é um assunto importante para a filosofia budista e para outras religiões. Há muita incerteza quando você sai da sua terra natal e acaba em lugares desconhecidos. Mas, apesar disso, a esperança é preservada e o senso de sobrevivência também.

Contudo, só a esperança não é suficiente. Junto com ela é preciso resiliência, paciência, determinação, tolerância, entender que as coisas não vão se resolver tão rápido. Isso está refletido em qualquer refugiado. Mesmo na história do Tibete. Meus pais são da primeira geração exilada e eu faço parte da primeira geração de tibetanos que cresceu no exílio. Todos carregam esperança. Com ela, as pessoas seguem em frente. Talvez se você trabalhar duro, pode se tornar alguma coisa. É desafiador.

Eis um outro aspecto: os desafios trazem a chance das pessoas se tornarem melhores. No caso dos refugiados, todos querem sobreviver. Nesse tipo de cenário, as pessoas se tornam mais fortes, tornam suas esperanças mais fortes, o que dá mais confiança, a confiança traz mais determinação e a determinação impele a trabalhar mais duro. Num certo sentido, isso te ajuda a evoluir. Há uns meses atrás, nós fomos ao MIS (Museu da Imagem e do Som) ver uma exposição sobre refugiados sírios feita por um jornalista que esteve com eles. Essa mostra me fez revisitar minhas memórias de infância e da vida dos meus pais. Para nós, não é nada de novo. Isso te faz mais forte. Se você é desafiado, vai reagir. É assim em qualquer sociedade.

A compaixão tem um papel importante no dia a dia, seja você um refugiado ou não. O problema é que a gente não percebe. Por exemplo, quando se é um refugiado, não se tem nada. Mas ele não está sozinho, está em um grupo de pessoas no qual a sobrevivência é fundamental. Se você consegue um pouco de comida e seus companheiros não, a sua consciência vai te lembrar que a sobrevivência é importante para eles também.

É claro, talvez seu estômago queira comer tudo sozinho. Mas não é isso que acontece. No seu caminho de refugiado, você vai precisar dos seus companheiros para te fazerem companhia e dar apoio físico e emocional. Por isso você compartilha. Compartilhar significa fazer algo bom para os outros. Isso é inspirado pela compaixão. Ela está sempre refletida na vida individual.Eu tenho certeza que questões humanitárias e de compaixão aparecem fortemente em regiões pobres do Brasil. O senso de compartilhamento, de cuidado com seu vizinho ou a sensação de pertencimento são mais fortes ali. A grande questão nas grandes cidades é que a gente se perde, não temos tempo de refletir sobre nós mesmos. Você só olha para o seu caminho.

Qual o futuro do povo tibetano? Para eles existe um horizonte onde é possível voltar a ter liberdade cultural no Tibete ou voltar a viver em seu próprio território?

A gente tem essa esperança. Mas não é apenas uma esperança. Nada é fixo, tudo está conectado, tudo é interdependente, tudo está mudando. Veja a política, a economia. É um engano, uma ilusão acreditar na permanência. A vida é como uma onda e existem muitos cenários envolvidos. Você vê essas plantas crescendo, a gente faz o pode para elas crescerem adequadamente. Mas tem o inverno, todas as mudanças climáticas, muitos outros fatores entram em jogo. Aí ela floresce não exatamente do jeito que a gente esperava. Tudo muda.

Por isso acreditamos que poderemos voltar a ser livres no Tibete. Podemos chamar de independência ou liberdade, os nomes não são importantes. Agora são quase 60 anos de ocupação chinesa, mais de 60 e poucos anos que nossos pais se tornaram refugiados. As crianças tibetanas nascidas neste período não viram o Tibete livre, não viram o Dalai Lama, não tiveram contato com nenhuma dessas coisas. Elas têm a experiência da comunidade chinesa, da sociedade chinesa, e vêm que se não trabalharem duro, sua sobrevivência será questionada.

Por isso, no Tibete as gerações mais jovens estão realmente interessadas pelo idioma tibetano, se tornando mais religiosos, estudando mais a filosofia budista, mais que outras gerações. As gerações anteriores tinham fé, mas é preciso entender a religião, a filosofia, estudar. Assim você pode interagir com os outros e dizer ‘essa é a minha identidade’.

A situação do Tibete é muito complexa. Por um lado, existe muita pressão política, por outro, existe muita resistência popular. Eles realmente agarram qualquer oportunidade de proteger a cultura, a língua, a identidade. Eu fiquei realmente surpreso há alguns anos quando o governo chinês proibiu o ensino do idioma tibetano. No passado, era permitido ensiná-la. Agora eles dizem que o chinês é o primeiro idioma, e o tibetano deve ser falado apenas como um dialeto. Imediatamente as pessoas formaram escolas noturnas. Houve toda essa movimentação mesmo o governo não permitindo o ensino do idioma nas escolas convencionais. Estão acontecendo mudanças.

A China é um assunto complexo. Ela é considerada econômica e militarmente poderosa pelo mundo. Essa é uma das faces da China. Dentro do país existe uma fraqueza, eles não confiam em seu próprio povo. Nessa situação complexa, a economia chinesa vai muito bem. As pessoas têm o que comer e têm outras coisas para se preocupar, elas não são felizes. Eles procuram por uma espiritualidade.

É por isso que nos últimos 30 anos o cristianismo está revivendo na China. O budismo está revivendo. Hoje em dia existem quatro milhões de budistas na China. Quantos chineses estudam em monastérios tibetanos? Quantos chineses viajam todo ano para a Índia, Tailândia e Japão para ouvir os ensinamentos do Dalai Lama? É muito complexo. Então com essas mudanças, nós vemos que existe uma esperança.

O senhor já teve oportunidade de retornar ao Tibete ou sonha em viver em seu país?

Quando a China estava aberta ao mundo pela primeira vez, em meados dos anos 1980, eu tive a oportunidade de visitar o Tibete. Naquele tempo era mais fácil, muitas mudanças estavam em curso. Aquela visita me deu mais esperança porque eu pude interagir com as pessoas e ver a determinação delas para fazer as coisas do seu próprio jeito e preservar a identidade de seu país, sua cultura, seu ambiente.

O Tibete tinha seis mil monastérios. No final da revolução cultural sobraram apenas 13 e não havia monges. Eles foram todos mandados para a prisão, para campos de trabalhos forçados.

Tibet House Brasil

Tsewang Phuntso, durante entrevista com a Revista Bodisatva. Foto Luciana Zacarias

 

A população do Tibete trabalhou duro para reerguer os monastérios. Coletavam doações, cada um contribuía com alguma coisa, e começaram a construir. Agora nós vemos mosteiros maiores. Toda a tradição religiosa revive e muitos estrangeiros vão estudar no Tibete. Estudam lá por 30 anos e voltam para seu país de origem para ensinar.

Vendo tudo isso, eu fiquei muito mais esperançoso. É o sonho de qualquer espécie voltar a viver em seu país. Mesmo os pássaros querem voltar para seu local de nascimento. Se você olhar para Nova Iorque, onde morei por 15 anos, existem tantos imigrantes. Milhões de mexicanos, brasileiros. Se você perguntar para qualquer um deles, vai ouvir que querem voltar para casa, o lugar para onde mandam todo o seu dinheiro. É um sonho, mas a realidade é diferente. Talvez a realidade não permita uma volta rápida. Existem os filhos e várias outras questões. Voltar para casa é um sonho que mantém todos os imigrantes vivos (risos).

O senhor poderia nos falar sobre essa nova geração de tibetanos que nasceu no exílio, mesclada a outras culturas? O que é ser um tibetano para essas novas gerações que não tiveram a experiência de viver em seu país? O que permanece? O que se perde?

É um processo, de novo um processo. Nesses casos há uma procura pela adaptação a uma nova cultura, uma nova vida. Mas quando se pula na água, chega uma hora em que você quer sair. É natural. Nesses casos, uma das primeiras questões é como eu posso me tornar parte dessa sociedade na qual estou inserido? Você se empenha em aprender o idioma local, a maneira como as pessoas falam, para se vestir como eles se vestem. E há o medo de não ser aceito.

Mas quando você se torna parte dessa sociedade, dessa outra cultura, começa a se questionar sobre sua identidade. Quem sou eu? Onde estou? Não sou caucasiano, minha origem é tão diferente. Quem sou eu? Então isso te leva de volta para sua identidade, aí você entende a importância dela.

Os tibetanos têm a mesma preocupação de qualquer imigrante em ensinar seu idioma aos filhos, por exemplo. Eu examino esses 30 anos que vivi nos EUA interagindo com os tibetanos e vejo mudanças significativas. A primeira parte do processo é que exige-se um longo tempo para se tornar parte daquela sociedade. Mas há uma segunda parte onde surge uma preocupação com a perda do contato com a sua própria identidade, com sua cultura. Então, os imigrantes começam a mandar seus filhos para seus países de origem.

Agora, por exemplo, só nos EUA nós tibetanos temos 30 lugares onde há uma concentração significativa de nossa sociedade. São lugares onde as crianças aprendem o idioma, a cultura, como fazer uma prece, sobre o budismo. Há também muita presença independente aparecendo. Budismo sendo ensinado em escolas, universidades, aulas do idioma tibetano. Todas essas iniciativas que você vê em populações imigrantes.

Com isso, se perder de sua cultura é bem mais difícil. Nós, que já somos crescidos, estamos mais preparados para os desafios. Talvez você se torne mais brasileiro quando você for para outro país. Porque no Brasil você já é parte de uma grande comunidade, sua identidade se reflete em todas essas coisas. Mas quando você se muda, talvez entenda melhor sua origem, sua cultura, sua identidade e então você se liga mais fortemente nesses aspectos. Por isso, você poderia se tornar muito mais brasileira.

Quais os desafios que o senhor, enquanto representante de S.S. Dalai Lama, e as Tibet House encontram pelo mundo?

Os desafios estão aí o tempo inteiro. Por exemplo, organizar uma visita de S. S. D. L.. A China pressiona muitos governos para não permitirem a visita dele, para que ele não realize encontros políticos, etc. Esses desafios estão aí o tempo todo. Uma vez que eles estão aí, você tem que achar uma maneira de superá-los. Faz parte. Eu não me preocupo muito com isso. Eu não posso negar a existência deles, estão aí.

Por exemplo, Sua Santidade foi convidado para visitar a América do Sul por diferentes grupos e o arcebispo Desmond Tutu também o convidou para visitar a África do Sul. Mas a China pressionou bastante o governo da África do Sul e eles negaram o visto a Sua Santidade. Os desafios estão aí. A China não pressiona apenas governos, mas as escolhas dos cidadãos também. Você não pode se deixar paralisar pelos desafios. É preciso achar um caminho para enfrentá-los.

Tibetanos têm um ditado: ‘sempre esperamos pelo melhor, mas estamos preparados para o pior’.

Mesmo a Tibet House, nós somos muito novos. Nascemos ano passado. Temos um longo caminho pela frente. Eu não falo português, esse é um pequeno desafio. Todos têm expectativas diferentes. Você não pode suprir a expectativa de todo mundo. Como resolver isso? Achando o caminho do meio. Desafios são parte da vida, não é novidade.

Quais as possibilidades e as riquezas desse relacionamento com os brasileiros?

Eu acho que está tudo entrelaçado. Você não pode construir uma ponte que não ligue dois pontos. É preciso que haja uma interação dos dois lados. O que as pessoas esperam? O que podemos oferecer? Onde está o compromisso? Onde está o caminho do meio? Acho que tudo isso está envolvido. Mas na minha experiência, eu acho que existe uma grande expectativa do público, agora, por exemplo, quando organizamos seminários, workshops. É uma programação que traz benefício para todos os brasileiros, todas essas informações sobre a filosofia budista.

Percebemos que as atividades de leitura, de seminário, atraem cada vez mais público. Junto com isso vem uma maior expectativa e isso se torna um desafio. Aí precisamos ver o que precisa ser feito. Mas isso é só um dos aspectos. Nós também organizamos workshops sobre diferentes formas artísticas, por exemplo. Temos alcançado uma boa resposta do público, que vem junto com expectativas.

Agora, por exemplo, estamos com um programa que dura por um longo período. Temos de ter certeza que as pessoas venham. Mas aí o público pergunta sobre outras programações de longa duração. Muitas pessoas me perguntam sobre aulas de tibetano. Estamos crescendo.

Tivemos a mostra de filmes tibetanos no Museu da Imagem e do Som, que teve uma resposta muito positiva porque foi muito bem divulgado. Então, geramos expectativas no público e no MIS, que nos perguntou se podemos fazer um projeto maior. Isso enche meus olhos e me dá uma nova esperança. As pessoas estão interessadas, querem interagir. Isso é ótimo.

Existem sociedades que são conservadoras e querem viver isoladas. Mas aqui as pessoas querem interagir, aprender sobre outras culturas, querem aprender coisas novas. Isso é uma oportunidade para nós. Mas encontrar essa oportunidade, depende de você. Eu acho que neste ano teremos mais espaço para programação. Daí eu recebi mensagens perguntando por que a gente não faz atividades em Brasília, no Rio de Janeiro, em Vitória, no Recife.

Quando sua S. S. Dalai Lama volta a visitar o Brasil?

Essa é uma pergunta difícil. Nós recebemos muitos convites. Não só da América do Sul, mas de todo o mundo. Eles são repassados à equipe de Sua Santidade Dalai Lama e alguns ainda não foram respondidos. Logo, não somos capazes de dizer exatamente quando Sua Santidade visitará a América do Sul, incluindo o Brasil. Existe a possibilidade, mas não é uma questão muito fácil porque temos de levar muitos fatores em consideração. Há muitos desafios envolvidos. A América do Sul é muito longe da Índia, onde Sua Santidade Dalai Lama está exilado. Não é possível, por exemplo, colocar na mesma programação uma viagem à Europa e à América do Sul. Isso demandaria muito tempo. Então teria de ser uma visita exclusiva à América do Sul. Esse é só um dos fatores e há vários outros. Outra questão importante é que S.S. está em idade avançada e, apesar de ter uma saúde ótima, nós temos que cuidar dele e esse é um dos fatores mais importantes a serem considerados. É um verdadeiro desafio.

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